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André Trigueiro fala sobre a prevenção do suicídio no Brasil

Matéria publicada em 7 de dezembro de 2015, 14:23 horas

 


Evento organizado pelo CVV de Volta Redonda reuniu cerca de 300 pessoas no Dia Internacional do Voluntariado

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Legenda da foto: Jornalista André Trigueiro alertou sobre fatores que levam a pessoa a suicídio e falou sobre o trabalho voluntário
(Foto: Divulgação)

Volta Redonda- Foi realizada na tarde de sábado, dia 5, em Volta Redonda, a palestra “Viver é a Melhor Opção – A Prevenção do Suicídio no Brasil e no Mundo”, com o jornalista André Trigueiro. Organizado pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) de Volta Redonda, em conjunto com a Ajorsul (Associação de Jornalistas do Sul Fluminense), o evento faz parte da agenda de lançamento do livro homônimo, e reuniu cerca de 300 pessoas no auditório Milton Carlos, no UGB (Centro Universitário Geraldo di Biase).

Trigueiro deu início à palestra falando sobre voluntariado, citando dados de uma pesquisa que concluiu que, no Brasil, 16 milhões de pessoas afirmam fazer algum tipo de trabalho voluntário.

– É um número alarmante, visto que representa apenas 10% da população. É algo a pensar: o que seria do mundo hoje sem os voluntários? – propôs, lembrando que 5 de dezembro é o Dia Internacional do Voluntariado.

Em seguida, o jornalista pontuou os capítulos do livro, resumidamente, explicando sobre o longo trabalho de pesquisa, que durou 16 anos até dar origem à publicação. O objetivo, segundo o autor, é demonstrar como, na maioria das vezes, o suicídio pode ser evitado. Para isso, segundo ele, basta haver informação acessível sobre o assunto.

– Informação vale ouro. Da mesma forma que se enfrenta a dengue, Aids, malária, também é com informação que devíamos enfrentar o problema do suicídio. Em 90% dos casos, ele pode ser prevenido, já que é associado, normalmente a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, como a depressão – citou.

De acordo com o jornalista, o Brasil é o 8º país no mundo em incidência de suicídios – e chega à 6ª posição em algumas estatísticas. A dificuldade em se tratar do assunto, para ele, é a questão de ser, ainda hoje, de um tabu. Esse entrave em abordar a questão, porém, é o que acaba permitindo o avanço dos casos mundo afora.

O autor listou os principais fatores que podem levar uma pessoa a cometer suicídio, entre eles, doenças como a depressão, e a dependência de drogas. Além disso, ele citou os grupos que estão mais expostos a essas causas, como indígenas, mulheres, homossexuais e idosos – pelo fato de não se sentirem totalmente aceitos em determinadas situações. Para ele, um dos primeiros passos, é compreender a diferença entre estado depressivo e depressão.

– O primeiro faz parte da vida. São momentos de tristeza pelos quais qualquer pessoa passa às vezes. Já a depressão é uma patologia, um transtorno que altera o funcionamento normal do cérebro e muda nossas reações a atividades do dia a dia. Quem tem depressão precisa de ajuda – alertou.

Grande exposição de violência na mídia atrapalha

Trigueiro citou dado da Organização Mundial de Saúde (OMS), de que a doença é o segundo fator incapacitante para o trabalho no mundo hoje – em 2030 será o primeiro. Para ele, isso é resultado de uma verdadeira ditadura da eterna alegria, juventude, beleza, força física, que o mundo vive.

– As pessoas acham feio ficar triste, por isso se escondem, fingem estar bem, mas no fundo, se sentem culpadas, na contramão. Quem definiu o jeito certo de ser, de se apesentar? – questionou.

De acordo com o jornalista, cada pessoa é uma espécie de “esponja ambulante”, que sofre influências do ambiente em que está. Por isso, é importante escolher bem o tipo de programas de TV e rádio, e literatura.

– Muitos assuntos negativos, notícias sobre violência, tudo isso afeta nossa mente e acaba determinando nossas emoções, como humor ou mau humor, saúde ou doença – disse.

O jornalista se declarou a favor da posição da mídia em não noticiar casos de suicídio, já que, dependendo da forma como o tema é abordado – até mesmo na ficção – pode soar como sugestão a uma pessoa fragilizada emocionalmente. Mas, quando a divulgação se torna inevitável, como a morte do ator Robin Willians – assunto mais pesquisado na internet em 2014 – há que se tomar cuidado.

– A OMS tem recomendações para isso, como evitar espaços generosos na imprensa; não descrever detalhes do método empregado; não enaltecer as qualidades morais da pessoa. O suicida não procura a morte, mas a solução para o seu problema – afirmou.

Após a palestra, o jornalista respondeu a perguntas da plateia e encerrou o evento autografando livros.


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