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Nos bastidores da odisseia no espaço

Matéria publicada em 9 de abril de 2018, 07:32 horas

 


Livro revela que Stuntman quase bateu no diretor

Épico: Recriando o espaço num estúdio em Londres.

Épico: Recriando o espaço num estúdio em Londres.

“2001” a obra prima do diretor Stanley Kubrick já foi tema de dezenas de livros. De livros simples, sem ilustrações, como “The making of 2001” editado pelo Martin Scorcese a volumes luxuosos, ricamente ilustrados, como o “The Making of Stanley Kubrick´s Space odyssey” do Piers Bizone. Infelizmente a maioria desses livros nunca foi publicada no Brasil. Os 50 anos do lançamento do filme trouxeram uma rara exceção para as estantes das nossas livrarias. É “2001: uma odisseia no espaço -Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke e a criação de uma obra prima” do escritor científico Michael Benson.
O livro custa 84 reais e esta saindo pelo selo da Todavia. Benson é fã do filme desde que viu quando ainda era criança e passou anos entrevistando os sobreviventes da equipe de produção. Seu livro, embora não tenha as ilustrações espetaculares dos livros do Piers Bizoni, está cheio de histórias saborosas sobre as dificuldades e os percalços enfrentados para recriar o espaço sideral nos estúdios de Borehamwood, em Londres.
Quem já viu o filme se lembra do astronauta rodopiando sem controle no espaço. Para filmar esta cena o stuntman Bill Weston ficou pendurado num cabo de aço a nove metros de altura dentro de um enorme galpão do estúdio. Além do perigo de se estatelar no chão, se o cabo se partisse, Weston correu o risco de morrer asfixiado. Seu traje espacial tinha apenas uma garrafinha de oxigênio que só dava para dez minutos.
Ao contrário dos astronautas da vida real, Weston não tinha um equipamento para retirar o gás carbônico que se acumulava dentro do traje. Ele pediu ao diretor do filme que fizesse uns buraquinhos na parte detrás do capacete para ventilação. Mas Kubrick se recusou, temendo que a luz entrasse provocando reflexos na viseira. Weston, um homem atlético que fora mercenário na África combinou um sinal com os braços caso começasse a se asfixiar.
Mas no entusiasmo da filmagem Kubrick ignorou os sinais e Weston perdeu os sentidos. Quando foi resgatado ele queria espancar o cineasta, que tratou de fugir, ficando três dias sem aparecer no estúdio. O livro foi lançado na semana passada e é uma leitura fascinante para os apreciadores da sétima arte.

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

Um comentário

  1. Que baita lançamento! “2001: Uma odisseia no espaço” é certamente o melhor filme de ficção científica de todos os tempos. Uma pena que os cineastas não adaptaram também outras obras do Arthur C. Clarke, como “Encontro com Rama”, que daria um excelente filme.

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