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EUA acusam vice-presidente da Venezuela de tráfico de drogas

Matéria publicada em 14 de fevereiro de 2017, 19:19 horas

 


Tareck El Assami: ‘É um reconhecimento da minha condição de revolucionário anti-imperialista’

Tareck: ‘É um reconhecimento da minha condição de revolucionário anti-imperialista’

Washington – Os Estados Unidos anunciaram a adoção de uma série de sanções financeiras contra o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusado pelo país de ser traficante de drogas internacional.  As informações são da Radio France Internationale.

Segundo um comunicado divulgado pelo Tesouro Nacional americano, “as sanções são o resultado de vários anos de investigação que visam importantes traficantes de drogas nos EUA”. De acordo com o texto, as medidas também demonstram que a influência e o poder não protegem aqueles que se envolvem em atividades ilegais”.

De acordo com o Tesouro americano, El Aissami “facilitou a distribuição de drogas na Venezuela, controlando  os portos ea decolagem de aviões de uma base aérea do país.” O vice-presidente também recebeu propina para facilitar a entrega de carregamento de drogas do cartel liderado pelo venezuelano Walid Makled Garcia, afirmam os membros do órgão americano.

El Aissami também está vinculado ao envio de drogas ao cartel de Los Zetas, um dos mais perigosos do México. O vice-presidente, 42 anos, chavista convicto, é um dos dirigentes mais influentes do Partido Socialista Unificado da Venezuela, que está no poder desde 1999. Ele foi nomeado à vice-presidência do país em janeiro.

Até agora, El Aissami era visto como o provável sucessor do presidente Nicolás Maduro. Ele foi governador do estado de Aragua, considerado como um dos mais violentos do país, e acusado de ter facilitado a entrega de passaportes venezuelanos a supostos terroristas.

Cartéis

Tareck El Assami também foi ministro da Justiça durante quatro anos, a partir de 2008, durante a presidência de Hugo Chávez. Na época, ficou conhecido pela luta contra os cartéis venezuelanos.

Além dele, outro venezuelano está envolvido no caso: o empresário Lopez Bello, acusado de lavar o dinheiro do tráfico de El Aissami. Treze empresas de Bello, baseadas nos EUA, Reino Unido e Panamá, foram incluídas numa lista negra. Ele também é alvo das sanções e foi proibido de realizar transações comerciais nos EUA, além de ter suas contas congeladas. As sanções contra o vice-presidente prometem complicar ainda mais as relações entre Washington e Caracas.

Tarek rebate acusações

O vice-presidente da Venezuela, Tarek El Aissami, rejeitou nesta terça-feira as acusações e sanções dos Estados Unidos contra ele por tráfico internacional de drogas, classificando-as de “agressão miserável e infame” e pondo fim à trégua que o governo de Nicolás Maduro deu ao presidente americano, Donald Trump. As informações são da Agência France-Presse (AFP).

“Pessoalmente, recebo esta miserável e infame agressão como um reconhecimento da minha condição de revolucionário anti-imperialista. Venceremos”, escreveu El Aissami no Twitter, respondendo ao anúncio do congelamento dos bens que possa ter em território americano. O empresário José Lopez Bello, acusado de lavar o dinheiro do tráfico de El Aissami, também foi alvo de sanções e proibido de fazer negócios com qualquer cidadão ou empresa americana.

O Departamento do Tesouro dos EUA acusa Aissami de facilitar, proteger e monitorar carregamentos de drogas da Venezuela para o México e os Estados Unidos, enquanto era ministro do Interior (2008-2012) e governador do estado de Aragua (2012-2017).

O vice-presidente considera que a acusação é um ataque contra o governo do presidente Nicolás Maduro, cuja popularidade está abalada por uma grave crise, com escassez aguda de alimentos e medicamentos e uma inflação projetada pelo FMI em 1.660% para 2017.

– Essas provocações miseráveis não devem nos distrair da nossa principal tarefa, que é acompanhar @NicolasMaduro na recuperação econômica – acrescentou El Aissami.

Mas as autoridades americanas dizem que as sanções “são o resultado de anos de investigação” e não estão vinculadas à nomeação de El Aissami à vice-presidência. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, El Aissami teria recebido pagamentos do narcotraficante venezuelano Walid Makled e teria ligações com o violento cartel mexicano Los Zetas.

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