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Empresas ‘maquiavam’ carne vencida e subornavam fiscais de ministério, diz PF

Matéria publicada em 17 de março de 2017, 11:11 horas

 


Ao longo das investigações que culminaram na Operação Carne Fraca, deflagrada hoje (17) de manhã, a Polícia Federal (PF) descobriu que os frigoríficos envolvidos no esquema criminoso “maquiavam” carnes vencidas com ácido ascórbico e as reembalavam para conseguir vendê-las. As empresas, então, subornavam fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

“Tudo isso nos mostra que o que interessa a esses grupos corporativos na área alimentícia é, realmente, um mercado independente da saúde pública, independente da coletividade, da quantidade de doenças e da quantidade de situações prejudiciais que isso [a prática criminosa] causa”, afirmou o delegado federal Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva no fim da manhã, na sede da PF em Curitiba. Também participaram da coletiva o superintendente da corporação, Rosalvo Ferreira Franco, o delegado Igor Romário de Paula e o auditor da Receita Federal Roberto Leonel de Oliveira Lima.

Algumas das maiores empresas do ramo alimentício do país estão na mira da operação, entre as quais a JBS, dona de marcas como Big Frango e Seara, e a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão. A Justiça Federal no Paraná (JFPR) determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas, que também são alvo de parte dos mandados de prisão preventiva, condução coercitiva e busca e apreensão expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba.

Moscardi disse ainda que parte do dinheiro pago aos agentes públicos abastecia o PMDB e o PP. A Polícia Federal não identificou, no entanto, os políticos beneficiados pelo esquema, nem a ligação entre os funcionários do Ministério da Agricultura e esses partidos. “Não foi aprofundado porque o nosso foco era a saúde pública, a corrupção e a lavagem de dinheiro”, explicou o delegado.

A PF também informou ter interceptado um telefonema entre o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e o ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho – um dos investigados pela corporação. A Polícia Federal informou que não identificou, no entanto, ação criminosa por parte de Serraglio, que à época do telefonema era deputado federal. “Por cautela, no entanto, foi necessário fazer esse informe aqui para não sermos questionados”, disse Moscardi.

Investigação

A Operação Carne Fraca é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada pela PF como a maior realizada na história da corporação. Mai de 1,1 mil policiais federais cumprem 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo.

Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas, segundo a PF. Alguns, inclusive, já estariam começando a reclamar da qualidade dos alimentos que ganhavam para fazer vista grossa na fiscalização.

O delegado Maurício Moscardi ressaltou que a responsabilidade pelos atos criminosos é compartilhada por empresários e agentes públicos. “Não havia uma relação de extorsão, mas sim de benefício e de alimentação mútua entre eles. Os empresários também incentivavam e se sentiam próximos desse esquema; eram corruptores”, afirmou.

Dentro do Ministério da Agricultura, a PF descobriu que os funcionários envolvidos promoviam remoções (transferências) de fiscais para garantir a continuidade do esquema criminoso. A investigação começou, inclusive, depois que um fiscal se recusou a ser removido ao descobrir fraudes em uma das empresas envolvidas.

Um dos alvos da Operação Carne Fraca, o grupo JBS destaca, em nota oficial, que adota “rigorosos padrões de qualidade” para garantir a segurança alimentar de seus produtos. “A companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou comercialização – e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.

Segundo a empresa, a ação deflagrada hoje atingiu três unidades da companhia – duas no Paraná e uma em Goiás. A JBS ressalta que “não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos”.

Também em nota oficial, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, diz que, diante dos fatos narrados na operação, decidiu cancelar a sua licença de 10 dias do ministério. “Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos”, informou. “Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no ministério”, acrescentou.

Segundo Blairo Maggi, a apuração da PF indica que os envolvidos no esquema ilegal praticaram “um crime contra a população brasileira”, que deve ser punido “com todo rigor”. “Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas.” Para o ministro, no entanto, é preciso separar “o joio do trigo” durante as investigações.

O Ministério da Justiça também divulgou nota depois que a operação foi deflagrada. O texto afirma que a menção ao nome de Osmar Serraglio na investigação é uma prova de que o ministro não vai interferir no trabalho da Polícia Federal. “A conclusão, tanto do Ministério Público Federal quanto do juiz federal, é que não há qualquer indício de ilegalidade nessa conversa degravada”, ressalta a nota.

O PMDB, citado pela PF como suposto beneficiário de parte da propina, diz que “desconhece o teor da investigação, mas não autoriza ninguém a falar em nome do partido”. O PP, também apontado pela investigação como destinatário do dinheiro, ainda não se manifestou sobre o assunto.

Repercussão

No final da manhã, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitiu nota oficial assinada pelo presidente da instituição, João Martins da Silva Júnior. No texto, a entidade defende a apuração dos fatos envolvendo frigoríficos e fiscais agropecuários e que, uma vez comprovados, possam levar à punição exemplar dos envolvidos.

A nota da CNA diz ainda que os produtores rurais brasileiros têm dado “grande contribuição ao desenvolvimento nacional” e afirma não ser justo que eles tenham a imagem “maculada pela ação irresponsável e criminosa de alguns”.

Em nota, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários diz que apoia a ação da Polícia Federal. “A operação está alinhada aos objetivos  de auditores fiscais federais agropecuários no sentido de aprimorar a inspeção de produtos de origem animal no Brasil”. Segundo o sindicato, as denúncias constam de processo administrativo que tramita no Ministério da Agricultura desde 2010.

19 comentários

  1. O negócio é ser feliz com o ovo , o famoso zoiudo.

  2. Tem dias que fico pensando aonde mais vai ter noticias desse tipo no Brasil…nossa ta uma vergonha !!!todo dia tem noticias ruins..meu Deus aonde vamos parar com toda essa corrupção..coloca o exercito nas ruas prende os corruptos.não aguentamos mais.só noticias de mal gosto..

  3. Boa noite gente. Aqui em VR é notório a oferta dessas peças de carnes embaladas, muito barato… Espero que essa fiscalização chegue em VR tb… Abraço…

  4. Um dos citados na Operação Carne Fraca é o ministro da Justiça (!) do #TemerGolpista, Osmar Serraglio. Estamos bem de ministério…

  5. Eu não duvido muito do envolvimento desses dois partidos: PMDB e PP. O histórico de recebimento de propinas é longo; não ficariam de fora.

    Interessante é que basta apenas um ator para mudar toda a história. “A investigação começou, inclusive, depois que um fiscal se recusou a ser removido ao descobrir fraudes em uma das empresas envolvidas.”

    Anda existe gente honesta neste país.

    Por outro lado, ficou entre linhas a denúncia desde 2010 tramitando no Ministério da Agricultura. Ninguém fez nada? O ministro da Agricultura é Blairo Magg do PP.

    O que os eleitores do PMDB e PP têm a dizer? Até quando vocês vão insistir em jogar o país na lama?

    • JBS S.A. é uma empresa brasileira de Goiás, fundada em 1953. É uma das maiores indústrias … Friboi jbs.jpg …. Devido a isso, o proprietário da empresa, Joesley Batista, está interferindo … Contudo, embora Aécio Neves (PSDB) e outros candidatos não tenham sido eleitos, também chegam a receber doações em 2014.

      VAI REPARANDO; DOAÇÕES. O fdup, é tão fdup, que seus seguidores,é que inventaram, que o LULINHA era o dono da FRIBOI.

  6. A cada dia uma novidade desagradável em nosso país! De uma coisa estou certo: o modelo político do Brasil está falido! Como sairemos desse buraco… não será sem luta!

    • Para você é novidade?
      Meu, caro! Onde tem personagens membros dos partidos PT, PMDB, PP, PSDB, PTB, PDT mais cedo, mais tarde aparece notícias desagradáveis.

      Aqui bem pertinho de nós, a última notícia desagradável com membros do PMDB foi que a PMVR tem 13 mil servidores na folha de pagamento. A notícia foi um pouco cautelosa em complementar “…na folha de pagamento”, pois você conversando com funcionários na labuta fica sabendo da falta de gente na equipe. E olhe que muitos serviços são terceirizados como o da limpeza urbana.

  7. ONDE TEM PT TEM CORRUPÇÃO…………..UM DIA A CASA IA CAIR………….SÓ INVESTIGAR AGORA DE ONDE LULINHA E SEU PAI CONSEGUIU TANTO DINHEIRO PARA TER UM PATRIMÔNIO DESSE PORTE……….. E O POVO BRASILEIRO COMENDO CARNE COM SUBSTÂNCIA TÓXICA PARA CONSERVAR ELA SEMPRE VERMELHA…….ESSA TURMA DO PT É TUDO BANDIDO

    • De que fonte vc tirou a “informação” de que Lulinha tem frigorífico? Fiquei curioso…

    • ÔH doente, estão falando é do PMDB, é PP.

      JBS S.A. é uma empresa brasileira de Goiás, fundada em 1953. É uma das maiores indústrias … Friboi jbs.jpg …. Devido a isso, o proprietário da empresa, Joesley Batista, está interferindo … Contudo, embora Aécio Neves (PSDB) e outros candidatos não tenham sido eleitos, também chegaram a receber doações em 2014.

      E você idiota,(mira nisso) Se a Friboi, fosse do Lulinha, estaria doando p/ o Aécio?

    • Capitalista de busão

      Friboi, Oi, fazenda, triplex, iate, jatinho, poço de petróleo, arena Corinthians,CartaCapital, pedalinho… A manada de trouxinhas paneleiros adora um boato…

  8. A JBS citada nesta reportagem sobre a Operação Carne Fraca é dona também da Friboi, do Lulinha.

    • Esse é mais um daquelas dezenas de boatos criados pra manada mugir e compartilhar; e já foi desmentido há anos. O dono da Friboi é Wesley Mendonça Batista.
      De nada.

    • Entre as dezenas de boatos criados pra manada paneleira mugir e compartilhar, esse é um dos mais antigos, desmentidos há anos.
      O controlador da Friboi é Wesley Mendonça Batista.
      De nada.

    • BERETTA, tá perdendo tempo, caro amigo. A “lavagem cerebral” foi tão bem feita, que vai precisar de tempo, p/ voltar ao normal.

    • Todo boato tem um fundo de verdade.

  9. ” Deus no céu e a Federal na terra”… ta difícil hein !!!

    • Se você ficar quieto, então ficará mais difícil.

      Aliás, esses corruptos e corruptores estão pouco se lixando no nome deles aparecerem. Eles sabem que pouquíssimos eleitores lembrarão disso na próxima eleição. Poucos serão os que tomarão conhecimento e muitos continuarão consumindo carnes estragadas.

      Por isso você precisa ajudar a levar essa notícia a eles, e mais importante, lembrá-los um pouco antes das eleições.

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