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Audiência pública na Alerj discute violência contra a imprensa

Matéria publicada em 22 de outubro de 2017, 23:08 horas

 


Em discussão: Minc diz que policiais e manifestantes são os que mais agridem jornalistas

Em discussão: Minc diz que policiais e manifestantes são os que mais agridem jornalistas

Rio – Garantir a liberdade de trabalho de jornalistas com a criação de mecanismos como a criação de um observatório da violência contra a imprensa e diálogo permanente com as forças de segurança. Essas foram as principais propostas apresentadas na audiência pública da Comissão pelo Cumprimento das Leis da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conhecida como Cumpra-se, realizada nesta sexta-feira (20).
Presidente do grupo, o deputado Carlos Minc (sem partido) lembra que sem imprensa livre, não há democracia. “O fato é que os jornalistas têm sido vítimas da repressão policial e também de manifestantes. Cerca de 25% dos jornalistas agredidos são por policiais e 15% por manifestantes”, disse Minc.
Porta-voz da Polícia Militar do Estado do Rio, o Major Ivan Blaz afirmou que é fundamental o diálogo entre jornalista e a polícia. “Lidar hoje com a questão da segurança do profissional de imprensa é muito amplo. Canais precisam ser estabelecidos. Com a existência da mídia livre, qualquer pessoa é uma produtora de conteúdo. Nas manifestações, essas pessoas da mídia livre são muitas e nem sempre há canais de interlocução com esses grupos”, disse o Major.
“A Polícia Militar é parceira de coletivos populares que falam sobre segurança pública. O que nos falta hoje é uma agenda que nos ligue aos grupos politicamente acionados nessas manifestações. Precisamos estabelecer canais de comunicação para discutirmos e mostrar como nós agimos”, destacou. “O que não podemos é acabar com as manifestações e também não podemos abandonar a necessidade dos órgãos de segurança de atuarem”, finalizou Blaz.

Mídia alternativa

Hare Brasil, da página de mídia alternativa Canal Mariachi, espera que as propostas os coloquem também no foco. “A proposta mais eficaz que tem que ser feita é o olhar para o midiativismo. As mídias independentes já concentram grande poder de alcance na internet. O Mariachi, por exemplo, está alcançando bastante gente, mais até do que os veículos de comunicação tradicionais”, disse.
André Barros, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, lembrou da importância das filmagens feitas por midiativistas em manifestações. “O ponto mais importante são pessoas, não só jornalistas. As pessoas que filmam abuso de autoridade, violências homofóbicas ou todo tipo de violência. Filmam e são levadas pela polícia ou pela autoridade que praticou o abuso para eles excluírem essas filmagens”, disse o advogado. “Temos que proteger quem filma”, concluiu.
A jornalista Beth Costa, que representou o sindicato dos jornalistas do Rio, lembrou do papel desses profissionais na democracia. “Quando você agride um jornalista, é uma violência contra o direito humano de ter acesso a informação. Quando você intimida um jornalista, quem perde é a sociedade”, finalizou.

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