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Familiares e profissionais que lidam com autistas aprovam a ‘Carteira Nacional’

Matéria publicada em 19 de janeiro de 2020, 07:42 horas

 


Lei que institui o novo documento foi sancionada por Jair Bolsonaro no último dia 08

Movimento de mães e profissionais como da Autisul tornou o tabu sobre o autismo menos duro no Sul Fluminense-Foto: Divulgação

Volta Redonda- Pais e profissionais que trabalham com portadores do Espectro Autista no Sul Fluminense estão entusiasmados com a sanção da chamada Lei Romeo Mion, que institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Reconhecimento, visibilidade para causa e um passo importante para novas conquistas são alguns dos valores destacados pela turma que luta contra a discriminação e pela inclusão social dos autistas.

Romeo Mion é portador de autismo e filho do apresentador de TV Marcos Mion, que se tornou um fiel escudeiro da causa no país e ajudou a sensibilizar o presidente JAir Bolsonaro a colocar a carteira como lei. Com a aprovação do documento, a população de autistas passa a ter prioridade de atendimento em serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.

De acordo com Cláudia Moraes, que tem um filho autista, a sanção da lei ajuda ainda no processo de definir o real números de autistas no Brasil. Além de mãe, Cláudia também é membro da Reunida (Rede Unificada Nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas) e do grupo de Whatsapp Autisul (Autismo Sul Fluminense), que congrega membros como pais, familiares e profissionais de pessoas com autismo.

– O autismo não é uma deficiência visível e a carteira poderá ajudar a garantir direitos que por muitas vezes são negados, como a prioridade em filas, por exemplo. Em relação à Autisul, damos apoio aos pais, promovemos eventos e conscientizamos sobre o autismo – afirma Cláudia.

Para Aline Scisinio, que também faz parte da Autisul e é mãe do pequeno Lucas, autista com 9 anos de idade, a nova lei será crucial para comprovar se a é pessoa enquadrada dentro do transtorno do espectro do autismo. Ela garante que isso evitará muitos constrangimentos para os familiares, já que o autismo não exibe uma característica física específica. “Além disso, como existirá um número de registro, será possível contabilizar o número de pessoas dentro de espectro e, consequentemente, exigir-se políticas públicas mais efetivas”, declara.

Mais agilidade e menos constrangimento

Para a professora Fernanda Maria Faria Moreira, mãe de Samuel José, autista de 4 anos e que foi identificado com TEA(Transtorno do Espectro Autista) há mais de 2 anos, a carteira nacional do autista garante agilidade na busca por atendimento.

– Tendo esta carteira nacional, a pessoa autista ou seus responsáveis poderão usá-la quando houver necessidades. Ter esta carteira nacional do autista será um facilitador, pois vai garantir que a acessibilidade do autista seja mais rápida e fácil, sem ser um alarde. Muitas vezes quando chego num lugar tenho que explicar toda a história do meu filho, deixando ele constrangido. Neste caso, a carteira vai ser um facilitador para não expor a criança, além de ter os seus direitos garantidos – defende.

Segundo Fernanda, a grande dificuldade enfrentada pelos autistas é realmente a inclusão. “Nós temos leis que garantem a inclusão na escola e em diversos espaços sociais, mas por falta de informações, esta inclusão não acontece adequadamente. Muitas pessoas ainda ficam com receio, e muitos profissionais ainda não estão preparados e acabam tendo atitudes arbitrárias. Acredito que tanto esta parte da inclusão como também o atendimento para os jovens e adultos com autismo tem que ser mais adequado”, diz.


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2 comentários

  1. Avatar

    Parabéns ao Diário do Vale por estar atento as políticas públicas que garantem direitos as pessoas com autismo e divulgar isso. Parabéns ao Grupo Autisul pelo show de cidadania!

  2. Avatar

    Sinto muito Orgulho de participar nesse Grupo , a luta pelos direitos dos autistas é árdua e continua, parabéns Claudia, parabéns Autisul. Como mãe Orgulhosa de um rapaz autista, só tenho agradecer.

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