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Um asteroide e um cometa muito estranhos

Matéria publicada em 5 de julho de 2018, 07:09 horas

 


Ryugu parece um cubo e Oumuamua altera sua velocidade

Ryugu: O asteroide em foto tirada pela Hayabusa – Foto: Reprodução de internet

A sonda espacial japonesa Hayabusa 2 chegou semana passada ao seu objetivo principal, o asteroide Ryugu. Que tem um formato estranho, semelhante a um cubo, ao contrário de outras rochas espaciais, que parecem pedregulhos enormes. A sonda foi lançada em 2014 e levou quatro anos para igualar velocidade e órbita com o asteroide, que gira em torno do Sol numa órbita bem próxima a do nosso planeta, a Terra. A Hayabusa 2 vai passar 18 meses perto do asteroide, e deve lançar uma pequena capsula de pouso e três veículos menores para explorar o estranho objeto.

Os engenheiros da agência espacial do Japão, a JAXA, estão prevendo que terão alguns desafios pela frente. Devido ao formato estranho do asteroide, a gravidade lá nem sempre aponta para baixo. Se tudo correr bem a sonda de pouso, chamada de Mascot, será lançada em outubro, para tentar descer suavemente no asteroide, que tem apenas 900 metros de diâmetro e uma gravidade muito fraca. A Mascot parece uma caixa e está recheada de sensores para analisar os materiais na superfície de Ryugu.

A forma dos corpos celestes é ditada pela sua massa. Corpos muito grandes tem forma esférica porque a gravidade os esmaga. Já objetos pequenos como Ryugu podem ter qualquer forma. A sonda também vai usar um pequeno “canhão espacial”, para abrir uma cratera no asteroide e estudar os fragmentos que se soltarem. A pesquisa é considerada importante porque Ryugu faz parte de uma classe de asteroides que se aproximam muito do nosso planeta. No futuro, se um deles ameaçar colidir com a Terra terá que ser desviado por uma sonda espacial.

Enquanto isso outro objeto estranho, o Oumuamua, continua a surpreender os cientistas. Considerado o primeiro visitante interestelar a ser detectado cruzando o nosso sistema solar, Oumuamua tem forma de charuto e depois de passar por nós, no ano passado, está se afastando em direção as estrelas distantes. Observações recentes mostram que o objeto não está seguindo uma trajetória puramente balística, controlada apenas pelas forças gravitacionais de planetas e estrelas. Ele tem capacidade de mudar de velocidade e alterar sua trajetória.

Isso levou os astrônomos a especularem que Oumuamua pode ser um cometa e não um asteroide, como se pensou inicialmente. Os cometas têm vulcões de gás em suas superfícies, que agem como se fossem os motores de uma nave espacial. Quando entram em erupção eles podem alterar a velocidade e até a trajetória desses mini-mundos. Infelizmente Oumuamua passou muito rápido e muito longe da Terra para que pudesse ser estudado em detalhe. Existem planos de se lançar uma sonda espacial em seu encalço. Mas ela teria que ser impulsionada por raios laser, para conseguir velocidade suficiente para alcançar este fugitivo do espaço sideral.

Nosso planeta, a Terra, faz parte de um sistema solar, formado por oito mundos maiores e centenas de luas, asteroide e cometas. Todos os mundos do nosso sistema solar giram em torno do Sol, uma estrela de tamanho médio. Tudo o que não faz parte do nosso sistema solar é considerado um objeto extrasolar. Como é o caso do estranho Oumuamua, que está viajando pelo espaço entre as estrelas e não se encontra ligado gravitacionalmente a nenhuma delas.

Há dois anos a agência espacial europeia, Esa, conseguiu colocar sua sonda Rosetta na órbita de um cometa. Como a Hayabusa japonesa, a Rosetta também lançou uma sonda de pouso, a Philae. Mas o pequeno robô quicou na superfície do cometa e acabou ficando preso em uma fenda de onde não pode captar a luz solar necessária para suas baterias. Todos torcem para que o Mascot tenha uma sorte melhor.

Depois que terminar sua missão a Hayabusa vai voltar para a Terra, em 2020, com amostras do asteroide.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br

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