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Falta de conhecimento sobre a síndrome ainda é grande entrave para autistas

Matéria publicada em 8 de abril de 2017, 17:00 horas

 


Entidades que lidam com autismo falam sobre dificuldades e enfrentadas pelas famílias

Barra Mansa e Volta Redonda – Comemorado no último dia 2, o Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi bem movimentado na região. Tanto em Volta Redonda quanto em Barra Mansa há grupos bem organizados e estruturados, que lutam para levar informação sobre a síndrome para a sociedade em geral. Em outra ponta, buscam ajudar as famílias que possuem autistas. Mesmo com todo o trabalho as entidades alertam: a falta de conhecimento sobre o tema é um grande entrave.

Desde fevereiro de 2015 que o MOAB (Movimento Orgulho Autista no Brasil) abriu um braço em Barra Mansa. O movimento faz um trabalho de conscientização e divulgação do autismo e das necessidades das pessoas com a síndrome. Segundo Eliane Policiano, coordenadora do MOAB Barra Mansa, o trabalho é desenvolvido através de palestras, seminários, encontros mensais com profissionais da área e familiares de autistas.

– Promovemos também atividades de recreação para as pessoas com autismo, onde o espaço físico e os estímulos ambientais respeitem as dificuldades sensoriais da pessoa com autismo – diz.

De acordo com Eliane, o autismo é um transtorno do desenvolvimento caracterizado por uma tríade: dificuldade para utilizar com sentido todos os aspectos da comunicação; dificuldade na interação social; e desvio da imaginação. Já o diagnóstico é feito através de observação pelo médico especializado, seguindo alguns critérios já pré-estabelecidos. Em relação às maiores dificuldades que os pais de autistas encontram, Eliane explicou que a falta de conhecimento é a origem de todo problema.

Segundo a coordenadora, os pais recebem o diagnóstico com muita dor e desespero, primeiro por causa da falta de informação e depois por não saber onde e como tratar seu filho autista. O preconceito é muito forte e atuante, os pais ficam com medo do futuro incerto do seu filho.

Apadem em Volta Redonda

De acordo com Marlice Zonzin Abrantes, presidente da Apadem (Associação de Pais de Autistas e Deficientes Mentais de Volta Redonda), no Brasil ainda não há estatísticas a respeito do autismo. A Apadem tem como público alvo pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias. Através de projetos específicos, a associação procura atender todas as pessoas que quiserem se associar à entidade, independente da faixa etária, situação social, credo ou cor, conforme finalidades estatutárias. Estas pessoas buscam apoio psicológico, terapêutico, assistencial e de convivência social.

Ter um filho com autismo, na opinião de Marlice, desafia todas as possibilidades e vontades dos pais. Somente a partir da busca por conhecimento, de novas descobertas, de novos caminhos é que as dificuldades são superadas.

– Não há nada mais forte que uma ideia, uma luta verdadeira em prol da melhoria de vida de uma pessoa. E é essa a tarefa dos pais: buscar, conduzir e aprimorar todas as possibilidades para o(a) filho(a) com TEA. Por um filho fazemos coisas que não faríamos por nós mesmo. Ser pai ou mãe de um filho autista é nos tornar fazedores do improvável – opina.

Um novo olhar para o autista

Segundo Eliane, o autista ainda hoje é visto como um problema para a sociedade. Da mesma maneira, as famílias recebem uma culpa indevida por vários aspectos que circundam os casos de autismo.

– É uma questão para nossos governantes e toda a sociedade procurarem soluções e um novo olhar para as necessidades das pessoas com autismo. Precisa-se melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e seus familiares, que hoje estão em sofrimento. A solução existe, basta ter o querer para que isso aconteça – explicou.

Andanças: Caminhadas e outros eventos buscam chamar atenção e levar conhecimento sobre autismo (Foto: Divulgação)

Andanças: Caminhadas e outros eventos buscam chamar atenção e levar conhecimento sobre autismo (Foto: Divulgação)

 

Aprendendo com o filho autista

Adriana Galvão teve seu filho Leonardo Galvão diagnosticado com Autismo Infantil aos cinco anos.

– O diagnóstico chegou depois de três anos de busca, quando conhecemos o médico que nos mostrou que ser autista não era o fim do mundo, mas o início de um novo mundo! Foi difícil, sim, mas acreditar que poderíamos vencer os desafios impostos pelo diagnóstico fez toda a diferença. Há 16 anos, não se falava sobre o autismo, eu não conhecia nenhuma outra mãe de filho autista – disse ela, que prosseguiu:

– Com o suporte incansável e incondicional da minha família, começamos o tratamento. Muito medo, angústia, sofrimento, dificuldades e no meio de tudo isso uma criança linda, carinhosa, guerreira e muito feliz. Parece impossível, né? Mas é verdade! Leonardo, que hoje está com vinte e um anos, sempre foi muito feliz, determinado, corajoso – meu verdadeiro guerreiro!

Segundo Adriana, ela sempre soube que o Leonardo tinha consciência do que é ser Autista. Mas foi só há bem pouco tempo, quando eles começaram a frequentar as reuniões do MOAB em Barra Mansa, que ela afirma ter dado conta que ele não só tinha consciência do que é ser Autista, como também era capaz de dividir sua experiência nessa jornada de toda uma vida.

Leonardo, hoje com 21 anos, é estudante universitário. Começou este ano a cursar História na UGB (Centro Universitário Geraldo Di Biase), em Volta Redonda.

– Ele está feliz, vivendo o sonho da universidade enquanto descansa em um dos planaltos da sua montanha pessoal, sabendo que a subida não terminou e que muitos desafios o esperam, com a certeza que, assim como sua montanha não tem fim, sua coragem também não – destaca Adriana.


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3 comentários

  1. Avatar
    Jefferson Arantes

    Parabéns sim… As pessoas envolvidas..engajadas… Quanto a essas entidades. E quem não tem.nenhum parente ou amigo autista, mas quer participar, quer fazer parte desta missão, de poder também ajudar de alguma forma.. A quem procurar?? O que a sociedade pode ajudar??Qual o endereço?? horário?? Dias??
    O redação diário do Vale..ajuda aí… Né

  2. Avatar

    Parabéns ao Diario do Vale por esta entrevista com pessoas responsáveis, engajadas, envolvidas, estudiosas na causa “Autismo”.
    Precisa ser tratado com seriedade por medicos, educadores, terapeutas com uma jornada interligada para chegar a um objetivo comum e assim sensibilizar Governo a olhar de forma comprometida dando apoio a estudos e trabalhos que possibilitem diagnosticar o mais precoce possível, como já existe fora do País, evitando maiores sofrimentos para as famílias.

  3. Avatar

    Que sejam bem-vindas todas as iniciativas que visem a integração social dos portadores de TEA, afinal rotular o comportamento humano é tarefa hercúlea e sempre será alvo de estudos evolutivos! O “normal” não passa de um conceito estatístico e o bem estar de todos depende muito da atitude de uns com os outros… “Amai-vos uns aos outros”, lembram-se disso?

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