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Apadem afirma que ainda existem escolas que recusam autistas

Matéria publicada em 18 de fevereiro de 2018, 19:26 horas

 


Volta Redonda – As escolas, em geral, sejam particulares ou públicas, ainda estão em fase de preparação para receber os alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Esse processo, segundo Márcia das Candeias Alvarenga de Morais, presidente da Apadem (Associação de Pais de Autistas e Deficientes Mentais), demanda tempo e investimento sério na preparação dos profissionais e de um projeto pedagógico que atenda as necessidades do aluno autista.

– Depende muito do poder público, do empenho da direção e da equipe pedagógica da escola abraçar esta causa e procurar caminhos para alcançar a inclusão educacional do autista. E, embora existam leis bem claras em relação à negativa de matrícula para esses alunos, ainda existem casos de recusa ou de dificuldade para aceitação do aluno autista, principalmente em algumas escolas particulares – lamenta.

Segundo Márcia, que além de representante da Apadem, tem um filho autista de 29 anos, os pais devem ser cuidadosos em defender o direito da criança à educação e exigir o cumprimento das leis. “A rede pública municipal tem se esforçado para atender à demanda de seus munícipes, mas ainda é preciso avançar muito para ter uma escola adequada ao atendimento do aluno autista”.

– Pela complexidade desse atendimento, onde se faz necessária uma série de medidas, como por exemplo, a presença de uma mediadora para o autista que dela necessitar, o acompanhamento em salas de apoio pedagógico, profissionais da educação capacitados e que entendam minimamente quem é aquele aluno especial, para que possa transmitir ensinamentos a esta pessoa, ainda é necessário uma boa capacitação dos profissionais envolvidos – falou.

Pela Lei de Diretrizes e Bases todo aluno deve ser matriculado preferencialmente na rede regular de ensino, então, afirma Márcia, os responsáveis pela criança autista não devem optar por uma escola especializada tirando desta criança a oportunidade e o direito de frequentar um ambiente escolar onde possa desenvolver suas habilidades sociais e acadêmicas.

– Cada pai tem uma experiência nem sempre positiva ao matricular seu filho em uma escola. Mas não podemos desistir no primeiro obstáculo. Temos que enfrentar o desafio junto com os profissionais e promover as mudanças necessárias nesta escola que se propõe inclusiva onde todos tem que rever conceitos e preconceitos. E assim a escola será, de fato, uma aliada dos pais, ajudando no desenvolvimento dessa criança – esclareceu.

De acordo com Cynthia de Oliveira Abrahão, vice-presidente da Apadem, e mãe de Davi, autista de 12 anos, é necessário estudar, pesquisar, entender o que é o autismo, respeitando o autista, não subestimando suas capacidades e, se possível, sendo humilde e aprendendo com eles. Pois é convivendo com a diversidade que a escola cumpre seu papel de formar cidadãos de bem e contribuir para a formação de uma sociedade inclusiva e respeitosa.

– Sejam autistas ou pessoas com outras deficiências, que todos nós, pais, profissionais da educação e a sociedade como um todo, possamos entender a chance que estamos tendo de receber um grande presente e uma grande lição de vida – declarou Cynthia.

 


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