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Fábrica em Barra do Piraí teria rendido R$ 27,5 milhões em propina para Cabral

Matéria publicada em 21 de maio de 2017, 17:29 horas

 


Em delação premiada, Ricardo Saud garante que não tratou ‘um centavo com Pezão’

Barra do Piraí – Uma negociação, que permitiu a Vigor Alimentos (controlada pela JBS) assumir a indústria de laticínios que estava sendo construída pela BRF em Barra do Piraí, teria rendido ao ex-governador Sérgio Cabral R$ 27,5 milhões em propina. Ricardo Saud, então diretor de relações institucionais do grupo, fez a revelação em processo de delação premiada.

O dinheiro teria sido usado na campanha de eleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e também de deputados ligados ao grupo político de Cabral. Com um detalhe: Saud disse que jamais tratou do assunto com Pezão.

“Não posso ser injusto com o Pezão. Eu tive com Pezão algumas vezes e nunca tratei… Até porque eu não consigo… Eu não tratei um centavo com Pezão. Pode ter acareação também, porque eu nunca tratei nada com ele”, disse Saud.

A fábrica começou a ser construída pelo grupo BRF em 2011, com terreno doado e incentivo fiscais garantidos pelo governo do estado. No entanto, as obras pararam quando a unidade estava praticamente pronta. Foi quando Saud se encontrou com Sérgio Cabral para negociar a cessão da fábrica para a JBS. Pelo contrato assinado entre Estado e a BRF, havia um prazo para a fábrica entrar em funcionamento. Como a obra parou, Cabral retirou a BRF do negócio e colocou no lugar a Vigor.

Como a fábrica estava praticamente pronta, Saud e Cabral negociaram o valor da propina como “pagamento”. Antes da delação, acreditava-se que a Vigor teria ganhado literalmente o terreno e as obras quase concluídas. Mesmo com o pagamento da propina, Saud disse que foi um dos melhores negócios já fechados pelo grupo.

“Tinha uma fábrica pronta lá numa área maravilhosa de 400 mil metros quadrados e já tinha entre 18 e 19 mil metros construída. Isso estava pronto lá já fazia mais de dois anos, ia fazer três anos, em Piraí (Barra do Piraí). Gerou uma expectativa muito grande no Estado”, disse ele na delação.

Questionado se a fábrica estava parada, Saud explicou:

Pergunta: Essa fábrica? Estava parada?

“Parada. Uma fábrica novinha, já com uma parte de equipamento montada e começando a deteriorar com o tempo. Essa fábrica era da BR Food. E a BR Food tinha um prazo, porque ela ganhou um incentivo muito grande do estado do Rio e ganhou uma área de 400 mil metros. E na lei falava que se não fosse construída e posto em funcionando num prazo x, o estado poderia pedir pra trás essa fábrica e doar a quem de direito interessava. Eu fui no Sérgio Cabral, falei: ‘Pô, Sérgio, essa fábrica aí pra nós é tudo, Uma fábrica pronta dessa! Em seis meses…’”, explicou.

A partir daí, Cabral fez o decreto retirando a BRF do negócio e passou tudo para a JBS. Em troca, teria recebido os R$ 27,5 milhões.

3 comentários

  1. Esse Cabral é um ladrão compulsivo.
    Quando ele morrer o diabo vai vim pessoalmente buscar a alma dele!!!

  2. Ué, não explica por que a BRF não pôs a fábrica para funcionar.

    Tem mais mutreta aí com desses canalhas em cargo público com a ajuda dos eleitores do PMDB.

    • Existe uma determinada delação bombástica relacionada ao governo do estado, diante de uma determinada operação. E por que será que até agora nem cheiro de publicação?

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