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Argentinos se mobilizam para votação amanhã da Lei do Aborto

Matéria publicada em 12 de junho de 2018, 08:21 horas

 


Buenos Aires – Milhares de argentinos – contra e a favor da legalização do aborto – estão se mobilizando nas ruas e nas praças – para a votação de um projeto de lei, nesta quarta-feira (13), que divide opiniões. Atualmente, a Argentina permite interromper a gravidez apenas em casos de estupro e de risco para a vida ou a saúde da mãe. Já houve várias tentativas, no passado, de dar à mulher o direito de decidir o que fazer com o próprio corpo – mas o tema polêmico, no país de maioria católica, tem sido evitado por todos os governos até agora.

Na Argentina ocorrem 500 mil abortos clandestinos por ano – 60 mil acabam dando complicações e terminam em internações. “Os números demonstram que, apesar da proibição, as mulheres continuam abortando. Quem é de classe média e vive na capital pode dar um jeito, sem correr risco de vida”, disse a jornalista e ativista Mariana Carbajal. “Mas, para as pessoas de baixo recursos ou que vivem no interior, não ter acesso a uma clinica, onde possa abortar legalmente, representa um risco de vida. Ignorar isso é ignorar a realidade”.

A Argentina foi pioneira na legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e na aprovação de uma lei que permite aos transexuais escolher o nome e gênero que querem colocar no documento de identidade. Mas, por razões pessoais, religiosas e políticas, os presidentes argentinos têm evitado abrir um debate sobre o aborto. Isso mudou em março.

Uma nova geração de feministas iniciou campanha, improvisando protestos nas praças e ruas do país. A imagem de milhares de jovens, sacudindo lenços verdes – símbolo da luta pelo aborto – foi capa dos jornais e se multiplicou nas redes sociais. Em discurso no Congresso, o presidente Mauricio Macri surpreendeu os argentinos, ao apoiar o início de um debate que, segundo ele, “tinha sido postergado durante os últimos 35 anos”.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados votará o projeto de lei, que legaliza o aborto até as 14 semanas. Depois disso, a gravidez só poderá ser interrompida em casos de estupro, se representar um risco para a vida e a saúde da mãe, e também se o feto tiver alguma malformação, “incompatível com a vida extrauterina”. Os médicos terão o direito de se negar a praticar abortos, por questões de consciência, mas nesse caso os centros de saúde precisam providenciar suficientes profissionais que possam realizar a operação e cumprir a lei.

 Inicialmente, o projeto de lei só tinha o apoio de 70 deputados, mas à medida que foi ganhando espaço, surgiram os protestos das organizações pró-vida. Marina Lampeduza, estudante de medicina, participou de uma marcha contra o aborto, vestindo a bandeira argentina. “Estamos defendendo duas pessoas, a mãe e a criança, que está por nascer e não tem ninguém para falar por ela”, disse. “Acho que o aborto não é a solução. O Estado deveria investir em educação e em políticas de apoio às mulheres que engravidaram sem querer, ou porque foram estupradas, e financiar programas de adoção”, acrescentou.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e as Mães da Praça de Maio (que buscam seus filhos desaparecidos na ditadura), também se somaram à campanha em favor do aborto. Já as organizações pró-vida contam com o apoio do Vaticano.

Ativistas, representando essas duas visões opostas, estão se preparando para uma vigília na praça em frente ao Congresso. O projeto de lei começa a ser votado na quarta-feira, mas o processo deve ser longo e as previsões são de que termine no dia seguinte. Mesmo se for aprovada, a legislação terá que ser submetida ao Senado, considerado mais conservador que a Câmara dos Deputados.


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6 comentários

  1. “Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes – ainda não nascidas – se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria” CARD. JOSEPH RATZINGER

  2. Aborto é crime…

  3. ESTAMOS CHEGANDO A ERA DA EXTINÇÃO HUMANA ESSAS E MUITAS OUTRAS IDÉIAS POLÊMICAS E RADICAIS SURGIRÃO.E O EXTINTO DE SOBREVIVÊNCIA HUMANA NÃO HAVERÁ LUGAR PRA TODOS NA ARCA.ACHO QUE TODOS NÓS JÁ PERCEBERMOS QUE ESTÁ CADA VEZ MAIS DISPUTADO UM LUGAR AO SOL.

  4. Acho que já deveria ser legalizado a muito tempo só no Brasil seriam milhares de vagabundos marginais a menos nas ruas pois o sexo já foi banalizado a muito tempo.Em 20 anos teremos uma população igual ou maior que a dos EUA frente a uma economia igual a Venezuelana.Muita gente e pouco pão será o holocausto.

  5. O lenço verde é histórico, representava o direito ou o clamor das ‘loucas de Maio’, as mães que perderam seus filhos no tempo da ditadura…. Agora elas o usam para que exista o direito de perder seus próprios filhos, que ainda estão em gestação!!! É inacreditável quão baixo pode chegar o ser humano, não é?!
    Trata-se, exatamente, de destruir crianças…. A defesa do aborto diz que a mulher tem direito ao seu próprio corpo, isso é um sofisma, pois o corpo que está sendo destruído não é o dela, é o da criança!
    Como diria Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

    • O aborto envolve saúde, ética, religião, política e tabus…. Legalizar é colocar o Estado no controle, é prover procedimentos seguros para a mulher, é obter estatísticas precisas para definir politicas sociais. A França liberou o aborto a mais de 40 anos, a Irlanda país de forte influência católica legalizou o aborto esse ano. Nossos vizinhos sulamericanos ao menos estão na vanguarda da discussão de temas que são tabus para a sociedade brasileira como a maconha no Uruguai e o aborto na Argentina. O Brasil mesmo admitindo todos os malefícios do cigarro conseguiu com campanhas publicitárias uma grande redução no consumo prova que é preciso o Estado ter controle.

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