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Cem anos de dedicação e amor ao ensino

Matéria publicada em 13 de setembro de 2015, 08:30 horas

 


Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros, o asilo das órfãs, é referência em educação e no cuidado com seus alunos

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Ideal: Escola de Barra Mansa tem como prioridade atendimento a crianças carentes do município (Foto: Paulo Dimas)

Barra Mansa – Educar com amor. Essa é a palavra de ordem que há cem anos impulsiona a Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros, antigo Asilo das Órfãs da Congregação Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo, que completou recentemente dez décadas de serviços prestados em Barra Mansa, com motivos de sobra para comemorar. Além de ter realizado uma programação festiva e religiosa, a direção da escola conquistou, no ano do centenário, o retorno de benfeitores que contribuem com o funcionamento da unidade e também colocou em prática obras de melhoria na instituição.
Conforme explica a diretora do local, a irmã Sandra Lima, a história da Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros tem como centro a criança carente do município, em especial as meninas que, dependendo das condições da família, têm oportunidade de estudar em horário integral.
– Nosso ideal é educar pelo caminho do amor, tendo em vista que o educando seja autor da sua própria história e sujeito ativo na construção de um futuro melhor para todos – ressaltou a irmã, ao informar que, neste ano, a escola tem matriculado 300 alunos, no total, sendo 82 meninas de 6 a 11 anos, no período integral e 218 estudantes, entre meninos e meninas, no período da manhã.
De acordo com a diretora, a escola é grata a todos os sacerdotes, médicos, comerciantes, empresários, fazendeiros, grupo de casais do asilo, prefeitura, autoridades civis e militares, Corpo de Bombeiros, meios de comunicação, empresários, voluntários, professores, amigos, benfeitores, funcionários, pais, alunos, ex-alunos e todas as pessoas que, no anonimato, também fazem ou fizeram o bem à escola, ao longo desses cem anos.
– Muitas dessas pessoas que por aqui passaram já se encontram junto de Deus. Com certeza são muito felizes, pois suas vidas foram úteis à humanidade. Neste ano podemos comemorar o retorno de muitas parcerias e benfeitores que têm importância fundamental para manutenção da escola – comentou a irmã, ao ressaltar que a escola também conta com a contribuição mensal, dos pais, no valor de R$ 150 reais.

Atividades diversas

Conforme explica a coordenadora da escola, professora Angélica Campos Dias, além da escolaridade, que vai até o 5º ano do Ensino Fundamental, as crianças matriculadas na escola Cecília Monteiro de Barros ainda têm incluídas, no dia a dia, aulas de inglês, informática, educação física, ensino religioso e atividades como a Sala de Leitura, que visa estimular os alunos e também incentivo à musicalização através do Projeto Música nas Escolas. Paralelo ao projeto, as crianças também participam de aulas de pífaro e violino. Já as meninas, que frequentam a escola em horário integral, têm o período da tarde ocupado com aulas de música, bordado, patchwork, dança, atividades esportivas e estudo dirigido.
Embora seja uma instituição que tenha um ensino com direcionamento católico, a coordenadora esclarece que a escola possui alunos de todas as religiões, respeitando assim a opção de cada família. Prova disso é que durante as leituras bíblicas, feitas em sala de aula, cada crianças utiliza o livro da própria religião.
– Quando os pais nos procuram, na busca de uma vaga para os filhos, eles são informados de que essa é um instituição católica e que, ao longo do ano letivo, haverá programações religiosas. Um exemplo é a coroação à Nossa Senhora. Mesmo que o filho não vá participar, os pais são informados de que terá ensaios e que a criança deverá permanecer juntos aos demais alunos, durante esse período – esclareceu Angélica.

Metodologia de Ensino

Ao esclarecer que todas as professoras da Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros são cedidas pela prefeitura, a coordenadora explica que as profissionais são capacitas para seguirem a metodologia RCE (Rede Católica de Educação), com a qual a escola é conveniada. Todo conteúdo pedagógico, bem como os livros e material didático utilizado pelas professoras, são fornecidos pela RCE.
– Não dispensamos o conteúdo que as professoras já possuem, no entanto, o direcionamento das aulas é com base na metodologia da Rede Católica de Educação – esclareceu a coordenadora.
Sobre o processo de seleção, a diretora, irmã Sandra, explicou que o procedimento é baseado em um edital de vagas que segue determinados critérios como resolução. Um deles, conforme ressaltou, é o atendimento à família e a criança carente, com prioridade para aquelas que estejam sob risco social. No caso em que as famílias pleiteiam uma vaga integral, uma equipe da escola realizada até a residência da criança para constatar a real necessidade.
– A escola nasceu com o propósito de educar e amparar as crianças necessitadas do município e, assim, estamos realizando o nosso trabalho ao longo dos anos – ressaltou a diretora.
Segundo irmã Sandra, o apoio dos pais, benfeitores, empresas e os recursos adquiridos através de eventos como, por exemplo, a festa junina, foi fundamental para a realização de algumas melhorias feitas na escola. Entre elas, a obra na entrada principal dos alunos, a reforma da capela, da quadra e do refeitório.
– Tudo foi realizado através de doações e nós somos muito gratos ao apoio que recebemos de várias pessoas. Até o final do ano, as melhorias previstas são a reforma dos banheiros masculino e feminino, um projeto antigo da escola, a reforma das salas administrativas e do salão da escola, onde funciona nosso auditório – adiantou a irmã.
A Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros fica na Rua Doutor José Alves Caldeira, no Centro. No próximo dia 13 de setembro, como ocorre todos os anos, um almoço, com churrasco, organizado pelo grupo de Casais que já existe há 45 anos. O evento acontece no próprio asilo, das 12h às 14 horas.

Sonho de mãe

Para a agente de saúde, Vivian Aparecida de Oliveira Virgínio, de 37 anos, ter conseguido uma vaga integral para a filha, a pequena Estephany de Oliveira Virgínio, de 8 anos, foi a realização de um grande sonho. Há três anos a filha da agente estuda no local onde, hoje, cursa o 3º ano do Ensino Fundamental. Ela, que é de família evangélica, diz que tentar uma vaga no integral para filha foi a única saída para que pudesse trabalhar para fora e, dessa forma, aumentar a renda da família.
– Não tinha com quem deixar ela para que pudesse trabalhar. Ela sempre ficou numa creche pública, mas que atende somente crianças pequenas. Ter conseguido matricular ela no asilo era tudo o que queria muito porque, além da qualidade do ensino, que é de nível particular, a escola ainda tem o diferencial de trabalhar valores na trajetória das crianças – comentou a agente, ao agradecer a toda direção da escola pela atenção e dedicação às crianças.
Segundo ela, nem mesmo a rotina de ficar das 7h às 16 horas, na escola, consegue desanimar a filha, que participa das aulas extras como dança, artesanato e de pífaro.
– Qual mãe não gostaria de uma oportunidade como essa para um filho?  A escola é perfeita. Tem ensino de qualidade, atividades extras e o trabalho de uma equipe que valoriza e estimula princípios nas nossas crianças – finalizou Vivian.

Por Roze Martins
(especial para o DIÁRIO DO VALE)


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2 comentários

  1. Avatar

    Parabéns, minha filha Manuella estudou na escola e só tenho elogios, para todos que trabalham na escola, pelo ensino, por tudo.

  2. Avatar

    Parabéns à Escola Doméstica Cecília Monteiro de Barros!

    Interessante é uma escola de qualidade com ensino de qualidade tendo professores públicos apoiado por voluntários.

    Esse exemplo prova que solução para o Ensino de Qualidade neste MEU BRasil tem solução, basta vontade política.

    Os gestores dessa escola não merecem ser taxados de ÊTA POVINHO

    E para ficar melhor ainda, nossas escolas/professores precisam abandonar o paradigma de que escola e professor educa. Professor até pode educar os seus filhos; nunca os filhos dos outros. Isto é impossível num país democrático como o Brasil. Qual professor pode obrigar um aluno a estudar senão os pais? A minha querida avozinha dizia que para corrigir o crescimento de uma árvore necessita de amarrar o tronco dela numa estaca reta. Para educar uma pessoa tbm é necessário cobranças rígidas, às vezes. Qual professor/escola pode fazer isto senão os pais? Os pais podem sim ajudar os professores na INSTRUÇÃO DELES e os professores podem ajudar os pais na educação dos filhos, orientando-os.

    Nas palavras do professor Armindo Moreira autor do livro PROFESSOR NÃO É EDUCADOR onde ele defende que os pais sonham com um filho, colocam-no no mundo, amamentam, criam, cuidam deles, e a escola e os professores é que dizem que vão educá-los?

    Se os pais atuais não conseguem educá-los com eficiência faltou-lhes Ensino de Qualidade das escolas e professores do passado – e atuais – que insistem em tirar deles essa obrigação.

    Resultado: nem os filhos são educados adequadamente e nem o Ensino de Qualidade se desenvolve com sucesso.

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