sábado, 23 de junho de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / Os profetas do turismo no espaço

Os profetas do turismo no espaço

Matéria publicada em 21 de maio de 2018, 07:08 horas

 


Artistas do século passado previram a tecnologia espacial do presente

1930: Casal observa estação espacial giratória.

1928: Turistas desembarcam nas luas de Júpiter

Futuro: O hotel orbital Aurora

1949: Um pouso na Lua

As primeiras espaçonaves de turismo devem subir ao céu ainda este ano. Para os antigos fãs da ficção científica a ideia não é novidade. Desde a primeira década do século 20 que escritores e ilustradores imaginam aventuras turísticas pelo espaço. E alguns dos foguetes e naves que eles imaginaram têm uma notável semelhança com as criações da tecnologia moderna. É o caso da nave New Shepperd, testada no mês passado. Ela parece uma versão reduzida do foguete que leva turistas para uma lua de Júpiter, numa ilustração que foi capa da revista Amazing stories, em novembro de 1928. Numa época em que nem existiam aviões a jato.

Em 1902 o escritor britânico George Griffith publicou uma série de aventuras intitulada “Uma lua de mel no espaço”, sobre um rico inventor que constrói uma nave antigravidade e leva sua amada para um passeio pelo sistema solar. O herói da história é um empresário, como Ellon Musk e Jeff Bezos, os homens por trás de empresas como a Space X e a Blue Origin que estão transformando a ficção em realidade.

Em outra ilustração, do artista Frank Paul, publicada em 1930, um casal a bordo de uma estação espacial observa o panorama através de uma janela circular, eles usam óculos escuros para se protegerem da radiação ultravioleta do sol no espaço sideral. Hoje em dia, a cúpula de observação da Estação Espacial Internacional oferece uma vista ainda mais espetacular. E na vida real não é preciso usar óculos protetores, os painéis das janelas já bloqueiam as radiações perigosas.

A aventura do casal de 1930 pode virar realidade antes do final desta década, se tudo correr bem com os planos da empresa Orion Span, de Houston no Texas, que planeja lançar um mini-hotel espacial chamado Orion Span. Que será construído com a moderna tecnologia dos módulos infláveis.

É claro que a realidade ainda vai levar algumas décadas para alcançar a ficção. A estação espacial de 1930 tinha gravidade artificial por rotação, poupando os turistas das trapalhadas do sexo em gravidade zero. Algo importante no caso de casais em lua de mel. Todos os projetos atuais de hotéis e estações espaciais não dispõem dos confortos da gravidade centrifuga, e ainda teremos que esperar mais uns dez anos para que esse tipo de tecnologia seja testada e implementada.

Todos os projetos modernos de turismo no espaço ficam restritos a naves e estações em órbita da Terra. Bem aquém da ficção, que já mandou turistas para a Lua e outros planetas no tempo dos nossos avós. Em 1945, por exemplo, o artista americano Chesley Bonestell ilustrou um artigo sobre viagem a Lua para a revista Mechanix Illustrated. A nave de Bonestell tinha uma enorme janela circular, como a que existe atualmente na Estação Espacial Internacional, mas seus tripulantes dispunham de um conforto bem maior. Eles tomavam martinis em cálices que flutuavam no ar, algo que é proibido nas espaçonaves da NASA.

As ilustrações de Bonestell inspiraram uma atração do parque temático Disneylândia, inaugurado em 1956, onde os visitantes podiam embarcar no simulador de uma nave de turismo do futuro e fazer uma viagem ao redor da Lua, observando crateras e montanhas de uma altura de apenas 100 quilômetros. O simulador da Disney não passava de um planetário sofisticado e não podia reproduzir coisas como a ausência de gravidade, mas foi um sucesso.

Por enquanto o turismo no espaço só está ao alcance dos muito ricos, como o herói da “Lua de mel no espaço”, mas à medida que a tecnologia for avançando o preço deve cair bastante. Dennis Tito, um dos primeiros turistas espaciais, pagou vinte milhões de dólares para viajar na nave russa Soyuz, em abril de 2001. Já um passeio suborbital, na nave New Sheppard, não deve custar mais do que cem mil dólares.

Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

Untitled Document