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Desatenção e imprudência são maiores causas de acidentes em linhas férreas

Matéria publicada em 18 de março de 2017, 14:30 horas

 


Enquanto em números gerais no país houve queda nas ocorrências, região registra alta

Sul Fluminense – A cena descrita a seguir aconteceu no dia 10 de março, às 19h49, na passagem de nível Tiradentes, em Barra do Piraí. Um trem se aproxima, a cancela baixa e sinais luminosos de alerta começam a funcionar. Mesmo assim, quatro pessoas e uma moto se apressam a atravessar a linha. Por último, um senhor corre com mesmo objetivo, mas no meio da travessia tropeça e cai. Ele termina o restante do percurso engatinhando e apenas 10 segundos após concluir a manobra arriscada a locomotiva passa.

O flagrante foi captado pelas câmeras da MRS Logística, que administra uma das malhas que corta a região. Em dados de 2016, a MRS aponta que aconteceram 94 acidentes ao longo da malha sob sua administração, que corta 105 municípios. Uma redução de 20% em relação às 118 ocorrências registradas em 2015, No entanto, quando se leva em conta apenas o trecho entre o Médio Paraíba e Costa Verde, houve aumento dos casos: foram 18 em 2015 e pelo menos 23 no ano passado.

Mangaratiba, com seis ocorrências, foi o destaque negativo. Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral tiveram três casos cada uma. Barra do Piraí teve dois acidentes, assim como Três Rios. Valença teve um registro e Paraíba do Sul também três. Resende e Itatiaia não registraram acidentes.

Imprudência aumenta

Ao todo, são 1.123 passagens em nível. Do total de acidentes, segundo a empresa, 87% aconteceram por imprudência. Outros 10% aconteceram por suicídio e 2% por abuso de álcool ou outras drogas. Outras causas representam 1% dos acidentes. Com um detalhe: de acordo com a MRS, 100% das ocorrências foram causadas pelo comportamento de motoristas e pedestres, incluindo aí imprudência, distração e acesso a locais proibidos.

Quando comparados a 2015, os percentuais mostram aumento nos casos de imprudência, que no ano passado representaram 78% dos 118 acidentes. As ocorrências registradas como suicídios ficaram em 12% os acidentes por abuso de álcool e outras drogas representaram 6%.

A assessoria da MRS é taxativa ao analisar os índices: “O que precisamos é que as pessoas assimilem que aquela corridinha para atravessar a linha quando o trem está chegando parece inofensiva, mas se um imprevisto acontece, como um tropeço bem em cima dos trilhos, com o trem a poucos metros de distância, a vida do envolvido estará em jogo”.

Foi o caso do senhor flagrado pelas câmeras da MRS em Barra do Piraí, num caso em que apenas dez segundos fizeram a diferença para um desfecho que poderia ser trágico. Mas poderia ser também acontecer com tantas outras pessoas que se expõem ao mesmo risco.

2017 tem primeiras ocorrências

O ano de 2017 chegou e com ele as primeiras ocorrências de acidentes nas passagens em nível na região. No dia 5 de janeiro deste ano, uma mulher com sinais de embriaguez foi atropelada no trecho perto da Praça da Liberdade. Em Três Rio, um outro veículo atingido em 19 de janeiro.

Orientando: Travessia só deve ser feita em condições totais de segurança e nas passagens em nível (Foto: Paulo Dimas)

Orientando: Travessia só deve ser feita em condições totais de segurança e nas passagens em nível (Foto: Paulo Dimas)

Quem atravessa a linha com frequência relata histórias

O administrador Lucas Andrade mora às margens da linha férrea em Barra Mansa, no bairro Roberto Silveira, região central da cidade, e disse que não tem medo da passagem diária das máquinas devido à sinalização, que segundo ele é sempre bem-feita. Apesar disso, ele contou sobre um episódio que presenciou.

– Quando trabalhava na prefeitura, houve um acidente ali na frente, onde uma mulher atravessou e estava com fone de ouvido e por isso não percebeu a aproximação do trem. Por sorte, ela foi atingida lateralmente e acabou tendo apenas escoriações nos braços e pernas pela queda – afirmou.

Ao ser questionado sobre como ele vê a relação das pessoas com os trens na cidade, ele lembrou a imprudência, principalmente dos motoristas.

– É comum a gente presenciar imprudência dos motoristas, principalmente no trecho da linha férrea que corta o Centro. Eles avançam mesmo com a cancela abaixada – revelou.

A dona de casa Elizangela Santos disse que nunca presenciou nenhum acidente mas os casos em que as pessoas se colocam em risco são frequentes.

– A gente mora aqui perto e é comum ver as pessoas abusando, principalmente os mais jovens. Eles correm para tentar passar antes da passagem do trem e é um risco grande, podem cair e acontecer uma tragédia. Alguns chegam até a pular os vagões que ficam parados – disse ela, acrescentando que é comum ver as pessoas se colocando em situação de risco devido à desatenção, muitas das vezes aliada ao uso do telefone celular.

Em Volta Redonda, por exemplo, J.P.G, de 26 anos, atravessou a linha férrea que separa os bairros Vila Americana e Jardim Amália em local de acesso proibido. Apesar de reconhecer a irregularidade, o homem diz que se sente seguro para caminhar no local. “É mais seguro que andar pelas ruas. Aqui é uma reta e sempre atravesso aqui. Nunca passei nem susto”, disse ele, que pediu para não ter o nome divulgado.

Já a estudante Mariana dos Santos, de 18 anos, afirmou que prefere andar um pouco mais ao atravessar em áreas impróprias. “Venho de Juiz de Fora e lá são muitos os casos. Infelizmente as pessoas não têm consciência disso. Apesar de parecer sempre tudo tranquilo, se você tem um mau súbito na rua, as pessoas chamam por socorro. Se cair desacordado na linha do trem, já era”, disse ela, natural da cidade que mais registra acidentes com trem no Brasil. Somente em 2016 foram 11.

 

Dicas e normas de segurança:

 

  1. Em alguns trechos (como no Sul Fluminense) é muito comum a circulação dos trens em ambos os sentidos, por isso é proibido, e muito perigoso, permanecer entre duas linhas férreas, o pedestre corre o risco de ficar confinado entre dois trens.
  2. Pessoas idosas ou com dificuldade de mobilidade exigem atenção especial.
  3. Crianças não podem brincar na área da ferrovia e devem estar sob supervisão constante de seus responsáveis nas travessias.
  4. Não tente atravessar a linha falando ao celular, checando mensagens ou usando dispositivos de áudio de qualquer tipo. Eles desviam sua atenção da ferrovia.
  5. A área ocupada pela ferrovia e seus arredores é chamada faixa de domínio. Não é permitida a presença de pessoas estranhas à ferrovia nesta área, e a travessia da linha férrea só pode ser realizada em passagens em nível oficiais (para pedestres, veículos ou ambos), por passarelas ou passagens inferiores. É extremamente arriscado atravessar a linha em qualquer outro ponto.
  6. O uso de álcool e drogas tem sido uma causa cada vez mais frequente de acidentes envolvendo pessoas. Em alguns municípios, este índice chega a representar 20% do total de acidentes.
  7. Um trem pesa entre 3.000 toneladas (vazio) e 15.000 toneladas (carregado) e, por isso, pode exigir algo entre 300 e 1.000 metros desde a aplicação do freio de emergência até sua parada completa. Por seu peso, um trem não freia como um automóvel. Por isso, mesmo quando é possível identificar um obstáculo ou pessoa cruzando a linha inadvertidamente, na maioria das vezes não é possível evitar o impacto.
  8. Os trens são dotados de luzes de sinalização, de sinos (acionamento constante quando estão em movimento) e de buzina (acionadas antes das passagens em nível ou em qualquer situação de emergência). É fundamental que as pessoas estejam sempre muito atentas aos sinais sonoros de segurança, não usem telefones ou headphones nas travessias de PNs (passagem em nível) e olhem para ambos os lados ao cruzar a via.

 

7 comentários

  1. “Com um detalhe: de acordo com a MRS, 100% das ocorrências foram causadas pelo comportamento de motoristas e pedestres, incluindo aí imprudência, distração e acesso a locais proibidos.”

    Bem, não dá pra inferir algo como verdadeiro só porque a própria empresa de malhas ferroviárias está dizendo, o que indica que estão correndo da culpa! Mas concordo, sim, que é um acidente totalmente evitável por qualquer pedestre ou veículo rodoviário!

  2. Que matéria mais tendenciosa, sô!

  3. Liberdade e Propriedade

    BM já tem 3 viadutos, a mesma quantidade de pontes sobre o Paraíba, já poderia ter fechado todas as passagens de nível.

    • Pelo mesmo motivo que ocorre em Barra do Piraí, onde há três viadutos (dois no centro, um perto da Barragem e o do anel viário): o trânsito no centro, apertado em ambas as cidades, daria um nó. Fora isso, há passagens de nível nos bairros tbm, já que ambas têm mais de um ramal ferroviário…

    • liberdade e propriedade

      Digo somente do tronco principal e sobre BM. Levando em consideração que esse tronco é paralelo ao rio temos um viaduto em frente a cada ponte, se as pontes (bem ou mal) dão conta do recado os viadutos também deveriam dar conta, pois estão em mesmo número, em frente e atravessam obstáculos paralelos. As passagens da praça da Preguiça, ponte dos arcos e Saudade já poderiam ser fechadas.

    • liberdade e propriedade

      Em BP na linha RJ-SP não há passagens de nível na região central. Mas na linha BP-MG há duas passagens de nível no centro, bem perto do viaduto/elevado que poderiam ser fechadas. Falando nisso, não entendo para quê passagens de nível na BR-393 em Vassouras, sendo que há 3 passagens inferiores, suficientes para uma cidade daquele porte.

  4. Falta comando nos poderes municipais para não deixar a MRS e a FCA
    fazerem o que quer.
    Tudo tem um limite e entendimento de todos.
    Somos sacrificados e não temos nenhum beneficio.
    Tem que ter horários para as composições da MRS e a FCA já tinha determinado
    que não faria mais manobras no centro da cidade, mas quem cobra ?
    Vamos fazer respeitar nossos direitos ,

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