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Ações sociais podem fazer a diferença na vida de pessoas em situação de rua

Matéria publicada em 4 de agosto de 2019, 09:00 horas

 


Grupos voluntários e de profissionais contam sobre a experiência e melhores formas de ajudar

População de rua precisa de ajuda principalmente diante dos dias mais frios (Foto: ABr)

Barra Mansa – As pessoas em situação de rua dividem muito as opiniões. Da população em geral e das pessoas que trabalham para ajudar a tornar a situação delas menos vulnerável. Se por um lado as autoridades e profissionais do ramo alertam para os cuidados com as doações, por outro proliferam grupos que se prestam a servir alimento e agasalhos para quem está vivendo nas ruas de Barra Mansa.

O coordenador da Pastoral de Pessoas em Situação de Rua da Igreja Católica, José Fabiano, contou que realmente nem sempre as pessoas enxergam com bons olhos o apoio “amador” que é dado. Há uma vertente que esse tipo de serviço, na verdade, incentiva a permanência nas ruas. Fabiano, no entanto, faz questão de explicar que existe uma diferença entre pessoas em situação de rua, que são aquelas caracterizadas por quem está sempre pedindo comida, roupas, um café da manhã e que dormem nas calçadas sobre um papelão, e os mendigos. Segundo ele, estes últimos são aqueles que se caracterizam por permanecerem em pontos estratégicos da área comercial da cidade e sempre pedindo dinheiro à população.

– Para que façamos um trabalho sério, nossos agentes da pastoral são capacitados a identificar quem vive da mendicância e quem realmente está em situação de rua. Por isso, temos um cadastro de todos que nós ajudamos. Sabemos que oferecer ajuda aos mais necessitados é função dos cristãos. Como diz o Papa Francisco, nós temos que olhar por essas pessoas, consideradas ‘descartáveis’ para a sociedade, buscando resgatar sua dignidade, moral e autoestima – disse Fabiano.

Fabiano ressaltou que também se enquadram em “pessoas em situação de rua” os “trecheiros”, catadores de lixo e moradores de viadutos e espaços ociosos, bem como portadores de deficiência mental que tenham se perdido da família. Segundo ele, refeições são doadas na igreja Matriz de São Sebastião todos os sábados, às 18h30min, quando a Pastoral da Sobriedade também faz um trabalho de conscientização juntos aos dependentes do álcool. Quem é assistido pelas equipes, pode ser encaminhado para o abrigo “Lar Jesus”. O espaço fica localizado próximo ao Cemitério Municipal, funciona de segunda a domingo, das 18h às 7 horas da manhã, e tem capacidade para acolher até 15 pessoas, por noite.

– É importante ressaltar que não só a Igreja Católica, mas outros movimentos e religiões, como a evangélica e espírita, também manifestam esse cuidado com as pessoas em situação de rua da nossa cidade. Prova disso é que essas pessoas que ficam nas ruas recebem alimentação durante toda a semana. Acredito que o objetivo de todos que ajudam é desenvolver ações que transformem a situação de exclusão em projeto de vida para todos – finalizou o coordenador.

Assistência Social esclarece sobre campanha contra esmolas

Com cerca de 40% das pessoas em situação de rua pertencente a outros municípios, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos lançou a campanha “Não dê Esmolas”. A direção da pasta explicou que o movimento tem como objetivo a conscientização de toda a sociedade de que o dinheiro não favorece a saída das ruas.

– Muito pelo contrário. O dinheiro, se não for bem trabalhado com esta população, favorece seu adoecimento pelo uso abusivo de substâncias psicoativas. Em momento algum a campanha invalida a oferta de alimentos, cobertores e roupas, mas enfatiza que a população pode dar atenção, apoio e encaminhar quem se encontra nessas condições para o Centro Pop, que é um centro de referência para esta população. Esse espaço trabalha com a história e mudança de vida, oportunizando a construção de possibilidades, uma vez que sabemos que é um processo gradativo ir para as ruas e sair dela – explicou a secretária, Ruth Coutinho.

Sobre como a Assistência Social vem tratando as pessoas em situação de rua, em Barra Mansa, a coordenadora da Proteção Especial, Edilene Moreira, informou que o município possui o equipamento Centro Pop para esse tipo de atendimento técnico, que é feito por uma equipe multidisciplinar. Além da acolhida, esses profissionais oferecem serviço de convivência, roda de conversa sobre cidadania e orientação para o trabalho, direitos e deveres da população de rua, sociabilidade, abordagem de rua,  reinserção familiar,  alimentação, lavanderia e higiene pessoal.

– Além disso, fazemos diariamente encaminhamentos para outros setores, como o da Saúde, para 2ª via de documentos, currículos, e embarques de migrantes para outros destinos. Temos em média, no município, 70 pessoas que estão sendo acompanhadas pelo Centro Pop e o fluxo de migração é de 30 embarques por mês – ressaltou a coordenadora, ao informar que o Centro Pop funciona de segunda a sexta de 8h às 17h e sábado de 8h às 12h.

Iniciativa do abrigo social é destacada

A criação de um abrigo temporário, que é uma iniciativa recente, foi destacada pela Secretária de Assistência Social, Ruth Coutinho. Ela explicou que essa é uma parceria com a sociedade civil organizada. O abrigo teve início em 11 de julho e funciona das 19h às 7h da manhã, com capacidade de acolhimento para 30 pessoas. O Clube Municipal cede o espaço físico e os grupos e movimentos religiosos oferecem a alimentação: jantar e café da manhã.

Desde que colocado em prática, o projeto conta com apoio do Grupo Acolher, Amor Exigente, Centro Espírita Filhos da Luz, Lar de Jesus, Pastoral de Rua da Igreja Matriz e Saudade, Igreja Evangélica Church, Igreja Metodista Weslyana Vila Maria, entre outros voluntários.

“É uma ação social que envolve muitas pessoas e com o mesmo objetivo, que é ajudar ao próximo. Temos uma média de atendimento de 20 pessoas abrigadas, por noite, e é Importante ressaltar que todos os usuários em situação de rua têm conhecimento da existência do abrigo, já que nas abordagens de rua e atendimento técnico do Centro Pop são passadas essas informações. A pessoa não é obrigada a ir para o Abrigo e infelizmente muitos não vão, porque são livres para escolher”, finaliza a secretária.


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