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As estranhas luas de Saturno

Matéria publicada em 12 de julho de 2018, 07:06 horas

 


Estudo mostra porquê os astros tem formas de batata, ravióli e pão

Saturno, o planeta dos anéis, brilha no nosso céu nas noites estreladas do inverno. A olho nu é apenas uma estrela amarelada, que perde para o brilho do vizinho Júpiter. Com um pequeno telescópio dá para ver os anéis, que fazem de Saturno a joia do Sistema Solar. Mas as maiores maravilhas de Saturno só foram reveladas pelas sondas espaciais, como a Cassini, que orbitou o planeta durante dez anos. Saturno tem cerca de 62 luas mais importantes, que receberam nomes de divindades da mitologia grego romana e uma infinidade de pequenos satélites que são conhecidos por números.

Colisão: Choque fez Atlas parecer um ravióli.

As luas menores, com tamanhos que variam de dez a cem quilômetros, ficam perto do imenso sistema de anéis, e exibem formas bizarras, como Atlas, uma lua que parece um ravióli; ou Prometeu, que parece um pãozinho; e Pan, que lembra um daqueles salgadinhos vendidos nos bares. Uma simulação em computador, feita pela universidade de Berna, na Suíça, revelou que essas luas se formaram da colisão entre dois corpos menores. Ouvido pelo site Space.com o cientista, Adrien Leleu explicou que além das colisões as formas bizarras são provocadas pela imensa força gravitacional de Saturno, um planeta 95 vezes mais maciço do que a Terra.

Como os anéis do planeta, que são formados por milhões de partículas de gelo, a maior parte dessas luas menores é feita de material gelado. E elas orbitam Saturno a uma distancia que é menos da metade da que separa a Terra da nossa Lua. Isso provoca intensas marés gravitacionais que esticam e puxam esses corpos celestes como se eles fossem massa nas mãos de um padeiro.

Estranhas: Atlas e Pan parecem salgadinhos

Geralmente os corpos celestes, como planetas e luas, se formam por um processo de acreção. Corpos menores vão se juntando devido à força de gravidade até formar um corpo maior. Quanto maior o planeta ou lua maior a sua força de gravidade e mais objetos ele atrai. É o caso de Júpiter que até hoje, bilhões de anos depois de sua formação, ainda é bombardeado por cometas e asteroides atraídos por sua gravidade. Outro caso é o planeta Urano, que gira no espaço tombado de lado. Estudos recentes mostram que ele foi atingido por um corpo celeste duas vezes maior do que a Terra há bilhões de anos.

No caso das luas de Saturno a gravidade do planeta impede que elas se formem pelo processo clássico de fusão de centenas de corpos menores. Elas ganharam suas formas estranhas depois de uma ou duas colisões entre pequeninas luas. As colisões frontais levaram as formas estranhas de panquecas, pães e raviólis. Estudos anteriores mostraram que um fenômeno semelhante acontece com cometas cujos núcleos sofreram colisões. Como as pequenas luas de Saturno, o núcleo dos cometas também é feito de gelo e neve de várias densidades diferentes.

Essas colisões, além de produzirem uma forma achatada, criam uma crista nas bordas, semelhante a que existe nas beiradas de uma empada. Essa crista aparece até em luas maiores, como Iapeto, que tem 1400 quilômetros de diâmetro. Iapeto tem um lado branco, coberto de neve e outro lado escuro, coberto por uma substancia que parece fuligem. É possível que esta lua, que parece o símbolo oriental do yin e yang, tenha se formado quando duas luas, uma branca e outra escura se chocaram e se fundiram. O que produziu a chamada cordilheira equatorial, que circunda este estranho mundo.

Estudos como este ajudam os astrônomos a entenderem melhor como os planetas e luas se formaram, a partir do colapso de uma nuvem de gás e poeira cósmica. A pesquisa dos astrônomos suíços foi publicada no último número da revista Nature.

Por: Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

3 comentários

  1. Quem fez a matéria estava com fome. Compara todas as luas com formato de comida kkk

  2. Joana D'Arc dos Santos Barroso

    Sempre pensei que fossem redondas como a nossa Lua. É essa diversidade de formas que torna tudo muito mais maravilhoso. Boa matéria. Parabéns!

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