segunda-feira, 20 de novembro de 2017

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / O maior rival de ‘Jornada nas Estrelas’

O maior rival de ‘Jornada nas Estrelas’

Matéria publicada em 13 de novembro de 2017, 08:45 horas

 


‘The Orville’ brinca com as convenções dos seriados futuristas

Os fãs da ficção científica estão adorando. Pela primeira vez em décadas temos dois seriados de aventuras espaciais competindo pela audiência nos canais da TV por assinatura. O primeiro é “Star Trek: Discovery” exibido no pay-per-view, que não agradou muito aos fãs da velha “Jornada nas Estrelas”. Seu rival é “The Orville”, da Fox, uma aventura espacial muito bem humorada bolada pelo comediante Seth MacFarlane, o criador de comédias de humor grosso como “Ted” e o desenho animado “Uma família da pesada” (The Family Guy).

MacFarlane é amigo do astrônomo Neil deGrasse Tyson e nunca escondeu sua paixão pelas aventuras espaciais. Em meio a todo o besteirol dos filmes do “Ted” ele fez uma bela homenagem ao Flash Gordon dos quadrinhos. Quando o comediante anunciou que ia produzir um seriado tipo “Jornada nas Estrelas” os fãs ficaram preocupados. Esperando um besteirol barra pesada. Mas, MacFarlane surpreendeu a todo com uma sátira contida e feita com muito estilo. Os primeiros episódios foram tão bem produzidos que “The Orville” está sendo considerado melhor que a “Discovery” oficial. Ou seja, a sátira ficou melhor do que a versão séria.

Para começar MacFarlane fez uma coisa que poucos produtores de TV costumam fazer ao criar uma série de ficção. Ele se cercou de gente que entende do assunto, começando pelo roteirista e diretor Brannon Braga, que trabalhou na criação de seriados de Jornada nas Estrelas como “A nova geração” e “Voyager”. Braga chegou a dirigir dois episódios de “Orville” e é por causa dele que o novo seriado parece a “Nova Geração” de Star Trek com muitos toques de humor.

Como é seu estilo, além de produzir o novo seriado e escrever alguns dos roteiros, MacFarlane faz o papel do herói. O intrépido capitão Ed Mercer que comanda a nave estelar “Orville” no século XXV. A cenografia e os efeitos visuais são impecáveis e contaram com a colaboração do Robert Legato, que trabalhou em “Apollo 13”, no “Titanic” e na “Jornada nas Estrelas: A nova geração” que “Orville” tenta imitar. A música do seriado conta com os talentos de John Debney, Joel McNely e Bruce Broughton. Que não deixam de fazer suas citações à fonte de inspiração.

No episódio 4, “Se as estrelas aparecessem”, a Orville encontra uma imensa nave alienígena derivando no espaço. Quando ela se aproxima a música de McNely imita o tema que Jerry Goldsmith compôs para uma cena semelhante de “Jornada nas Estrelas: O Filme”, quando a Enterprise sobrevoa o “V´Ger”

Já a trama do episódio quatro traz memórias mais antigas. É sobre uma nave colonizadora desgovernada que vai se chocar com uma estrela. Ou seja, uma versão moderna do antigo seriado “Starlost – A estrela perdida” dos anos de 1970. Outra coisa que “Orville” imita muito bem é o clima otimista dos seriados antigos. Que contrasta com a visão pessimista e o universo “dark” de seriados modernos, como o “Star Trek: Discovery”.

No elenco da série temos a loira Adrianne Palicki, que já tentou até ser uma nova Mulher Maravilha e não deu certo. Aqui ela está perfeita como a primeira oficial Kelly Grayson, que já foi esposa do comandante. Os dois se separaram porque não se entendiam. E quando a frota estelar coloca Kelly como segunda em comando a bordo da Orville o comandante Ed Mercer espera pelo pior. Afinal, se ele não conseguia se entender com aquela mulher em casa, como é que vai comandar uma nave espacial tendo ela como sua principal auxiliar?

Uma vantagem da “Orville” sobre a “Discovery” é que a série da Fox está acessível a qualquer um que assine o canal. Já a “Star Trek: Discovery” foi criada para um canal da CBS pay-per-view que ninguém sabe se vai dar certo. Por enquanto a competição é bem-vinda e lembra o início da década de 1990, quando a TV exibia dois seriados sobre estações espaciais, a “Deep Space 9” de Star Trek e a Babylon 5.

 

Por Jorge Luiz Calife

jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Muito interessante. Nada substitui a criatividade em uma série de TV ou filme.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Untitled Document