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Crise aperta e escolas preparatórias sentem a evasão de ‘concurseiros’

Matéria publicada em 22 de novembro de 2015, 10:40 horas

 


Unidades especializadas em preparar alunos afirmam queda de até 50% no número de matrículas

Garantia: Concurso público para muitos é sinônimo de estabilidade financeira (Foto: Arquivo)

Garantia: Concurso público para muitos é sinônimo de estabilidade financeira (Foto: Arquivo)

Sul Fluminense –A falta de informações do governo Federal acerca de concursos, tais como para a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios, somada à crise financeira que tem afetado a muitas famílias, reflete diretamente na queda pela procura de cursos preparatórios na região. Em algumas escolas especializadas nesse tipo de ensino, a baixa nas matrículas no primeiro e segundo semestres, variou de 25% a 50%, se comparada com outros períodos. É o que afirma o gestor de uma unidade de curso preparatório, Geraldo Majela Alves Filho.

– Até o momento, somente o concurso do INSS foi autorizado e o edital deverá sair em dezembro próximo. Já para outros concursos que também estavam previstos, existe uma escassez de informações muito grande por parte do governo, o que deixa as pessoas inseguras por não saberem se eles realmente irão acontecer. Com isso, a procura pelos cursos preparatórios teve uma queda, neste ano, de cerca de 50%, sendo mais acentuada no segundo semestre – afirmou o gestor.
Ainda de acordo com ele, mesmo com a incerteza sobre a realização dos concursos, é importante que os candidatos não parem de estudar. Porém, diante da crise econômica, ele reconhece que muitas pessoas não estão em condições de se manterem matriculadas. Para quem pretende ter acompanhamento profissional e obter sucesso em um concurso público, as aulas podem custar, em média, entre R$ 700 e R$ 800, para as turmas ocasionais, caso do processo para o INSS, e cerca de R$ 1,7 mil a R$ 1,8 mil, para as turmas regulares, cuja carga horária é maior.
– As pessoas têm priorizado as despesas essenciais e, às vezes, faltam condições financeiras para quem pretende se preparar. Mas, é importante ressaltar que o candidato deve se preocupar em colocar o saber em dia e que a fila do concurso público é longa demais para quem não se dedica aos estudos constantes. Apesar da escassez de concursos nacionais, o candidato não pode ser pego de surpresa, já que, no próximo ano, o governo vai divulgar editais. Quando o país esteve em crise, em 2008 e 2011, logo nos anos seguintes surgiram editais de concursos aos montes – enfatizou o gestor.

Carência

Conforme ressalta o proprietário de uma escola preparatória para concursos, Ramatiz Alves, o anúncio feito pela presidente Dilma Rousseff (PT) é que não haverá novos concursos, além daqueles que já haviam sido autorizados. No entanto, ele acredita que os editais e as confirmações deverão ocorrer de acordo com a necessidade e carência de cada área, como por exemplo, a do INSS, cujo edital deverá sair em dezembro.
– O que se percebe é que os concursos serão confirmados e divulgados de acordo com a carência. Prova disso é que não estava previsto concurso para a Agência Nacional do Petróleo e, esta semana, ele foi autorizado – citou Alves, que observou, desde o primeiro semestre, uma queda de 25% na procura de matrículas em sua escola.
Segundo o proprietário, embora este fato possa ser associado à falta de concursos nacionais, outro motivo que vem afastando os alunos dos cursinhos é a atual situação financeira das famílias.
– Os candidatos sabem que é importante se preparar para o concurso. Mas, antes disso, eles precisam comer, e as coisas nos supermercados estão muito caras, e também precisam de energia elétrica, que nos últimos meses sofreu um grande aumento. Antes de tudo, as pessoas estão buscando sobreviver – destacou Alves.

Prioridade

“Concurseira” assumida, a servidora pública Patrícia Aparecida da Silva, 34 anos, contou que, nos últimos meses, viu as turmas se esvaziarem onde faz seu cursinho preparatório permanente. Ela, que já foi aprovada em concursos municipais e estaduais, afirmou que só não deixou a sala de aula porque, diferentemente de muitos colegas, não é casada e não tem filhos.
– Só estou mantendo a despesa com o curso porque não tenho gastos em casa, já que ainda moro com meus pais. Entendo que muitas pessoas estão sendo obrigadas a deixar o cursinho por ter que colocar em primeiro plano as despesas domésticas e os gastos essenciais para a família – completou a servidora, que agora almeja uma vaga em concurso federal.
A contadora Jussara Martins de Almeida, 33 anos, trabalha em uma multinacional e, desde o início deste ano, assumiu como projeto estudar e passar em um concurso público, para garantir estabilidade. Ela, que pretendia se matricular em um cursinho aos sábados, teve que adiar a decisão e optar em estudar por conta própria. Isto aconteceu, segundo a contadora, porque o marido perdeu o emprego e, desde então, ela vem assumindo as despesas da casa, o que inclui aluguel, escola do filho, compras, contas de água, luz, telefone, entre outras.
– Com tanta coisa pra pagar, já que o meu marido só tem conseguido alguns bicos para me ajudar, não tenho como tirar R$ 800 para investir num curso preparatório. Por isso, tenho me virado, contando com a ajuda de amigos e buscando na internet o máximo de conteúdos que consigo. O importante é não desistir – finalizou.

Por Roze Martins

(Especial para o DIÁRIO DO VALE)


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