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Crescimento de diabetes entre crianças preocupa entidades

Matéria publicada em 2 de julho de 2018, 14:03 horas

 


Associação diz que maioria dos casos são desconhecidos o diagnóstico acaba sendo descoberto quase por acaso

Barra Mansa –  Na semana em que se comemorou o Dia Nacional de Diabetes, o tema voltou a ganhar destaque entre os profissionais de saúde. Motivo: o constante aumento no número de pacientes com a doença. Entidades que trabalham na orientação de pacientes com esta patologia, registram o crescimento da diabetes entre crianças de 2 a 13 anos de idade. A maioria delas, porém, desconhece o diagnóstico que acaba sendo descoberto quase por acaso.

A realidade é comprovada pela Associação de Diabéticos de Barra Mansa que acumula pelo menos sete mil pessoas com a doença e um número crescente de pacientes mais jovens. “Durante as ações em bairros muitas mães acabam levando os filhos e ao estimularmos os exames descobrimos a doença nas crianças”, comentou a diretora da entidade, Eterna Quintão, lembrando que os pais ao obterem o resultado positivo levam um grande susto.

E os motivos para tanta preocupações têm justificativas. A doença não tem cura, vem sendo considerada uma epidemia global e exige um acompanhamento médico com regularidade. Os descasos com o tratamento podem, de acordo com o cardiologista Marcos Maielo Maximiano, levar a graves consequências. Isto porque a diabetes aumenta, em pelo menos, quatro vezes o risco de infarto. Olhos, cérebro, nervos periféricos, extremidades – pé -, rim, vasos sanguíneos periféricos nas pernas, são partes do corpo mais afetadas pela doença.

Os fatores de risco são praticamente os mesmos: obesidade, sedentarismo, alimentação desequilibrada e estresse contribuem em muito para o surgimento da doença. O sinal de alerta deve acender quando sintomas como muita sede, muita fome e perda de peso surgem sem explicação. Maielo lembra que jovens com sobrepeso, sedentarismo e alimentação desequilibrada, devem sempre ficar alertas. Uma vez doentes, devem seguir sempre as recomendações e buscar controlar os níveis de glicose no sangue.

Dieta equilibrada, atividade física regular, exercer uma profissão que traga satisfação são dicas que ajudam a combater a doença. Já os videogames e biscoitos estão na lista de vilões favoráveis ao surgimento da diabetes. “A doença requer ações a médio e longo prazo, sendo preciso retomar uma política preventiva e efetiva para controle”, ressaltou o médico.

 

Alimentação

 

A alimentação saudável é uma grande aliada no controle da diabetes. Uma vez ingerida descuidadamente pode, porém se tornar um fator de risco para a vida dos pacientes. A maioria reclama, no entanto, que as opções de alimentos nem sempre são atrativas. A nutricionista Vanessa Vasconcelos, no entanto, garante que é possível comer de tudo, desde que seja da forma correta.

O consumo de carboidratos (macarrão, arroz, farofa, angu entre outros) não precisa ser deletado da lista, mas não devem, porém ser ingeridos na mesma refeição. Já as saladas com folhosos e legumes crus ajudam no controle da glicemia. O mesmo ocorre com a aveia nos lanches e frutas, pois sendo um alimento rico em fibras, ajuda a controlar a glicemia, além de trabalhar a função intestinal. Já o açúcar deve ser o primeiro a ser cortado da lista dos pacientes com diabetes.

Para as crianças diabéticas a alimentação adequada prevê um cardápio com alimentos integrais, saladas cruas e frutas. Alimentos industrializados como sucos de caixinha e muitos biscoitos possuem grande quantidade de açúcar e, por isso, devem ser excluídos da lista.

Associação dos Diabéticos de Barra Mansa é uma das entidades que vai às ruas com regularidade orientar a população

Associação dos Diabéticos de Barra Mansa é uma das entidades que vai às ruas com regularidade orientar a população

As porções menores de doces industrializados diet só poderão ser ofertadas com orientação de um nutricionista. A utilização de um adoçante deve ser prescrita de acordo com o quadro clínico da criança. Vanessa ressalta que uma reeducação alimentar, horários ajustados e atividade física acompanhada, são estratégias que vão ajudar e melhorar o quadro clínico da criança.

O apoio dos pais e a redução do excesso de arroz, macarrão, farofa, angu entre outros (que são alimentos do mesmo grupo alimentar, os chamados carboidratos simples) em uma mesma refeição também contribuem para o bem estar dos pequenos.

 

Mitos

 

Diabetes é uma doença contagiosa

Pessoa com diabetes devem ter alimentação diferente da outras.

Pessoa com diabetes não podem comer doce

Diabético não pode consumir beterraba, pois é muito doce

Diabético não pode comer nada venha da terra como mandioca, inhame ou batata

 

Verdades

 

Paciente com diabetes devem cuidar dos pés, pois a doença pode causar insensibilidade, má circulação e má cicatrização e, com isso, aumentar o risco de infecção e amputação. O cuidado com os pés deve ser diário, checar a presença de ferimentos, evitar andar descalço e deixá-los limpos e secos, sempre.

O açúcar é energia e sem ela nada funciona, inclusive, nós. O grande problema esta na quantidade e na falta de exercícios.

O consumo de beterraba crua (e em quantidade adequada – por exemplo 1 colher de sopa) juntamente com alface, tomate, entre outros, não é prejudicial à saúde.  Da mesma forma são tratados os alimentos que nascem embaixo da terra, que podem ser consumidos, desde que sejam com salada crua sem excessos.

 

Exames

 

Para realizar os exames com as fitas de glicemia, onde se fura o dedo e faz a aferição pelo aparelho não precisa estar em jejum, inclusive em alguns casos, o paciente monitora mais de uma vez ao dia.

 

Orientações

 

A Associação dos Diabéticos de Barra Mansa é uma das entidades que vai às ruas com regularidade orientar a população sobre os riscos da diabetes.  Nas ações que acontecem nos bairros são ofertadas a aferição da glicemia, palestras, orientações sobre alimentação e nutrição, brinquedos para as crianças, entre outros. Na próxima quinta-feira, dia 5, a Adibam estará em Volta Redonda.

A medida que a entidade percorre os bairros, segundo a presidente da Adibam, as preocupações aumentam. Isto porque, as equipes encontram pacientes com glicose entre 380, 450 e 590. E para deixar a equipe ainda mais preocupada, muitos sequer desconhecem os sintomas e os riscos da doença.

– Há um completo desconhecimento sobre o assunto e o poder público também não realiza atividades frequentas para alertar sobre essa doença – ressaltou Eterna Quintão.

 


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