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Brincadeiras violentas preocupam médicos, pais e professores

Matéria publicada em 1 de março de 2020, 08:26 horas

 


Crianças fazem campanha contra desafios que na verdade podem levar à morte-Foto: Divulgação

Volta Redonda e Barra Mansa- Conhecida como ‘Quebra Crânio’ ou ‘Desafio da Rasteira’, uma prática de extremo mau gosto e perigosa ganhou as redes sociais, sendo reproduzida em escolas de todo o país como se fosse uma “brincadeira”. Por ela, uma criança tem as duas pernas puxadas por colegas e acaba caindo, invariavelmente de cabeça no chão. Esta forma bizarra de “divertimento” chamou a atenção da sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e preocupa responsáveis e educadores em todo o país.

Na opinião da neurologista Thaís Magalhães, que atende em Volta Redonda, na Vila Santa Cecília, o desafio ‘Quebra Crânio’ não deve ser intitulado como “brincadeira”.

– Não estamos diante de uma atividade recreativa saudável e sem riscos. Pelo contrário, essa prática pode ser extremamente perigosa às crianças. A criança cairá com a cabeça no chão, não tendo condições de se proteger, gerando grande impacto – alerta.

Desse modo, ressalta a médica, a rasteira pode acarretar graves lesões, tais como fraturas de crânios, lesões na coluna e sangramentos intracranianos graves. Algumas dessas lesões podem causar um comprometimento cognitivo ou mesmo ocasionar sequelas motoras irreversíveis, como tetraplegia. Podem ainda levar a criança à morte.

– Em minha opinião, a melhor forma de evitar essa atitude nas escolas é através da informação e conscientização de professores, pais e alunos, devendo os mesmos ser orientados quanto aos riscos de traumatismos cranioencefálicos e raquimedulares desse ‘desafio’. É notável que não se esteja diante de uma brincadeira inofensiva, uma vez que pode ocasionar graves problemas a saúde das crianças, inclusive com casos fatais. Dessa forma, a conscientização da população é a melhor forma de evitar tragédias – alerta Thaís.

De acordo com o Secretário de Educação de Barra Mansa, Vantoil Souza Júnior, a Prefeitura já tem ciência dessa situação e garantiu que a equipe da Gerência Pedagógica promove encontros com os orientadores educacionais e diretores das unidades para falar sobre o assunto. Desta maneira, orientam os educadores de como abordar os estudantes sobre o risco de fazerem brincadeiras que coloquem em risco a saúde e a vida das pessoas em todos os ambientes.

Já a professora Ivete Gama, diretora da escola municipal Professor Henrique Zamith, no bairro Vila Nova, afirmou que já está ciente do caso e alertou em sala de aula as crianças maiores sobre o risco que esta prática pode causar à saúde. “Solicitei aos monitores da escola para que fiquem mais atentos nas brincadeiras dos alunos durante a merenda. Também pretendo reunir os pais depois do Carnaval, para alertá-los sobre o risco que a brincadeira pode causar aos seus filhos”, disse.

Campanha em escola une alunos
contra ‘Desafio da Rasteira’

A diretora Elaine Aparecida Pereira, que atua em uma escola particular localizada no bairro Jardim Amália II, tomou a iniciativa em lançar a campanha “Aqui somos todos amigos! Amigos não derrubam os amigos! Eles ajudam a levantar! Somos amigos de verdade!” Segundo a diretora, os pais e responsáveis da escola ficaram tão satisfeitos com a iniciativa que foi necessária colocar a campanha na rede social da escola.

– Temos por costume dizer que quem estuda aqui faz parte da Família desta escola e como membros de uma família deveram aprender a nos respeitar e aceitar a individualidade de todos, convivendo assim harmonicamente e na certeza de que esses ensinamentos se estenderão além dos portões da escola, e serão aplicados na vida de cada um de nossos alunos – destacou Elaine.


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Um comentário

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    Educação deve ser em casa. Os alunos de hoje nunca receberam qualquer informação dos pais. Foram para a Creche antes de completar um ano e jamais tiveram limites. Agora estamos vivendo as consequências. A cada brincadeira idiota que se reprimir eles inventarão outra.

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