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Escola de Piraí desenvolve trabalho de História atrelado à robótica

Matéria publicada em 28 de outubro de 2015, 08:14 horas

 


Iniciativa foi da professora Adelaide Máximo, que contou com parceria das secretarias de Educação e Ciência e Tecnologia

Eja

Trabalho: Alunos elaboraram mapas do Brasil, onde em vez de pintura, os locais foram representados por luzes de LED
(Foto: Divulgação PMP)

Piraí- Alunos do programa EJA (Educação de Jovens e Adultos), da Escola Municipal Lúcio de Mendonça, apresentaram ontem um trabalho dinâmico, desenvolvido na disciplina de História que atrela o conteúdo à robótica. A ideia foi da professora Adelaide Maria Afonso Máximo, que buscou na tecnologia um caminho para motivar os jovens, tanto para os estudos quanto para o convívio, e o resultado foi positivo. A docente contou com a parceria das secretarias de Educação e Ciência e Tecnologia.

Durante três meses, equivalentes a 12 aulas, os estudantes da turma matutina do EJA se dedicaram a apresentar, através de circuitos eletrônicos, o que aprenderam em sala de aula sobre expansão territorial, agronegócio e agricultura familiar. Dois grupos elaboraram mapas do Brasil, onde em vez de pintura, os locais e suas respectivas agriculturas, por exemplo, foram representados por luzes de LED. Os alunos receberam breve capacitação de robótica e informática, aprenderam a soldar e programar de acordo com o mote do projeto. Dentre os materiais utilizados, parte foi reciclado, como cabo de rede que não era mais utilizado.

Para o aluno Paulo Ricardo dos Santos, de 16 anos, a experiência valeu a pena principalmente porque despertou seu interesse por Engenharia. Ele e o amigo Braz Valim de Oliveira, 17, avaliaram o trabalho como “boa estratégia” da professora Adelaide. “Ela é muito esperta”, brincou Paulo Ricardo.

O contato com a solda foi um dos destaques na elaboração do projeto. Braz ficou encantado com a técnica e mesmo com o sonho de ser jogador de futebol, quer investir nessa área também. Ele disse ainda sobre os benefícios que enxergou com o projeto.

– A turma melhorou muito, cooperou bastante, todo mundo se ajudou. Esse trabalho foi realmente um diferencial e despertou o nosso interesse pela aula – enalteceu o jovem.

Abordagem

A Secretaria de Educação apostou em um modelo diferente para a turma do EJA, integrada por jovens de 15 a 18 anos que cursam as fases seis e sete, correspondentes ao 7º e 8º anos. Este é o primeiro ano em que alunos em distorção de série estudam durante o dia e o objetivo é resgatar esses estudantes, mantendo-os mais próximos da realidade quanto à faixa etária e ambiente, além de propiciar mais estímulo aos estudos e apresentar possibilidade de mudança social.

Segundo a professora Adelaide, ela identificou a turma apática e decidiu inovar. Para ela, como as turmas do EJA são diferenciadas, a dinâmica é fundamental e o ensino precisa atraí-los para a realidade.

– A educação não é para o futuro, é para o presente, para ter dimensão de mundo – sintetizou.

Segundo ela, o resultado desse trabalho, aparentemente simples, fez toda a diferença.

– O resultado foi excelente. Achei que a turma se articulou, houve interesse, a maneira como estão se relacionando é diferente. Agora eles estão mais confiantes, participam mais e a frequência nas aulas também melhorou. E a proposta é que no próximo ano eles ensinem os outros alunos – frisou Adelaide.

Aluno como agente ativo

O professor da Equipe de Formação Tecnológica da Secretaria Municipal de Educação, Alessandro Carra Vieira, foi um dos colaboradores do projeto na parte da robótica e se encantou com o retorno dos alunos, que não só acataram a ideia, mas também foram produtores. O professor contou que já no terceiro dia do trabalho os estudantes já demonstraram empenho e curiosidade.

– Nós percebemos o interesse deles quando o sinal para o intervalo tocou e eles continuaram dentro da sala e perguntaram para a professora se eles podiam continuar fazendo o trabalho – lembrou.

Além de contribuir para o aprendizado na disciplina de História, Alessandro percebeu que o contato com a novidade ‘deu uma luz’ para os alunos.

– A gente acabou dando um norte para eles, porque os que gostaram de soldar, por exemplo, já perguntaram onde podem fazer um curso – relatou.

O diretor adjunto Deivy Lima acompanhou o desenvolvimento do trabalho e reconheceu a importância dele para a turma do EJA.

– Um projeto como esse, que envolve tecnologia, educação e conhecimento específico, que no caso é História, faz muita diferença para uma turma como essa. O empenho da Secretaria de Educação em colocar uma turma do EJA de manhã foi fundamental e agora com um trabalho dinâmico, os alunos só têm a melhorar e todo o sucesso desse projeto se deve à competência e criatividade da Adelaide – frisou o diretor.


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