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Bombeiros fazem rescaldo de escombros de prédio que pegou fogo em São Paulo

Matéria publicada em 1 de maio de 2018, 15:20 horas

 


São Paulo – O Corpo de Bombeiros está fazendo o rescaldo dos escombros do edifício que desabou, após pegar fogo na madrugada de hoje (1º), no centro da capital paulista. O levantamento também está sendo realizado em um prédio vizinho que também foi atingido pelas chamas. Por vezes, a fumaça volta a sair dos escombros com forte intensidade. No prédio vizinho, é possível perceber que pequenos focos de incêndio ainda persistem. A edificação está com rachaduras em sua lateral. As informações são da Agência Brasil.

Até o momento, os bombeiros só confirmam a morte de uma pessoa, que estava sendo resgatada no momento do desabamento. Parte dos moradores do prédio estão, junto com familiares e amigos, aglomerados em frente a igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu.

Elaine de Oliveira, moradora do prédio há mais de dois anos, estava com o marido e duas filhas, de dez e de dois anos, no momento em que o incêndio teve início. Segundo ela, as chamas começaram no quinto andar, o mesmo onde ela morava.

“Não sei bem a hora, era depois da meia-noite. Escutei algo como uma explosão e depois só os gritos de fogo, desce, desce”, disse Elaine, que perdeu tudo que tinha no incêndio. Ela estava descalça, com a roupa de dormir em frente a igreja do largo.

Elaine, de 32 nos, contou que sua maior preocupação é com seus remédios controlados e com um balão de oxigênio que ela usava devido a problemas de saúde. “Fiquei um tempão para conseguir os remédios de graça, agora perdi tudo. Nenhum documento consegui salvar”. Até o momento da entrevista, por volta das 8h45, ela não tinha sido contatada por nenhuma órgão oficial.

Alexandro da Conceição, morador há três meses do edifício, estava dormindo quarto andar na hora em que o fogo teve início. Ele contou que pagava um aluguel de R$ 150 para morar no local, e que nunca havia percebido falhas na estrutura do prédio.

“Era pouco, mas eu pagava direitinho. Sou pedreiro e nunca tinha percebido qualquer problema na estrutura do prédio”, disse Alexandro, que vivia no local com a esposa e a filha. Ele contou ainda que tinha sido cadastrado pela prefeitura há uns três meses, mas que, depois disso, não foi mais contatado. “Agora quero encontrar um lugar para levar minha família”.

O fogo começou por volta das 1h30 no 5º andar, espalhando-se rapidamente até o desabamento do prédio, que ocorreu por volta das 3 horas. O local abrigava a antiga superintedência da Polícia Federal em São Paulo, localizada na avenida Rio Branco, na região do Largo do Paissandu.

O Corpo de Bombeiros atendeu ao chamado pouco depois do início do incêndio, que também atingiu o prédio ao lado e uma igreja luterana inaugurada em 1908. As equipes de resgate, com mais de 160 bombeiros e 57 viaturas, Defesa Civil, Polícia Militar e equipes do Samu, iniciaram os trabalhos de resgate no início da manhã, sendo confirmado até o momento, a morte de uma pessoa que tentava ser socorrida no momento do desabamento do prédio.

A Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo informou que havia 92 famílias cadastradas no prédio, totalizando 248 pessoas. As vítimas serão encaminhadas a um centro de acolhimento. Segundo os bombeiros, são mais de 160 homens trabalhando no combate às chamas e 57 viaturas estão no local. Um helicóptero também ajuda na ocorrência. Equipes do Samu, da Defesa Civil, da Companhia de Engenharia de Tráfego e da Polícia Militar trabalham no local.

“Em um primeiro momento, vamos levar as famílias para um local de amparo, acalmá-las e alimentá-las. Depois disso, a Secretaria de Habitação fará o atendimento”, disse o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo.

Após controlar incêndio, bombeiros fazem rescaldo no prédio (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Após controlar incêndio, bombeiros fazem rescaldo no prédio (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Antiga sede da PF

O edifício Wilton Paes de Almeida é um prédio de 24 andares e dois patamares de sobreloja, com 11 mil metros quadrados, localizado na esquina da Rua Antônio de Godoy com a Avenida Rio Branco, no Largo do Payssandu.  O prédio foi sede histórica da Polícia Federal na capital durante 20 anos, com grandes casos de repercussão nacional.

No edifício, ficou preso por algumas horas o argentino Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, no fim da ditadura militar. Também ficou detido o chefe da Máfia da Itália Tommaso Buscetta, após ser preso no Morumbi. Em 1985, o então chefe da PF, delegado Romeu Tuma, comandou do local as investigações para a identificação da ossada do nazista Josef Mengele, o chamado “anjo da morte” de Hitler.

O local estava em avançado processo de degradação. As salas, que antes eram departamentos da PF, se tornaram moradias separadas por madeira. A fachada tinha várias vidraças quebradas, com luz e água foram cortadas.

O comando do Corpo de Bombeiros divulgou que o estado precário da estrutura do prédio, como a retirada dos elevadores contribuíram para a propagação do incêndio, já que o fosso livre serviu como uma chaminé para o material inflável, como papelão e botijão de gás presentes nas moradias.

Escombros

A Prefeitura de São Paulo estimou em uma semana o trabalho de retirada dos escombros. Três quarteirões na região central de São Paulo estão interditadas para os trabalhos. Cães farejadores estão no local para busca por possíveis vítimas.

O segundo prédio atingido pelo incêndio foi evacuado e não corre risco de desabamento. Parte do teto da igreja Luterana, a primeira em estilo neogótica na capital, desabou e que também tinha orgão de tubos alemão e vitrais da mesma oficina do Teatro Municipal.

A Prefeitura de São Paulo informou que engenheiros e técnicos da Defesa Civil estão no local para avaliar os danos causados aos imóveis vizinhos. A CET organiza os bloqueios de trânsito na região. A companhia ainda informará detalhes sobre o esquema de interdição que funcionará a partir de amanhã.

Histórico

A Secretaria Municipal de Habitação atuava na ocupação do edifício por meio do grupo de Mediação de Conflitos, uma vez que no local estava prevista uma reintegração de posse movida pela Secretaria de Patrimônio da União. Uma vez desocupado, o imóvel seria cedido à prefeitura.

A Secretaria de Habitação realizou seis reuniões com as lideranças da ocupação, entre fevereiro e abril, para esclarecer a necessidade de desocupação do prédio, devido ao risco e à ação judicial.

No dia 10 de março, a secretaria cadastrou cerca de 150 famílias, com 400 pessoas, ocupantes do prédio. Desse total, 25% são famílias estrangeiras. Esse cadastro foi feito para identificar a quantidade de famílias, o grau de vulnerabilidade social e a necessidade de encaminhamento das famílias à rede socioassistencial.

A Prefeitura de São Paulo estima em cerca de 70 prédios ocupados na região central com aproximadamente 4 mil famílias. Trata-se de uma estimativa, uma vez que, em sua maioria, são prédios particulares. Nestes casos, cabe ao proprietário ações junto à justiça e às lideranças da ocupação.

A Secretaria Municipal de Habitação criou, em 2017, um Núcleo de Mediação de Conflitos, que monitora 206 ocupações em toda a cidade, com cerca de 46 mil famílias. Desse total, 25% da atuação do grupo ocorre em ocupações na região central,  com 3.500 famílias. Para essas ocupações, o grupo atua no sentido de buscar uma solução conciliada com a desocupação voluntária e sem confronto.

Incêndios em São Paulo

Dois grandes incêndios em edifícios marcaram a cidade de São Paulo. O primeiro, em 24 de fevereiro de 1972, o Edifício Andraus, na Avenida São João, também na região central da capital paulista, causou a morte de 16 pessoas e 330 feridos. A causa do incêndio foi um problema de sobrecarga na instalação elétrica no segundo andar do prédio.

O segundo ocorreu em 1° de fevereiro de 1974. O Edifício Joelma, um prédio de 21 andares localizado na região da Praça da Bandeira, centro da cidade, foi destruído pelo fogo que começou em um aparelho de ar condicionado no 12˚ andar. Em consequência do incêndio, 188 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.


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9 comentários

  1. OBRAS DA CASA DOS IDOSOS NO BAIRRO BELMONTE QUE FORAM GASTOS DE MILHÕES ESTA INVADIDA A TEMPO E O PREFEITO AINDA NÃO RESOLVEU TIRAR ESTE POVO DE LA , QUE ISTO SIRVA DE EXEMPLOS PARA ESTES APOIADERS DE INVASÃO DE OBRAS DA PREFEITURA, NOS ESTAMOS PRECISANDO DE UMA ESCOLA PRÉ NESTE LOCAL POIS TEMOS QUE LEVAR NOSSOS FILHOS NO SIDERLANDIA QUE É O MAIS PERTO DE NOS, AQUI JA FORAM CONTRUIDAS DUS VILAS DE CASAS E NEM UMA ESCOLA PARA AS CRIANÇAS, ,

  2. É irresponsabilidade desses ‘movimentos sociais’ colocar dezenas, centenas de famílias desvalidas, que não tem onde morar, criar seus filhos, em estruturas visivelmente condenadas, sem nenhuma segurança, isso é jogar com a vida das pessoas por benefícios políticos(politicalha como diria Ruy Barbosa), em nome de um projeto que é político desses movimentos… então, é um tipo de crime que tem vários culpados e que ninguém assume a responsabilidade!
    Como diria Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”….

  3. Maldita herança petralha, esses bandidos terroristas continuam na criminalidade, além de saquearem o Brasil, invadem prédios públicos e loteiam, onde cobram aluguéis de vagabundos, que querem morar no centro para pedir esmolas, traficar, roubar quem transitam por ali. Na minha humilde opinião, quem for o novo presidente do Brasil, terá de ser austero e com muita disposição, pois terá de identificar todos esses bandidos que lideram esses movimentos e prender. A união deveria se desfazer de todos os patrimônios abandonados, pois não consegue administrar tamanho número de imóveis, o que virá alvo dos vagabundos petralhas. Os grandes centros urbanos não conseguem mais absorver Empresas grandes, então tem que interiorizar, acabar com esses sindicatos que não fazem nada, a não ser roubar e enganar trabalhadores.

    • Plinio Marques Marques

      Perfeito comentário. Esses coordenadores de “movimentos sociais” como p,ex LMD: Luta por Moradia Digna cobram uma “taxa de manutenção”, porém, de acordo com relatos dos desabrigados pelo incêndio, eles cobram aluguel que varia de 200 a 500 reias. Isso inclusive foi matéria do Profissão Repórter de 2013. Dito isso, a esquerdopatia cronica se assemelha as milícias do Rio, só que tem o apoio da mídia e ONGs, na verdade, se utilizam da desgraça alheia como massa de manobra para interesses ocultos. Pobre Brasil. O que desabou foi a hipocrisia da esquerda.

  4. um predio que nao foi construido pra moradia..e ainda foi invadido e largado…tava na cara que isso iria acontecer

  5. Dados oficiais apontam várias falhas no edifício. Se já sabiam disso porque não tomaram alguma atitude antes? Agora queridos a caiu e muita famílias que viviam perderam o pouco que tinham e principalmente perderam o pouco de dignidade que ainda restava. Agora o que será deles? Serão lembrados até uma notícia mais interessante aparecer. Aqui no Brasil é assim.

  6. O MST invade qqr cortiço e chama de lar. Depois que acontece tragédias do tipo diz q não incitou invasões. O “m” da sigla deve ser de máfia. Bolsonaro 2018.

  7. Aqui em volta redonda. Olha o edificio redondo na paulo de frontin esta totalmente abandonado cuidado poder publico.

    • Vc tem toda razão, edifício redondo é tragédia anunciada, aliás toda aquela área próxima dele, é nojenta. Patrimônio histórico deve ser mantido, quando não oferece riscos, porque não fotografam, fazem vídeos e coloca tudo no chão, e no local poderão construir um prédio no modelo do Plaza.

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