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Observatório LIGO vai procurar “buracos de minhoca”

Matéria publicada em 28 de junho de 2018, 07:27 horas

 


Wormholes podem ser passagens através do espaço e do tempo

Bolha: O wormhole do filme Interestelar.

Uma nova pesquisa, feita por físicos da Europa e dos Estados Unidos, abriu caminho para a busca dos “wormholes”, ou buracos de minhoca no espaço. Há dois anos o observatório LIGO, de interferometria por raios laser, conseguiu detectar ondas gravitacionais produzidas pela colisão de dois buracos negros em uma galáxia distante. Foi a comprovação de um fenômeno previsto pela teoria da relatividade de Einstein, mas que nunca tinha sido observado no universo real.

Agora o observatório LIGO será usado para procurar por outro fenômeno estranho, previsto pela física teórica. Os buracos de minhoca, ou wormholes em inglês. Filmes e romances de ficção científica têm usado os wormholes como atalhos para se viajar pelo espaço e o tempo. Desde que a nave “Enterprise” foi engolida por um desses túneis dimensionais no filme “Jornada nas Estrelas” de 1979.

Mas ao contrário dos buracos negros, que já foram observados na nossa e em outras galáxias, os buracos de minhoca permanecem sendo uma previsão teórica. Mas isso pode mudar. Uma equipe de pesquisadores das universidades da Pensilvânia (EUA), Lisboa (Portugal), Bélgica e Espanha publicou um artigo na revista Physical Review, sugerindo que a colisão de wormholes pode produzir ondas gravitacionais, e elas seriam diferentes das que são produzidas pela colisão de buracos negros.

Na última fase da colisão essas ondas produziriam um eco, já que o interior dos wormholes atuaria como uma cavidade onde as ondas seriam refletidas. O buraco negro tem um horizonte de eventos de onde, teoricamente, nada pode escapar. Mas isso não acontece com o buraco de minhoca, assim o eco das ondas gravitacionais poderia ser “ouvido” pelo observatório Ligo.

A existência dos buracos negros sempre incomodou os físicos teóricos justamente pelo fenômeno do “horizonte de eventos”. Segundo a física quântica o conhecimento sobre um determinado sistema permite prever o seu futuro e o seu passado, mas se nada pode escapar do horizonte de eventos de um buraco negro isso violaria o determinismo quântico criando um paradoxo. O que leva alguns físicos a sugerirem que o horizonte de eventos não existe na vida real, o que seria pior ainda, abrindo o caminho para a existência de singularidades nuas, regiões do espaço e do tempo onde as leis da física não se aplicam.

Um buraco negro sem horizonte de eventos seria algo como uma estrela de bósons, uma gravistar ou um wormhole. Daí o interesse dos físicos em descobrir e estudar esses objetos. No filme “Interestelar” um wormhole é descoberto perto dos anéis de Saturno e permite que a nave espacial, pilotada pela Anne Hathaway e o Mathew McCoanughey viaje até uma galáxia distante. Na vida real é pouco provável que um fenômeno desse tipo seja encontrado tão perto da Terra.

Mesmo assim o filme, que teve o roteiro baseado em uma história do físico Kip Thorne, um dos criadores do LIGO, nos deu a representação mais realista de como seria um desses objetos estranhos. No lugar de parecer um buraco o wormhole seria como uma esfera translúcida, contendo em seu interior um panorama de uma outra região do espaço e do tempo.

Mas mesmo que esses objetos existam e sejam detectados, eles não são a solução para o problema das viagens espaciais. Dentro do wormhole existem marés gravitacionais que poderiam destruir uma nave e seus tripulantes. E qualquer perturbação poderia fazê-los desabar, a menos que fossem estabilizados com matéria estranha. Que é outra entidade teórica que a ciência ainda não descobriu.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br

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