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Dificuldades da Eletronuclear afetam Paraty e Angra dos Reis

Matéria publicada em 11 de novembro de 2017, 15:00 horas

 


Empresa está atrasando parcelas da contrapartida por Angra 3, além de ter interrompido contratações

Costa Verde – Com as obras de Angra 3 interrompidas e com a obrigação de pagar R$ 30 milhões ao mês só de juros do financiamento contratado com o BNDES para construir a usina, a Eletronuclear está passando por dificuldades financeiras. Com isso, a estatal parou de pagar às prefeituras de Paraty, Angra dos Reis e Rio Claro os valores estabelecidos como contrapartida pela construção da nova usina nuclear. As informações são do site Petronotícias.

Os problemas estão chegando a um ponto em que mesmo a operação das usinas nucleares Angra 1 e 2 está ameaçada, apesar de elas serem superavitárias.

Essa situação crítica que a empresa passando, motivou a formação de alguns movimentos. O primeiro deles foi a iniciativa da Abdan – Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares – que saiu em defesa da Eletronuclear.

O presidente da Instituição, Celso Cunha, esteve em Brasília chamando atenção para o problema. Na Câmara e no Ministério das Minas e Energia. Esteve também com o Secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Christino Áureo, e ainda o segundo Vice-Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Deputado André Ceciliano. Ceciliano está organizando  uma audiência do pública para discutir o problema.

Os prefeitos de Paraty, Rio Claro e Angra dos Reis, também estão  mobilizados em defesa de seus municípios e também da própria Eletronuclear.

Casé: ‘A cidade precisa receber as contrapartidas acertadas nos termos de compromisso, mas a empresa precisa estar saudável para funcionar para operar e fazer os pagamentos’ (Foto: Arquivo)

Casé: ‘A cidade precisa receber as contrapartidas acertadas nos termos de compromisso, mas a empresa precisa estar saudável para funcionar para operar e fazer os pagamentos’ (Foto: Arquivo)

Já nesta segunda-feira, dia 6, o prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, o Casé, o Vice-Prefeito, Luciano Vidal, e o Secretário de Assistência, Valdecir Machado, estiveram em Brasília, protocolando um documento denunciando o problema e fazendo três pedidos básicos ao  Presidente Michel Temer e ao Ministro Fernando Coelho Filho, das Minas e Energia: 1)Suspensão dos pagamentos dos juros mensais que a Eletronuclear paga ao BNDES; 2)Cumprimento dos termos de compromisso com os três municípios e 3) Conclusão da Usina Angra 3.

O site Petronotícias entrevistou Casé, que não está nada satisfeito com a situação:

– A cidade precisa receber as contrapartidas acertadas nos termos de compromisso, mas a empresa precisa estar saudável para funcionar para operar e fazer os pagamentos. Neste momento, ter que pagar mensalmente  milhões de reais para o BNDES de um financiamento em que a obra está parada, não me parece lógico – disse o prefeito de Paraty.

Casé, que deu a entrevista antes da viagem, informou que, além de protocolar um documento na Presidência da República, pedindo a interrupção do pagamento de juros ao BNDES, vai a outros órgãos públicos: “vamos na Câmara, no Senado. Vamos também ao BNDES. A insensibilidade tem que acabar. O comprometimento orçamentário da Eletronuclear, pelo que temos conhecimento, compromete, inclusive, o pagamento do combustível nuclear para operar as duas primeiras usinas. Se não pagar a INB, não haverá combustível e não haverá geração.  Será que isso não irá sensibilizar quem precisa se sensibilizar?”, afirma.

O site também entrevistou o deputado federal Wilson Bezerra, que vai liderar uma frente parlamentar na Câmara Federal, para defender os interesses da Eletronuclear.

– Vou conversar com os deputados e vamos formar uma frente parlamentar para cuidar deste problema. Vou falar diretamente com o presidente da Câmara, o Deputado Rodrigo Maia, para colocar na pauta como prioridade o assunto Eletronuclear, a INB e a conclusão da Usina Nuclear Angra 3 – disse o parlamentar.

O site perguntou que ações Wilson Bezerra pretende adotar:

– Nós temos que discutir e agir rapidamente. Hoje mesmo já estarei pedindo uma audiência com o presidente do BNDES para tratarmos do pagamento dos juros da dívida da empresa. Angra 1  e Angra 2, são usinas superavitárias.  Mas as obras de Angra 3, paradas há tanto tempo, não justificam que a empresa pague ainda mais por isso. O caso precisa de uma  solução. E rápida – respondeu.

Petronotícias: Os prefeitos da região também estão mobilizados e estarão em Brasília para isso.

Wilson Bezerra: Todas as cidades da Costa Verde do Rio de Janeiro sofreram e ainda estão sofrendo com o índice de desemprego, do aumento da violência. A Eletronuclear não é uma empresinha. Ela é estratégica para o país. Além disso, a sua função social é imensa. As dificuldades estão consumindo os recursos da empresa. Não é justo que ela pague os juros justamente para o BNDES,  que sabe que as obras estão nesse compasso de espera. O banco sabe do desequilíbrio financeiro em razão das obras paradas. Precisamos salvar a empresa.

Petronotícias: Como o senhor acha que o assunto terá o apoio do Deputado Rodrigo Maia ?

Wilson Bezerra: Com certeza ele nos apoiará, porque sabe da importância que a Eletronuclear tem para o Brasil e especialmente para o Estado do Rio de Janeiro e para as cidades vizinhas. Vamos levar os prefeitos das cidades na Câmara, vamos nos mobilizar porque não se pode esperar mais. A cada dia, a situação piora.

Petronotícias: Como o senhor vê a formação de parcerias internacionais para terminar Angra 3?

Wilson Bezerra: Com bons olhos. Sei do interesse dos russos, franceses e chineses. Não é para vender a empresa, mas formar uma parceria estratégica para esta e para as outras usinas nucleares. Precisamos disso. Precisamos viabilizar logo estas parcerias, até mesmo para dar suporte ao nosso plano energético.


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Um comentário

  1. O banco precisa receber para reinvestir,isso está igual ao fies mais de 40% não pagam e prejudica quem está querendo fies nas faculdades.

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