ÔĽŅ Argentinos se mobilizam para vota√ß√£o amanh√£ da Lei do Aborto - Di√°rio do Vale
terça-feira, 14 de agosto de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Internacional / Argentinos se mobilizam para votação amanhã da Lei do Aborto

Argentinos se mobilizam para votação amanhã da Lei do Aborto

Matéria publicada em 12 de junho de 2018, 08:21 horas

 


Buenos Aires – Milhares de argentinos – contra e a favor da legaliza√ß√£o do aborto – est√£o se mobilizando nas ruas e nas pra√ßas – para a vota√ß√£o de um projeto de lei, nesta¬†quarta-feira (13), que divide opini√Ķes. Atualmente, a Argentina permite interromper a gravidez apenas em casos de estupro e de risco para a vida ou a sa√ļde da m√£e. J√° houve v√°rias tentativas, no passado, de dar √† mulher o direito de decidir o que fazer com o pr√≥prio corpo ‚Äď mas o tema pol√™mico, no pa√≠s de maioria cat√≥lica, tem sido evitado por todos os governos at√© agora.

Na Argentina ocorrem 500 mil abortos clandestinos por ano ‚Äď 60 mil acabam dando complica√ß√Ķes e terminam em interna√ß√Ķes. ‚ÄúOs n√ļmeros demonstram que, apesar da proibi√ß√£o, as mulheres continuam abortando. Quem √© de classe m√©dia e vive na capital pode dar um jeito, sem correr risco de vida‚ÄĚ, disse a jornalista e ativista Mariana Carbajal. ‚ÄúMas, para as pessoas de baixo recursos ou que vivem no interior, n√£o¬†ter¬†acesso a uma clinica, onde possa abortar legalmente, representa um risco de vida. Ignorar isso √© ignorar a realidade‚ÄĚ.

A Argentina foi pioneira na legaliza√ß√£o do casamento entre pessoas do mesmo sexo e na aprova√ß√£o de uma lei que permite aos transexuais escolher o nome e g√™nero que querem colocar no documento de identidade. Mas, por raz√Ķes pessoais, religiosas e pol√≠ticas, os presidentes argentinos t√™m evitado abrir um debate sobre o aborto. Isso mudou em mar√ßo.

Uma nova gera√ß√£o de feministas iniciou campanha, improvisando protestos nas pra√ßas e ruas do pa√≠s. A imagem de milhares de jovens, sacudindo len√ßos verdes ‚Äď s√≠mbolo da luta pelo aborto ‚Äď foi capa dos jornais e se multiplicou nas redes sociais. Em discurso no Congresso, o presidente Mauricio Macri surpreendeu os argentinos, ao apoiar o in√≠cio de um debate que, segundo ele, ‚Äútinha sido postergado durante os √ļltimos 35 anos‚ÄĚ.

Na¬†quarta-feira, a C√Ęmara dos Deputados votar√° o projeto de lei, que legaliza o aborto at√© as 14 semanas. Depois disso, a gravidez s√≥ poder√° ser interrompida em casos de estupro, se representar um risco para a vida e a sa√ļde da m√£e, e tamb√©m se o feto tiver alguma malforma√ß√£o, ‚Äúincompat√≠vel com a vida extrauterina‚ÄĚ. Os m√©dicos¬†ter√£o o direito de se negar a praticar abortos, por quest√Ķes de consci√™ncia, mas nesse caso os centros de sa√ļde precisam providenciar suficientes profissionais que possam realizar a opera√ß√£o e cumprir a lei.

¬†Inicialmente, o projeto de lei s√≥ tinha o apoio de 70 deputados, mas √† medida que foi ganhando espa√ßo, surgiram os protestos das organiza√ß√Ķes pr√≥-vida. Marina Lampeduza, estudante de medicina, participou de uma marcha contra o aborto, vestindo a bandeira argentina. ‚ÄúEstamos defendendo duas pessoas, a m√£e e a crian√ßa, que est√° por nascer e n√£o tem ningu√©m para falar por ela‚ÄĚ, disse. ‚ÄúAcho que o aborto n√£o √© a solu√ß√£o. O Estado deveria investir em educa√ß√£o e em pol√≠ticas de apoio √†s mulheres que engravidaram sem querer, ou porque foram estupradas, e financiar programas de ado√ß√£o‚ÄĚ, acrescentou.

Organiza√ß√Ķes de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e as M√£es da Pra√ßa¬†de Maio¬†(que buscam seus filhos desaparecidos na ditadura), tamb√©m se somaram √† campanha em favor do aborto. J√° as organiza√ß√Ķes pr√≥-vida contam com o apoio do Vaticano.

Ativistas, representando essas duas vis√Ķes opostas, est√£o se preparando para uma vig√≠lia na pra√ßa em frente ao Congresso. O projeto de lei come√ßa a ser votado na¬†quarta-feira, mas o processo deve ser longo e as previs√Ķes s√£o de que termine no dia seguinte. Mesmo se for aprovada, a legisla√ß√£o¬†ter√° que ser submetida ao Senado, considerado mais conservador que a C√Ęmara dos Deputados.

6 coment√°rios

  1. “Onde Deus √© exclu√≠do, a lei da organiza√ß√£o criminal toma seu lugar, n√£o importa se de forma descarada ou sutil. Isto come√ßa a tornar-se evidente ali onde a elimina√ß√£o organizada de pessoas inocentes – ainda n√£o nascidas – se reveste de uma apar√™ncia de direito, por ter a seu favor a prote√ß√£o do interesse da maioria” CARD. JOSEPH RATZINGER

  2. Aborto √© crime…

  3. ESTAMOS CHEGANDO A ERA DA EXTIN√á√ÉO HUMANA ESSAS E MUITAS OUTRAS ID√ČIAS POL√äMICAS E RADICAIS SURGIR√ÉO.E O EXTINTO DE SOBREVIV√äNCIA HUMANA N√ÉO HAVER√Ā LUGAR PRA TODOS NA ARCA.ACHO QUE TODOS N√ďS J√Ā PERCEBERMOS QUE EST√Ā CADA VEZ MAIS DISPUTADO UM LUGAR AO SOL.

  4. Acho que já deveria ser legalizado a muito tempo só no Brasil seriam milhares de vagabundos marginais a menos nas ruas pois o sexo já foi banalizado a muito tempo.Em 20 anos teremos uma população igual ou maior que a dos EUA frente a uma economia igual a Venezuelana.Muita gente e pouco pão será o holocausto.

  5. O len√ßo verde √© hist√≥rico, representava o direito ou o clamor das ‘loucas de Maio’, as m√£es que perderam seus filhos no tempo da ditadura…. Agora elas o usam para que exista o direito de perder seus pr√≥prios filhos, que ainda est√£o em gesta√ß√£o!!! √Č inacredit√°vel qu√£o baixo pode chegar o ser humano, n√£o √©?!
    Trata-se, exatamente, de destruir crian√ßas…. A defesa do aborto diz que a mulher tem direito ao seu pr√≥prio corpo, isso √© um sofisma, pois o corpo que est√° sendo destru√≠do n√£o √© o dela, √© o da crian√ßa!
    Como diria Boris Casoy: “Isso √© uma vergonha!”…

    • O aborto envolve sa√ļde, √©tica, religi√£o, pol√≠tica e tabus…. Legalizar √© colocar o Estado no controle, √© prover procedimentos seguros para a mulher, √© obter estat√≠sticas precisas para definir politicas sociais. A Fran√ßa liberou o aborto a mais de 40 anos, a Irlanda pa√≠s de forte influ√™ncia cat√≥lica legalizou o aborto esse ano. Nossos vizinhos sulamericanos ao menos est√£o na vanguarda da discuss√£o de temas que s√£o tabus para a sociedade brasileira como a maconha no Uruguai e o aborto na Argentina. O Brasil mesmo admitindo todos os malef√≠cios do cigarro conseguiu com campanhas publicit√°rias uma grande redu√ß√£o no consumo prova que √© preciso o Estado ter controle.

Untitled Document