sábado, 8 de agosto de 2020

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Ameaçada de fechar, Apae-VR se reinventa

Ameaçada de fechar, Apae-VR se reinventa

Matéria publicada em 14 de maio de 2017, 07:00 horas

 


Nova diretoria, que assumiu há quatro meses, tem buscado parceiros para mudar forma de arrecadação e manter atendimento

Volta Redonda – Ameaçada de fechar as portas por falta de recursos, o ano começou com o sentimento de incerteza para funcionários e assistidos da Apae-VR (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Para evitar o fechamento da instituição, a nova diretoria precisou se reinventar. O presidente Mário Vitor Netto, que assumiu há quatro meses, tem buscado parceiros para mudar a forma de arrecadação e assim conseguir manter o atendimento na instituição, que já acontece há mais de 60 anos ininterruptos.

Mário Vitor explicou que a crise que atingiu a Apae-VR tem ligação com a mesma que atinge todo o estado do Rio. Os repasses dos governos estadual e municipal, que custeavam despesas como o pagamento dos mais de 50 funcionários, foram interrompidos. Com isso, a Apae chegou a parar de receber novos alunos e assistidos, precisou cortar gastos e reduzir o quadro de funcionários.

– Infelizmente encontramos a Apae a ponto de ter seu atendimento interrompido. Tínhamos dívidas, muitos gastos e quase nenhuma arrecadação. Procuramos fazer nosso dever de casa e começar a mudar essa realidade. A Apae tem um trabalho belíssimo, tanto da escola quanto as oficinas, exclusivamente com pessoas com deficiência intelectual. E também a parte de assistencialismo, em que as famílias que não têm condição de sustentar a casa são ajudadas. Oferecemos ainda atendimento com psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas. É um trabalho muito grande. E não pode ser interrompido – apontou o presidente.

Com o compromisso de manter os atendimentos às mais de 350 famílias, os novos administradores estabeleceram o objetivo de mudar a origem da arrecadação e tornar a instituição autossustentável – ou algo próximo disso. O projeto principal hoje é o Embaixadores da Apae, que conta com 40 pessoas em busca de parceiros e doações para a associação. A ideia é que a renda arrecadada por eles mensalmente cubra integralmente a lacuna deixada pela FIA (Fundação para a Infância e Adolescência).

– Reunimos 40 pessoas que foram convidadas ou se ofereceram para fazer esse trabalho. O objetivo é que cada um consiga, por mês, a quantia de R$ 1 mil. Nossa intenção não é que cada um deles tire isso do bolso, queremos que eles comecem a montar uma rede de parceiros e mobilizem mais pessoas para ajudar. Assim pretendemos depois firmar novas parcerias, não só financeiras, a partir dessa campanha – comentou Leonardo Santoro, gerente executivo da Apae.

Depois de pouco mais de um mês de lançado, o projeto tem seu quadro de embaixadores fechado, mas precisa contar com o apoio de muita gente ainda. Para ajudar, os interessados podem buscar um dos embaixadores ou fazer uma doação pelo site da instituição.

– Apesar de já ter mais de um mês de campanha, ainda estamos começando o trabalho oficial. Regularizando o site, o pagamento via Paypal para transmitir seriedade. Montamos agora um vídeo oficial com os embaixadores e vamos começar a divulgar isso em outdoors cedidos pela prefeitura. Estamos indo bem e confiantes – revelou Leonardo.

Serviços: Presidente Mário Vitor Netto tem buscado parceiros para mudar a forma de arrecadação e assim conseguir manter o atendimento na instituição (Foto: Divulgação)

Serviços: Presidente Mário Vitor Netto tem buscado parceiros para mudar a forma de arrecadação e assim conseguir manter o atendimento na instituição (Foto: Divulgação)

Apae mobiliza toda a cidade

Com a notícia do possível fim da Apae em Volta Redonda pelos jornais locais, uma onda de mobilização tomou conta dos moradores, entidades e empresários em prol do serviço da instituição. Um dos primeiros a oferecer a doação de serviço para foi o IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), que assumiu a horta da Apae. Assim a instituição poderá voltar a produzir alimentos orgânicos para consumo, com a possibilidade de vender o excedente, que se transformaria em renda. Além disso, os alunos e assistidos poderão participar de novas atividades no cultivo e manutenção da horta.

– Muitas pessoas e empresas nos procuraram. Uma mobilização enorme. Hoje temos parceria para o complemento da alimentação dos assistidos. Temos parceria com o patrocínio dos profissionais da saúde, senão não poderíamos pagá-los. A nossa parte de comunicação é feita por parceiros. Tivemos também a doação da mão de obra e material para a pintura do prédio e outras reformas. E ainda aconteceram outras doações pontuais de serviços, dinheiro e materiais. E isso é muito importante para mantermos o trabalho – revelou Santoro.

De acordo com o gerente, outras iniciativas ainda geraram rendas pontuais, como a arrecadação da bilheteria de shows e peças de teatro, bingos e outros eventos que foram revertidas para a Apae. A Associação de Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda (AAP-VR) participou de forma parecida. Um show foi organizado na sede e todos os convites foram entregues para que a Apae vendesse e ficasse com a renda.

Outra forma de conseguir verba é com a participação em eventos, ou mesmo com a realização. Nesses primeiros meses a instituição esteve no Liquida VR, numa feira de artesanato, no evento ‘Só para Baixinhos’ e participa – no segundo sábado de cada mês – da feira de artesanato no bairro Casa de Pedra. Além disso, sediou a IV Feira das Mulheres Empreendedoras, uma “queima de estoque” com parte da renda como doação e um almoço oferecido pela Comunidade Nipônica da cidade.

– O Voltaço também já fez várias ações. Começou com arrecadação de alimentos, mas também doou itens para serem sorteados e organizou um rifa para a Apae. Além disso, procuramos criar ações em prol do bem-estar dos assistidos e alunos. Trouxemos o músico Vicente para uma recepção no início do ano letivo. Ele tocou ao vivo aqui na entrada, um momento muito bonito, cheio de emoção. Criamos também o ‘Apae de Portas Abertas para as Artes’, um evento bacana para chamar a atenção da comunidade – com grafite, bloco de carnaval, capoeira e a participação de um motoclube. Eu nem saberia agradecer a todos que se envolveram conosco – comemora.

Apae agradece

De forma criativa e incessante, a Apae vem tentando mudar a realidade do início do ano, driblar a crise e manter o atendimento com possibilidade de admitir novos assistidos. O agradecimento à população e ao empresariado de Volta Redonda é feito em forma de muito trabalho.

– Continuo convidando a todos para conhecer nosso trabalho, ver que é sério e confiável e nos ajudar. Não adianta eu só falar que a Apae faz esse trabalho. Queremos que as pessoas vejam esse trabalho, vejam as crianças estudando, sendo tratadas e evoluindo. O trabalho é muito emocionante, muito bonito, é uma lição de vida. Eu fico até emocionado ao falar da Apae porque é um trabalho que não pode se interromper de forma nenhuma. E se depender de nós, não vai fechar – concluiu Mário Vitor.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

5 comentários

  1. Avatar

    Parabéns Presidente. Não o conheço pessoalmente, mas o senhor merece toda a ajuda possível. Uma entidade iguala a APAE não pode fechar. Vou procurara a instituição para ajudar no que for possível. Eleição na APAE só aparece uma chapa para concorrer, pois não tem JABÁ, em compensação outras por ai, onde corre muita grana
    dá até briga para entra na Direção.

  2. Avatar

    As Igrejas católicas e protestantes podiam todo final de semana fazer uma barraca de pastel e doar parte do dinheiro para a APAE.

  3. Avatar

    Parabéns…
    Agir e correr atrás.
    Não pode ficar esperando desse estado falido…
    Peçam ajuda dos empresários e façam um grande arraia beneficente…
    Façam uma lojinha na frente da apae, vendendo produtos, doações…

Untitled Document