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Os prédios mais antigos de Pinheiral

Matéria publicada em 10 de julho de 2015, 07:30 horas

 


Estação ferroviária data de 1908 e o centro da cidade; Pinheiral cresceu em volta daquela simpática construção por onde passavam os moradores e a produção de leite das fazendas da região

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Estação: O leite embarcava na plataforma em frente ao prédio  (Arquivo )

Estação: O leite embarcava na plataforma em frente ao prédio
(Foto: Arquivo )

 

Outro dia comentei aqui sobre o fim dos prédios históricos de Pinheiral. Restou pouca coisa e atualmente o prédio mais antigo da cidade é a estação ferroviária. Que atualmente abriga a biblioteca municipal. Fica ali em frente à Praça Teixeira Campos e data de 1908, como diz o número escrito na fachada. A cidade cresceu em volta daquela simpática construção por onde passavam os moradores e a produção de leite das fazendas da região. Do outro lado da praça fica o antigo prédio da cooperativa de leite, que data de 1923. Hoje abriga várias lojas e felizmente resistiu as demolições.
A cooperativa de leite funcionou até o final da década de 1940. Meu avô trabalhou lá, inspecionando o leite que chegava das fazendas. Não só das fazendas de Pinheiral, como das que ficavam do outro lado do rio, em terras de Barra do Piraí. Depois de inspecionado o leite era colocado em uns tambores e atravessava a Praça Teixeira Campos em cima de um vagão puxado por burros. Até a década de 1960 ainda existiam os trilhos da vagoneta ali no final da praça.
Depois de cruzar a praça os tambores de leite eram colocados em uma pequena plataforma, que fica em frente da estação, hoje biblioteca. Era ali que parava o “leiteiro”, um trem misto, de carga e passageiros que passava às cinco horas da manhã. E levava a produção de leite para os consumidores, nas cidades vizinhas. O trem foi o principal meio de transporte da região até ser sucateado na década de 1980. Era a Estrada de Ferro Central do Brasil, que começou a ser construída no século XIX, ainda durante o império e terminou no início do século XX, quando completou a ligação Rio São Paulo.

Telégrafo

Ao longo do dia passavam vários trens de passageiros, que paravam em todas as cidades da região. O que ia para o Rio de Janeiro passava às seis da tarde. Comprávamos a passagem no guichê da estação e ficávamos esperando na plataforma, vendo a revoada das andorinhas no cair da tarde. Dentro da estação havia um telégrafo, daqueles antigos de código morse, que transmitia as informações sobre o tráfego na ferrovia. Quando o trem saia de Volta Redonda, em direção a Pinheiral, o telegrafista da estação da cidade do aço informava a estação de Pinheiral que a composição estava a caminho. E os passageiros ficavam sabendo que dentro de dez minutos o trem estaria encostando na plataforma.

Máquinas a vapor

Meu pai foi telegrafista da Central do Brasil, ali na estação de Pinheiral e várias vezes tentou me ensinar aquele código de pontos e traços usado para transmitir mensagens. E que mais o impressionava no trabalho eram as tempestades elétricas que costumam atingir Pinheiral durante o verão. As descargas dos raios induziam uma forte corrente elétrica nos fios do telégrafo. E com isso cada raio que caia fazia saltar fagulhas e centelhas do aparelho em cima da mesa.
Os vagões do trem eram de madeira e até a década de 1950 as locomotivas eram aquelas máquinas a vapor, apelidadas de “marias fumaça”. A caldeira dessas locomotivas consumia muita água e elas se reabasteciam naquela caixa de água preta, de metal que ainda se ergue ao lado da passagem de nível. Meu pai contava a história de um maquinista que perdeu um filho em um acidente ferroviário, ali na curva que tem depois de Vargem Alegre. E sempre que ele passava com o trem pelo local dava um longo apito, em saudação ao filho perdido.

Locomotivas diesel

Na década de 1950 as máquinas a vapor foram substituídas pelas locomotivas diesel. Como a “biriba”, que puxava o trem de aço Rio-São Paulo. A “biriba” tinha essa nome em homenagem a um cachorro que foi mascote do time do Botafogo. Tudo porque achavam que o farol, na frente da locomotiva lembrava o focinho de um cachorro.
São histórias de uma Pinheiral mais bonita e perfumada que se perdeu no tempo. E que fica mais distante cada vez que um desses prédios antigos, vem abaixo.

Jorge Luiz Calife | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    Bacana, Calife!

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    Como tem gente ignorante nesse país. Bandeira vermelha, comunismo? Enlouqueceram, seus paspalhos? A guerra fria acabou há tempos. Saiam um pouco de Pinheiral pra ver que existe um mundo.

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    Adoro as crônicas do jornalista Calife.
    Ele consegue descrever problemas com toque de poesia.
    Parabéns pela visão poética de uma cidade que perdeu seus encantos para essa política nojenta que destrói não só Pinheiral mas o Brasil.

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    Mais uma história de Pinheiral que eu não conhecia. Parabéns Calife e Aurélio por trazer essas informações.

    Informações essas que os petistas (comunistas) estão apagando de nossas memórias com a destruição dos prédios antigos em Pinheiral. Fazem isso para acabar com a riqueza do nosso passado e assim manter a todos como amebas e zumbis para implantarem de vez o comunismo em Pinheiral e região.

    Fora petistas e demais simpatizantes das bandeiras vermelhas!

    Vão para Cuba, China, Coreia do Norte ou qualquer outro pais vermelho e nos deixem em paz, deixem o MEU BRasil em paz!

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      Finalmente um comentário seu em que eu concordo, embora essa sua teoria da conspiração seja, na minha opinião, um tanto complexa para esses petistas. Acredito mais na ignorância deles em saber que isso tudo tem valor.

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      Não se iluda! Imagino que 90% dos petistas são zumbis, pois eles não leem jornais, apenas manchetes e olhe lá. 90% deles, imagino pelos que estão a minha volta, seguem o que o rádio e os tutores vermelhos dizem por não terem capacidade mental para raciocinarem por si só.

      Em suma, eles já estão vivendo no comunismo onde um ou alguns mandam e eles obedecem, igual a um formigueiro ou enxame de abelhas.

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