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Caminhada em Pinheiral celebra o Dia Mundial do Orgulho Autista

Matéria publicada em 16 de junho de 2016, 18:45 horas

 


orgulho autista pinheiral

Caminhada tinha por objetivo difundir o conhecimento sobre o autismo, além de marcar o Dia Mundial do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho (Foto: PMP)

 

Pinheiral – “O autismo não é contagioso. O preconceito sim!”. Durante caminhada em Pinheiral e entre vários cartazes, a frase se destacava e demonstrava o verdadeiro significado do termo Orgulho Autista. A II Caminhada do Orgulho Autista foi realizada na manhã de ontem e contou com a participação de dezenas de pessoas que, ao percorrer a principal via do município, elucidavam a importância da conscientização acerca do transtorno que hoje atinge cerca de dois milhões de pessoas no país e 70 milhões no mundo.

A caminhada, uma parceira entre a prefeitura, a Associação de Pais, Familiares e Amigos de Autistas de Pinheiral (AFAAP), o MOAB/RJ (Movimento Orgulho Autista Brasil) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), tinha por objetivo difundir o conhecimento sobre o autismo, além de marcar o Dia Mundial do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho.

Kátia Rufino é mãe de três meninos. Um rapaz de 20 anos e gêmeos de sete anos. Um deles, Ruan, foi diagnosticado autista.

– Foi com dois anos que descobrimos. Eu já desconfiava. Ele não dormia direito, era agressivo, eu sabia que havia algo errado. E foi durante uma consulta de rotina que a pediatra notou e me deu a notícia – contou Kátia, confessando que a primeira sensação foi de tristeza. “Fiquei triste sim. Não sabia o que era, não sabia como lidar com a situação e ainda estava estressada por conta de ter tido dois filhos de uma só vez. Mas logo que recuperei minhas forças, percebi que eu não queria um filho normal. Eu queria um filho do jeito que ele veio pra mim e, acima de tudo, feliz. Tudo o que é bom para o Ruan, eu faço”.

O mesmo pensamento é compartilhado por Solange Andrade, mãe de Daniel, de 12 anos e autista.

– Meu filho é uma criança normal que brinca, que tem amigos, que vai à escola. Todos são muito acolhedores e têm bastante cuidado com o Daniel. O apoio da secretaria de Educação tem sido fundamental e podemos ver Pinheiral caminhando nesta questão da conscientização e da inclusão de pessoas com necessidades especiais – disse.

Sobre o preconceito, Solange afirma: “Ainda existe. Mas acredito que em breve isso vá acabar”.

A secretária de Educação, Cleonice Pires, participou da atividade e informou que o município atende hoje 20 alunos laudados, além dos casos que ainda estão sob análise. Em Pinheiral, as crianças portadoras do transtorno contam com atendimento em uma sala especializada dentro da Escola Estadual Municipalizada Manoel Teixeira Campos Junior. A secretária acredita na importância da inclusão escolar, acolhendo todas as pessoas, sem exceção, no sistema de ensino, independente de cor, classe social e condições físicas e psicológicas.

De acordo com o prefeito José Arimathéa, o governo municipal tem buscado envolver os profissionais das áreas de saúde e educação para juntos traçarem estratégias de integração e acolhimento. Presente à caminhada, o prefeito ressaltou a importância de saber identificar o transtorno dentro de casa e nas escolas a partir das mudanças de comportamento das crianças.

– As causas e diagnósticos estão sendo cada vez mais estudados e o apoio e a sensibilidade da sociedade nesta questão são fundamentais – frisou.

 

Sobre o autismo

 

‘Pessoas autistas vivem em seu mundo próprio? Mito! Autistas vivem no nosso mundo’. Esta afirmação é da coordenadora do MOAB/RJ, Cláudia Moraes, que também prestigiou o evento em Pinheiral. Cláudia explicou que cada criança autista tem diferentes níveis do transtorno, o que torna o tratamento individual.

– O autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: a inabilidade de interação social; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se; e padrão de comportamento restritivo e repetitivo – enumerou.

Sobre os dados alarmantes, ela disse que o número tem aumentado significativamente.

– Por isso estamos rodando o país para difundir conhecimentos e diminuir preconceitos. Hoje, em crianças, o autismo é mais comum que diabetes, câncer e Aids somados – afirmou Cláudia, acrescentando que também é mãe de um jovem autista. Entre os sinais de alerta, ela cita alguns como: ausência de medo de perigos reais; aparente insensibilidade a dor; rejeito de carinho; apego inadequado a objetos; risos e gargalhadas inadequadas; não conseguir manter contato visual; resistência a métodos normais de ensino; forma de brincar intermitente.


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