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Dossiê mostra crescimento da violência contra mulheres lésbicas no Brasil

Matéria publicada em 11 de março de 2018, 08:00 horas

 


Rio – O primeiro Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil mostra crescimento da violência contra mulheres lésbicas. Lançado durante a semana, o documento indica que, no período entre 2000 e 2017, foram registrados 180 homicídios de lésbicas. No entanto, os anos mais recentes concentram a maior parte das mortes: somente entre 2014 e 2017, foram registrados 126 assassinatos de lésbicas no país.
O dossiê foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa Lesbocídio – As histórias que ninguém conta, que atua no resgate de informações e histórias de lésbicas vítimas desse tipo de crime no país. O dossiê revela que, enquanto em 2000 foram dois casos, em 2017 eles chegaram a 54. A partir de 2013, o aumento tem sido constante, sendo que o maior ocorreu de 2016 para 2017, quando subiu de 30 para 54 registros.
O estudo mostra ainda que a violência vem do preconceito masculino. “As lésbicas se relacionam sexual e afetivamente exclusivamente com mulheres, mas os principais assassinos de lésbicas no Brasil são homens, o que significa que o vínculo conjugal entre vítima e assassino, muito recorrente nos casos de violência doméstica resultantes em feminicídios, não ocorre nos casos de lesbocídio”, diz o texto do dossiê.
O estado de São Paulo, com 20% de todas as mortes de lésbicas no país, foi o que teve, entre 2014 e 2017, o maior número de registro de lesbocídios. Na capital paulista, foram oito casos nos últimos quatro anos. Apesar disso, é no interior do país que são anotadas mais mortes. Dos 126 casos registrados entre 2014 e 2017, 82 ocorreram no interior dos estados.
O documento explica que o termo lesbocídio, entre outras motivações, é proposto na pesquisa “como forma de advertir contra a negligência e o preconceito da sociedade brasileira com a condição lésbica, em seus diversos âmbitos, e as consequências, muitas irremediáveis, em especial a morte de lésbicas por motivações de preconceito contra elas, ou seja, a lesbofobia. Assim, definimos lesbocídio como morte de lésbicas por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica”.
A coleta de dados sobre os casos de lesbocídio no país que ocorreram entre os anos de 2014 e 2017 foi feita durante o ano passado, com base em informações obtidas por monitoramento de redes sociais, sites, jornais eletrônicos e outros meios de comunicação de notícias criminais nacionais, regionais e locais, sempre identificando os casos de lésbicas assassinadas e ainda os casos de suicídio.
O grupo coordenado pela professora Maria Clara Marques Dias, desenvolvido pela professora Suane Felippe Soares e pela graduanda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Milena Cristina Carneiro Peres, é uma iniciativa do Núcleo de Inclusão Social (NIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) junto com integrantes do grupo Nós, que se dedica ao estudo de pessoas com sexualidades dissidentes, que enfrentam diversos preconceitos.

5 comentários

  1. Agimos com preconceito ou seja, agredimos no outro algo que temos velado, escondido dentro de nós, e queremos destruir isso no outro. É como o que somos se revelasse no outro. Logo, queremos destruir. Ora, quem é bem resolvido sexualmente com certeza que aceita o outro na boa. Respeita. Observem. Têm pessoas que lidam numa boa com ou outro, assim como o outro é, e ponto. Em oposição, observem que por outro lado, têm aqueles que se incomodam, agridem, atacam…

  2. Todos os tipos de mortes violentas aumentaram no Brasil nos últimos anos.

  3. 180 pessoas em dezessete anos, realmente é alarmante?
    Num país onde são mortos pela violência mais de sessenta mil pessoas por ano.
    com todo respeito ao ser humano, mas não dá para querer polemizar com um número tão insignificante de um grupo específico, diante do universo de mortes violentas em geral.

  4. Aff perda de tempo sim DV? Mas isso prova que as “Maria homi” são violentas.

  5. Mas como se deram essas mortes? defende uma causa, porém não demonstrou como foram os ocorridos, não adianta colocar dados sem a fonte e argumentar que essas pessoas morreram por essas causas, a defesa da questão está muito vaga e sem uma melhor argumentação e detalhamento dessas situações fica difícil pensar sobre isso? como pode uma universidade federal estar fazendo um estudo e sequer publicá-lo para que possamos ver o que está acontecendo como forma, não só de orientar as pessoas, como também de evitar esse tipo de coisa.

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