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Crianças com alergia à proteína do leite exigem cuidados especiais

Matéria publicada em 14 de janeiro de 2017, 16:10 horas

 


Volta Redonda – Uma boa alimentação, rica em nutrientes, é muito importante para todas as pessoas, inclusive as crianças. Mas no caso dos pequenos que tem algum tipo de alergia ou intolerância alimentar, os pais devem ficar alertas e tomarem alguns cuidados.

De acordo com a médica pediatra Efigênia Vanda de Jesus, é importante ressaltar que alergia difere de intolerância alimentar, que é uma reação adversa aos alimentos, mas sem envolvimento do sistema imunológico. No caso da alergia, os sintomas são variados, desde reações brandas como uma coceira nos lábios, até manifestações graves que podem comprometer vários órgãos.

O leite de vaca, segundo Efigênia, é composto por muitas proteínas, o que não implica que tenha alergia à proteína de outros tecidos da vaca, como a carne e, sim a algumas proteínas que compõem o leite, ou seja, alergia à carne é rara, deve-se fazer restrição deste alimento apenas se for confirmada reação após seu consumo.

– Para uma refeição sem riscos, é preciso estar atento além do preparo e conservação dos pratos, aos ingredientes. É necessário ler a relação dos componentes no rótulo, para ver se o produto pode ser consumido com segurança, isto é, se o alimento é isento de substâncias que possuem as proteínas do leite. Usualmente, arroz, feijão, carnes, legumes e frutas, são seguros aos alérgicos e aos intolerantes alimentares – esclarece.

Quanto ao consumo de leites com fórmulas especializadas, a pediatra afirma que a indicação ficará a critério do médico, conforme a idade e o tipo de reação que a criança apresenta.

Nutricionista orienta sobre cuidados

De acordo com a nutricionista Márcia Teixeira Ferreira, existem realmente a intolerância a lactose e a alergia a proteína do leite, como também existe a alergia a proteína da carne.

No caso da intolerância, ela ocorre quando a criança não tem condições de digerir uma determinada substância. Já a alergia, a pessoa consegue digerir, mas o seu corpo não consegue reconhecer este alimento como uma substância benigna (boa), criando anticorpos contra aquilo que está presente no alimento.

– Na intolerância à lactose, uma vez intolerante dificilmente ela reverte. Já a alergia, ela pode fazer um processo de dessensibilização, diluindo este agente nocivo em milhões de vezes. Na intolerância à lactose, a mãe não pode oferecer nada que tenha leite e seus derivados. Uma das opções é utilizar leite de soja ou leite de cabra, sendo que a soja pode ocorrer uma reação cruzada ao leite de vaca, portanto, neste caso é melhor o leite de cabra – recomenda Márcia.

Segundo a nutricionista, atualmente algumas empresas já oferecem o leite de cabra em pó, como também leites modificados de cabra e soja com fórmulas lácteas. Já para as crianças que apresentam alergia a carne vermelha, Márcia diz que o ideal é oferecer outras opções como carnes de frango e de peixes.

– E quando a criança chega ao consultório com algum sintoma de intolerância ao leite e alergia a carne, nós ainda temos a alternativa de oferecer a carne de rã, que apesar de ser um pouco mais cara, é uma excelente opção de alimento e muito saudável – salienta Márcia.

Atenção redobrada na hora de alimentar a criança

A empresária Samille Simões, dona de uma creche no bairro Laranjal, ficou surpresa e muito preocupada quando descobriu que seu filho, Pietro, era alérgico à proteína do leite e ainda tinha intolerância à proteína da carne vermelha.

– Tive conhecimento de sua alergia quando ele estava com seis meses de idade, e começou a apresentar reações alérgicas, chegando a ter parada respiratória em decorrência do fechamento de sua garganta. No caso dele, além de não poder ingerir este tipo de alimento, ele também não pode tocar. Desde então tive que me adequar à nova realidade e passar a tomar alguns cuidados alimentares com ele. Hoje, com cinco anos, Pietro já se acostumou a comer somente o que ele pode, e para não privá-lo de festas e eventos, geralmente levo o alimento dele – esclarece.

Samille diz que participa normalmente de almoços e festas em casas de familiares, mas toma alguns cuidados, como preparar a alimentação de seu filho separadamente. “Sempre leio todos os rótulos dos produtos”.

Segundo a empresária, toda alimentação do Pietro é preparada com bastante cuidado.

– Sobremesa, por exemplo, só se for sorvete que não leva leite, podendo gelatina, chocolate de alfarroba (vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado), creme de avelã e creme de leite de soja, evitando bolo e brigadeiro. No caso de bebidas, suco de frutas pode a vontade – explica. “Como ele também tem intolerância à proteína da carne vermelha, podendo comer desde que ela seja cozida em alta temperatura, tomo todo o cuidado na hora de preparar este alimento”, acrescenta.

Em relação a frituras, só alimento que não sejam fritos no mesmo óleo dos derivados de leite, tendo que ser óleo limpo. “Por esse motivo quando saímos para comer algo fora, sempre me certifico no local se os alimentos são fritos separadamente e em óleo limpo. Hoje tem bastante opção para o caso do meu filho, mas alguns anos atrás eram mais difíceis de encontrar”, concluiu.

Cuidado com a alimentação: Pietro é alérgico à proteína do leite e ainda tem intolerância à proteína da carne vermelha (Foto: Arquivo pessoal)

Cuidado com a alimentação: Pietro é alérgico à proteína do leite e ainda tem intolerância à proteína da carne vermelha (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

Por Júlio Amaral

(Especial para o DIÁRIO DO VALE)


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Um comentário

  1. Avatar

    Linda mamãe.

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