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Audiência pública discute depósito de escória da CSN

Matéria publicada em 12 de julho de 2018, 23:12 horas

 


Debate: Questão do depósito de escória foi assunto de audiência pública
(Foto: Paulo Dimas)

Volta Redonda – Uma audiência pública realizada na noite desta quinta-feira (11) na Câmara Municipal de Volta Redonda discutiu a questão do depósito de escória operado pela empresa Harsco Metals num terreno da CSN no bairro Brasilândia. O evento foi convocado pela comissão especial formada pelos vereadores Rodrigo Furtado (presidente), Edson Quinto (relator) e Jari Simão (membro), para acompanhar o assunto. Na ocasião, a Prefeitura de Volta Redonda, a CSN e a Harsco puderam apresentar suas posições sobre o assunto, antes da fala da  procuradora da República Marcela Marumi. Os deputados estaduais Julianelli e Lucinha e o ex-prefeito de Pinheiral, José Arimathéa, que atualmente dirige o Comitê da bacia Hidrográfica do Médio Paraíba , falaram antes, mas sem abordar tecnicamente a questão, tratando dos aspectos políticos do caso.

O presidente do IPPU-VR, Márcio Lins, que foi diretor da CSN e leciona na faculdade de Engenharia Metalúrgica da UFF, foi o primeiro a tratar tecnicamente do assunto. Ele lembrou que a escória de aciaria, armazenada no local, é um material plenamente conhecido, e que a questão precisa ser encarada e resolvida com diálogo. Márcio lembrou que a CSN gera 12 mil empregos diretos e mais 20 mil indiretos e é responsável por 75% da renda da região.

O Gerente Jurídico da CSN, Fernando Cardoso, afirmou que é preciso esclarecer alguns pontos que as pessoas em geral ouvem, leem e assistem sobre o assunto. Primeiro, ele explicou que a escória de aciaria, que é a armazenada no depósito, não é usada para fabricação de cimento, como ocorre com a de alto-forno; segundo ele, seu uso principal é para pavimentação. Ele explicou também que a parte metálica da escória é retirada e devolvida para o processo siderúrgico, como forma de reciclagem de recursos. Ele também afirmou que a pilha de escória fica a uma distância de mais de sessenta metros das margens do Rio Paraíba do Sul, dentro dos limites da lei.

Sobre a possibilidade de a escória ser carreada para dentro do leito do Rio Paraíba do Sul, ele disse que isso é impossível, porque a calcificação ocorrida no local impede que a escória caia, mesmo quando fica em ângulo negativo, com a parte de cima mais larga que a parte de baixo.

“Não existe a menor semelhança entre a situação desse depósito de escória e a questão da cidade de Mariana, onde diques que continham rejeitos em estado líquido se romperam e atingiram o Rio Doce”, afirmou.

A possibilidade de a água usada no processo afetar o Rio Paraíba do Sul também é inexistente, segundo Cardoso, porque a água é usada em regime de circuito fechado, não apenas porque isso economiza o líquido, mas também porque assim nenhuma parte dele chega ao rio. Além disso, as medições e captações existentes abaixo do ponto em que fica o depósito no curso do rio monitoram a qualidade da água há muitos anos, sem que tenha sido detectado qualquer problema. “Há impacto visual, sem nenhum tipo de risco”, declarou.

A diretora Jurídica e de Compliance da Harsco Metals, Eurídice Mason, explicou que a empresa recebe da CSN a escória já resfriada e retira a parte metálica que é devolvida à siderúrgica. Depois, o material é separado de acordo com sua granulometria (o tamanho das pelotas de escória) para ser destinada ao mercado. Segundo ela, a escória é um produto, com destinação econômica, não um resíduo. Ela também confirmou a informação de Fernando Cardoso de que o material é usado para pavimentação.

A procuradora federal Marcela Harumi afirmou que esteve em contato com o Inea, que segundo ela começa a se mobilizar para “fazer frente aos fatos”. Ela também disse que existem alguns pontos a serem definidos no assunto.

O primeiro seria a definição de limites para a altura das pilhas e o volume de escória armazenada. Sobre a distância do Rio Paraíba do Sul, a procuradora afirmou que entende que deveria ser de 200 metros, enquanto o depósito deveria ficar a 500 metros de  residências.

Harumi também propôs que a Harsco passe a molhar toda a escória, em vez de apenas a que vai ser movida, para evitar a formação de poeira, e concluiu a fala propondo que haja um controle do impacto da poluição da CSN sobre a saúde pública, asism como um plano geral para assegurar a qualidade do ar e da água. Concluindo, ela sugeriu que a população mantenha a mobilização, para garantir que as questões sejam enfrentadas.

 

 


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16 comentários

  1. Depósito de escória há muitos anos ali. Isto é uma vergoooonha.

  2. O pó preto que aparece em várias ruas , Bairros e casas de Volta Redonda não é oriundo daquela montanha de escória do Brasilândia. É um pó que ninguém comenta, lançado na atmosfera pela Sinterização e Aciaria da CSN. Cadê A SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE VR? é SÓ CABIDE DE EMPREGOS? Onde está a ação fiscalizadora?

  3. OS VEREADORES QUE VI LÁ E QUE REALMENTE PARTICIPARAM: EDSON QUINTO, JARI, RODRIGO FURTADO. Temos 21 vereadores…E os outros? Acham que o tema não é importante?
    Outra coisa. Grande parte do Pó que chega as nossas casas não é daquela montanha do Brasilândia. É da Sinterização.

  4. A VALE nas Usinas de Pelotização de Vitória-ES mantém montanhas de minério de Ferro (matéria prima para fabricação de Pelotas de Ferro, que são exportadas e utilização no mercado interno).

    O vento que sopra do mar em direção ao território, ou em direção à Cidade de Vitória, Praia do Camburi e adjacências, transporta o pó de minério de ferro para a área Urbana.

    A VALE como medida preventiva, efetua uma pintura de água com cal, já tendo utilizado água + bentonita (pó amarelo), fazendo pintura das montanhas de minério de ferro, tipo impermeabilizando as montanhas contra a ação do vento. É só querer colaborar com a população desde que se coloque a mão no Bol$o. CSN gaste um pouco com esta cidade que teve reciprocidade no crescimento, povo de um lado e uma Industria do outro.

  5. Onde esta o ministério publico. Não esperem nada de órgãos estaduais. Tem o rabo preso, são corruptos, decadentes e ineficientes, é só assistir o filme “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento” para entender do que estou falando. Precisamos do MPF agindo antes que a população fique doente e vire uma epidemia

  6. INEA, INEA, INEA……..estive ontem na audiência pública, e o que mais ouvi foi INEA…INEA…INEA…..

    agora eu pergunto a TODOS..

    AONDE ESTÁ A SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE……alguém sabe aonde funciona? alguém sabe quanto que o Prefeito investiu em 2017 em controle ambiental?

    eu respondo a vcs, a secretaria funciona na POnte Alta…..o valor aplicado em 2017 é ZERO…isso ZERO…..

    estamos diante de um grande problema, que só está tomando esta proporção por conta do seu João, do José, do Manoel….que em suas casas colhem os materiais particulados em suas vassouras…

    Termino reforçando o meu questionamento AONDE está o Órgão Ambiental Municipal?

  7. Lamentável que um assunto tão importante para nossa cidade, não mexe com alguns vereadores que sequer, compareceram â câmara municipal.

    • Quais vereadores faltaram?

    • CEM Reais para votar, SEM vereadores comprometidos depois

      A CMVR há 21 que estão vereadores. Quantos faltaram? Se apareceram somente 3 deles já sabemos os nomes. Apareceu mais algum vereador?

  8. Esperamos ansiosamente que desapareçam com aquela montanha de escória. A população dos bairros adjacentes NÃO MERECEM respirar 24h aquele pó. compramos nossas casas, pagamos impostos e quando eles resolveram fazer aquilo lá todos nós da Brasilândia fomoS contra. Pedimos ajuda de várias autoridades e ninguém nos ouviu. Parece que a Brasilândia não existe pra VR. Mas na hora de pedir voto, todo mundo acerta o caminho.. Queremos urgência nessa questão. Pode demorar anos, NÃO VAMOS DESISTIR.

  9. Já dei uma solução para acabar com o depósito de escória, mas pelo visto os moradores de volta redondo não gostaram.

  10. Não somente esse depósito mas de 1 mês pra cá os niveis de partículas no ar foi assombrosamente alto, por toda a cidade… Por favor, alguma coisa precisa ser feita com mais rigor, o INEA está claramente omitindo ações mais enérgicas contra a CSN. Talvez um remanejamento estratégico da produção, redução ate mesmo da utilização da Sinterização… enfim… n atitudes que a CSN pode e deve adotar para reduzir o impacto ambiental que a cada ano aumenta e sempre emite a mesma nota oficial para a imprensa e para os órgãos “competentes”.

  11. Pagador de impostos

    O melhor de tudo isso, pra ser cômico e não trágico é ler que ” …. que esteve em contato com o Inea, que segundo ela começa a se mobilizar para “fazer frente aos fatos”. Nossos órgãos públicos. Servem para que mesmo ? Como disse, a discussão é muito boa e deve continuar. E a população entender que meio ambiente é dia a dia, ações individuais também. Que tal pararmos de jogar lixo nas ruas ? E que tal pararmos de descartar entulhos de obras também nas ruas ?

  12. simplifica ñ complica

    Uma das aplicações dessa escória levando em consideração a classificação da ABNT seria como corretivo de solo. Porque a CSN não desenvolve um produto com fina granulometria e o comercializa ao invés de “doar” aos pulmões da população?

  13. Acho melhor o prefeito reduzir a tarifa de água na cidade pela metade . Pois o consumo de água aumentou muito , devido grande poluição da CSN sobre cidade . Agora a população de volta redonda fica respirando pó da CSN e consumindo excesso de água e lucro da CSN indo para fora da cidade . Exemplo : A FEM acabou , A. CBS foi prá são Paulo . Samuca , vou dá um alerta prá você veja bem ! Minha conta de água o consumo dobrou devido o excesso de pó . Alô os vereadores de volta redonda reduzem taxa de água pela metade e cobra da CSN .

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