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Após estudos, INB faz reparo em dispositivo de Angra 2

Matéria publicada em 6 de agosto de 2016, 14:35 horas

 


Elaboração do projeto para a realização da manutenção na usina nuclear levou dois anos

Juntos: Todo o estudo foi feito por técnicos da INB em parceria com técnicos de Angra 2 (Foto: Divulgação)

Juntos: Todo o estudo foi feito por técnicos da INB em parceria com técnicos de Angra 2 (Foto: Divulgação)

Resende – A equipe de Serviços em Reator (SER) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) executou o reparo no Fuel Rod Canister (FRC), dispositivo utilizado para armazenamento de varetas combustíveis irradiadas danificadas, que fica dentro da Piscina de Combustível Usado (PCU), danificado durante a parada programada da usina de Angra 2, em 2014. A elaboração do projeto para a manutenção, que nunca havia sido feita no mundo, levou dois anos. Todo o estudo foi feito por técnicos da INB em parceria com técnicos de Angra 2, depois de o serviço ser considerado inviável por profissionais da Areva, empresa francesa. Todo o serviço foi concluído em junho deste ano.

O FRC foi danificado em uma das manobras realizadas durante uma parada programada. Desde então, o Rod Canister ficou em local provisório na PCU, pois devido ao dano sofrido, impedia a Eletronuclear (ETN) de realizar o reparo nos Elementos Combustíveis (ECs), caso necessário. Na parada programada de 2015, não houve nenhum Elemento Combustível danificado, com isso, o espaço ocupado pelo FRC não precisou ser utilizado.

O problema abriu caminho para o diálogo entre a INB e a ETN. Do diálogo nasceu a ideia do projeto para reparar o Rod Canister. O desenvolvimento do projeto começou em setembro de 2014. Muitos estudos tiveram que ser feitos, uma vez que a atividade deveria ser realizada em um ambiente submerso (12 metros de profundidade) e com radiação elevada, até a realização da manutenção, o que gerou uma economia para a ETN de aproximadamente dez vezes o valor do FRC, aproximadamente 400 mil euros.

– Nós começamos a desenvolver o projeto baseado nos desenhos técnicos do FRC e com base no conhecimento dos dispositivos da ETN e nos serviços de usinagem e montagem da INB. Assim começamos a montar um método próprio – disse o engenheiro mecânico responsável pelo projeto, Rogger Faria.

O desenvolvimento foi acompanhado por profissionais da ETN, que deram sugestões durante todo o processo. O trabalho também foi submetido à bancada técnica da ETN, para questionamento da tecnologia.

– Uma comissão da ETN acompanhou o primeiro teste, que foi feito na INB e depois tivemos que repeti-lo no local – explicou o engenheiro. O serviço durou duas semanas e foi apoiado por uma equipe de técnicos da ETN.

O trabalho executado teve alto nível de sofisticação técnica, pois o corte foi muito pequeno, na escala de três milímetros. Por isso, a necessidade de desenvolver essa tecnologia. Além disso, havia varetas irradiadas muito próximas ao local do reparo e foi necessário cuidado. Foi necessário também um ensaio prático antes do reparo, mas tudo foi feito de maneira submersa, dentro da própria PCU.

O sucesso do trabalho abriu portas para a INB. A ETN já solicitou outra parceria para os próximos dois anos: a da montagem de uma bancada de inspeção utilizando a técnica de ultrassom com um método desenvolvido em parceria com a INB para inspecionar falhas em varetas de ECs. O superintendente da Engenharia do Combustível da INB, Reinaldo Gonzaga, acredita que essa experiência pode abrir oportunidades para equipe técnica da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) se qualificar em reparo do Elemento Combustível e com isso aumentar a receita da INB.


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