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Mulheres de Volta Redonda opinam sobre assédio sexual em coletivos

Matéria publicada em 23 de setembro de 2017, 17:30 horas

 


Baixa de casos confirmados, na opinião delas, é fruto da vergonha em denunciar

Volta Redonda – Denúncias de casos de assédio sexual dentro do transporte público se tornaram mais comuns e ganharam maior repercussão em todo o país. Em Volta Redonda, maior cidade do Sul Fluminense, não há casos registrados deste tipo de crime nas empresas de ônibus responsáveis pelo serviço. Da mesma maneira, não há notícia sobre ocorrências na delegacia ou denúncias nos órgãos públicos municipais. Tudo em paz? Segundo as próprias mulheres, não. O que há é vergonha para denunciar.

Na opinião da auxiliar de saúde bucal Eneida Corrêa, as mulheres deveriam denunciar mais.

– Nunca passei por essa situação, mas percebo que algumas mulheres não reagem e dessa forma incentivam alguns homens a continuar assediando. Penso que os homens deveriam receber uma punição maior também. É por isso que muitos continuam com tais atos – lamenta.

A merendeira aposentada Silvia Maria, que já morou no Rio de Janeiro, diz ter presenciado alguns casos de assédio em ônibus e metrô da capital fluminense.

– Acredito que as mulheres devem sempre denunciar, mas infelizmente não é o que ocorre. Elas geralmente ‘saem fora’ por acharem que não serão ouvidas. No Rio isso (assédio) ocorre a todo o momento. Infelizmente, percebo que falta mais punição aos homens, que deveriam nos respeitar mais. Muitas mulheres pensam que não adianta denunciar e por isso não falam – opina.

A balconista Débora Soares afirma que se enfrentasse tal situação, denunciaria.

– Penso que nós, mulheres, deveríamos denunciar mais. A falta de denúncia faz com que muitos homens se sintam livres para continuar nos assediando. As penas aos agressores também deveriam ser maiores para dessa forma pensarem duas vezes antes de chegar perto de uma mulher – diz Débora.

A auxiliar administrativa Regina Célia também é da opinião que não adianta apenas reclamar de maneira extraoficial. No entanto, ela criticou uma provável passividade do sistema jurídico com atos do tipo.

– Muitas mulheres não dão queixa devido ao constrangimento que passam. E depois o agressor vai estar solto. Não é culpa só das mulheres, mas também da Justiça – lamenta.

A Secretária Municipal de Políticas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos (SMIDH), Dayse Penna, diz ficar satisfeita com a repercussão que o tema sobre “assédio” está tendo.

– E não é que isso ocorra somente nos grandes centros, o que nos chega não é em tom de denúncia, mas como forma de informação que aconteceu. E penso que isso pode acontecer em qualquer lugar, mas as mulheres devem sempre denunciar. A apesar de já ter 19 anos de existência, as mulheres podem contar com o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), onde oferece assessoria jurídica, atendimento com psicóloga e assistente social. Mesmo que não queiram fazer uma denúncia, elas podem ir lá, que serão bem atendidas de diversas formas – ressalta.

Segundo Dayse, muitas mulheres ainda tem vergonha de abordar este tema.

– Considero que casos como esse que ocorreu em São Paulo se fortaleçam e contribuam para acabarem com esse desrespeito as mulheres. A lei tem que ser cumprida sempre e o homem têm que ser responsável por atos como esses. E que sempre seja feito uma responsabilização dos culpados – opina.

Apontando: Mulheres apontam que falta de denúncia pode encorajar agressores (Foto: Divulgação)

Apontando: Mulheres apontam que falta de denúncia pode encorajar agressores (Foto: Divulgação)

2 comentários

  1. Adoraria ver o prefeito Samuca pegar um ônibus a noite no ponto bem em frente onde ele trabalha. O ponto da prefeitura esta uma tremenda escuridão. É ridículo e inaceitável que no debate sobre a mobilidade urbana não seja discutido a iluminação de TODOS pontos de ônibus da cidade. Falar para o povo usar ônibus é facil quero ver ficar na escuridão a merce da sorte. Vai trabalhar de ônibus prefeito.

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