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Desemprego e crise sanitária têm levado cada vez mais pessoas a buscarem na coleta seletiva uma nova fonte de renda

Matéria publicada em 13 de abril de 2021, 11:36 horas

 


A crise sanitária e o desemprego são um dos fatores que têm levado muito gente a tal situação. (Foto: Júlio Amaral)

Volta Redonda-  É só dar uma volta pelas ruas da cidade para se observar que houve um aumento considerável de pessoas que passaram a fazer ‘coleta seletiva individual’ nas ruas de Volta Redonda.

A crise sanitária e o desemprego são um dos fatores que têm levado muito gente a tal situação.

De acordo com uma moradora do bairro Vila Brasília que realiza coleta seletiva individual e preferiu não se identificar, com a pandemia as coisas pioraram e ficaram mais difíceis. “Preciso levar algo para meus filhos. Com as latinhas, papelão e plásticos consigo um dinheirinho. Tá muito difícil a vida”, declarou a moradora.

Já Dona Maria, que também está sobrevivendo com a coleta individual nas ruas, afirmou que tem receio de se contaminar na hora de revirar o lixo. “Tenho medo, mas uso luvas e máscara e peço a proteção de Deus para não pegar”, Reagiu Dona Maria, quando selecionava reciclados em frente de um prédio no Aterrado.

Para o catador de reciclados de nome Torres, que circula com seu carrinho entre os bairros Barreira Cravo, Niterói e Voldac, a situação tem feito surgir até ‘pontos de coleta’ alternativos de reciclados. “Os moradores do bairro colaboram, e quando eu não recolho o material nas suas casas, alguns deixam aqui”, revelou Torres.

A presidente da Cooperativa Cidade do Aço, Terezinha de Jesus tem observado que as catadoras que estão nas ruas estão se cuidando mais.  Segundo Terezinha, atualmente a cooperativa está em recesso devido à Covid.

Já o diretor da Cooperativa Folha Verde, Euvaldo Santana, ao analisar a situação, considera que os catadores (as) da rua são ‘águias’, pois em vez de ficarem pedindo alimentos nas casas, saem em busca de reciclados para garantiram o que gostam de comer. “São pessoas do bem. Diante da crise da pandemia, em vez de bater nas casas das pessoas e pedir algo, depender de vizinhos, preferem movimentar e garantir o alimento que precisam. São ‘pessoas águias’, que escolhe o que querem, do jeito que querem, e não têm vergonha”, afirmou Euvaldo.

De acordo com Euvaldo, a maioria dos catadores que circulam pela cidade são mulheres”, analisou o diretor.

Na opinião de Raphael Lima, pesquisador e professor de sociologia (UFF- Aterrado) e colaborador no MEP, a atividades de catadores de resíduos, têm sido em Volta Redonda, de relevância em termo de geração de renda para algumas pessoas que já estavam fora do mercado de trabalho, além da questão da sustentabilidade.

– O trabalho das cooperativas é uma forma de gerar cidadania, inclusão e oportunidade de renda, fato que tem envolvido parcerias, inclusive com a UFF. O aumento de catadores(as) mais recentemente está relacionado a crise econômica, que fez aumentar a informalidade e também a população de rua, não só em Volta Redonda, crescente desde 2017, quando a crise econômica se acentuou com as reformas – argumentou Raphael.


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