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Aumenta violência praticada por moradores de rua em Volta Redonda

Matéria publicada em 13 de janeiro de 2016, 16:55 horas

 


Abordagens serão feitas com apoio da Polícia Militar e Polícia Civil para realização de triagem; foco será na Vila Santa Cecília

Esforços: Munir reúne forças sociais e policiais para solucionar problema (Foto: Divulgação PMVR)

Esforços: Munir reúne forças sociais e policiais para solucionar problema (Foto: Divulgação PMVR)

Volta Redonda – Uma reunião realizada na tarde desta quarta-feira (13), na sede da Secretaria Municipal de Ação Comunitária (Smac), decidiu mudar a forma de abordar a população de rua em Volta Redonda. Por conta do aumento de casos de violência praticados por moradores de rua contra comerciantes e agentes sociais, a partir de agora será realizada uma triagem com enfoque também na questão da segurança pública, além do suporte social que já é rotineiro.

Por sugestão do comandante do 28º Batalhão (Volta Redonda), coronel César Augusto de Souza Rosa, as equipes da Smac e da Secretaria Municipal de Saúde farão as abordagens acompanhadas de uma força-tarefa da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Um ônibus recolherá os moradores de rua e os levará até um local previamente preparado, onde estará uma equipe multidisciplinar da prefeitura (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, etc). Neste mesmo ponto ficará uma equipe da Polícia Civil, segundo o delegado da 93ª DP, Eliezer Lourenço.

– Tive essa experiência quando passei pelo 4º BPM (São Cristóvão), no Rio de Janeiro. Temos de conhecer estas pessoas e encaminhar ao social quem precisa do social. Quem estiver em débito com a lei ou tenha cometido algum ato de violência terá o tratamento que qualquer outro na mesma situação teria. Será uma ação social, que terá a presença e atuação policial apenas quando necessário – disse o comandante.

O planejamento prevê que todos abordados tenham as eventuais fichas criminais levantadas, e que todos os casos de violência sejam registrados e apurados. O secretário municipal de Ação Comunitária, Munir Francisco, afirmou que o número de moradores de rua cresceu do fim de ano para cá, assim como houve uma mudança drástica de comportamento.

– Nossas equipes estão nas ruas rotineiramente. Existem pessoas que não reconhecemos, que não são do dia a dia de Volta Redonda. Junto a isso a violência aumentou muito. Os comerciantes, que são vítimas diárias destes atos, nos chamam e vamos fazer nosso trabalho. Só que as equipes estão ficando em risco e isso não podemos permitir. Por isso convoquei essa reunião – disse Munir.

Vila Santa Cecília

O principal ponto de aglomeração de moradores de rua continua sendo a Vila Santa Cecília. As áreas do Largo 9 de Abril, do Largo Cecisa, Memorial Getúlio Vargas e Jardim dos Inocentes são as que registram a maioria das ocorrências.

O proprietário de dois comércios nestas áreas relatou ao DIÁRIO DO VALE que os moradores de rua mudaram e o comportamento mudou, se tornando mais violento.

– Nós sabemos bem quem são aqueles que sempre estiveram aqui e os que estão chegando agora. Isso não ocorria antes e agora está se tornando corriqueiro. Há consumo de drogas e bebida em demasia. Em seguida os moradores de rua entram nos nossos comércios para pedir dinheiro, comida ou bebida. Quando o cliente se recusa, é atacado ou xingado – disse ele, que preferiu não se identificar.

Munir afirmou que as triagens servirão para identificar estas novas pessoas que estão morando nas ruas de Volta Redonda e também para quantificar o aumento da população de rua e os eventuais delitos praticados por eles. “Todos que estão ali precisam de algum tipo de ajuda. Unindo todas as nossas forças poderemos ajudar quem quer ser ajudado, apoiar aqueles que são de boa índole e separar o joio do trigo”.

Campanhas explicativas

O secretário explicou ainda que a prefeitura vai reforçar a campanha para que as pessoas parem de dar esmola ou alimentos por conta própria aos moradores de rua. Segundo Munir, estas práticas apenas estimulam a permanência e o aumento da população de rua.

– Volta Redonda possui uma das melhores redes sociais do país e quem quiser ajudar deve procurar a Smac. Caso contrário, é uma falsa ajuda – destacou o secretário.

Em Volta Redonda a administração municipal disponibiliza uma ampla rede de atendimento às pessoas em situação de rua. A porta de entrada para a rede é o Centro de Atendimento à População de Rua (Centro Pop) Uhady Nasr, localizado no bairro Aterrado, que conta com uma equipe formada por psicólogo, assistente social, pedagogo e advogado, além de uma equipe de abordagem formada por educadores sociais.

Na sua estrutura, o Centro Pop conta com refeitório, sala técnica, lavanderia, armários para os moradores guardarem seus pertences e até com um canil, para os animais de estimação, muito comuns entre esse público. No local os moradores de rua frequentam oficinas de aprendizado e recebem alimentação, além de terem auxílio para regularizar a documentação e encaminhamento para as redes de atendimento do município. A unidade, que tem capacidade para atender 50 moradores, funciona todos os dias, incluindo fim de semana e feriados, das 7h às 22h.

Além do Centro Pop, o município conta também com o Albergue Seu Nadim, que desenvolve atividades de abordagem de rua, com atendimento em higiene pessoal, alimentação, acompanhamento psicossocial de acordo com cada caso, oficinas de reciclagem, documentação pessoal, trabalho de recuperação de dependência química com o encaminhamento das pessoas para o setor de saúde, entre outros serviços. De acordo com a prefeitura, o trabalho prestado pelo albergue busca o resgate da dignidade das pessoas em situação de rua e sua reintegração à sociedade e ao convívio social.

O encontro contou ainda com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Conselho Tutelar, Fundação Beatriz Gama (FGB), Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Civil, Guarda Municipal, Serviço de Obras Sociais (S.O.S), Cais Aterrado, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), e Coordenadoria Municipal de Prevenção as Drogas e Álcool (CMPDA) da prefeitura.


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2 comentários

  1. Tem mais pessoas nessa reunião que moradores de rua na Vila, é sem dúvida uma situação a ser resolvida, o trabalho deveria ser permanente, muitas pessoas vão chegando, basta reparar no São Luiz e no Belvedere em Barra do Piraí, eles acabam por se estabelecerem na cidade, uma coisa é certa, devem ser tratados como seres humanos sem indiferença, muitos se comovem com os acontecimentos na Europa e não reparamos na nossa porta.

  2. Essa é uma boa idéia do Munir, varias vezes ja presenciei isso na vila santa cecilia principalmente em lanchonete eles entram pedem dinheiros para clientes as vezes querem ficar comsumindo bebidas no local e junto importunando os clientes daquele estabelecimento etc..
    Isso tem que ser tratado mesmo levado a sério pois não sabemos com quem estamos lidando pode ser uma pessoa simples e humilde que possa apenas estar necessitando de um alimento como pode ser alguem mas violento , todos dias aparece nos jornais caso de violência desse tipo, precisa ser tratados todos esses casos.
    Parabéns a todos pela iniciativa, muito bacana isso. a cidade agradece.

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