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Deficiente visual faz pré-vestibular na Igreja IPI e é aprovada no Cederj

Matéria publicada em 19 de janeiro de 2020, 08:49 horas

 


Margarete Sabará Honório celebra resultado do vestibular com as professoras- Foto: Divulgação

Volta Redonda – A estudante Margarete Sabará Honório é um exemplo de dedicação e muita força de vontade, cuja história teve desfecho recente feliz. Com cegueira praticamente total nos dois olhos, Margarete acaba de ser aprovada no no Vestibular Cederj (Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro), da Fundação Cecierj”, onde vai estudar pedagogia. Já seria um ato para se ressaltar, mas antes da aprovação a mais nova universitária de Volta Redonda fez muito mais.

Até a aprovação na prova, ela teve que enfrentar muitas dificuldades. Ao longo de dois anos, teve de ter que se locomover da Vila Brasília para o bairro Minerlândia, onde ia estudar aos sábados. Sozinha e com a grave deficiência visual, ela foi atrás de sua carreira com ajuda do Pré-Vestibular Preparação, ligado à Igreja Presbiteriana Independente (IPI), no bairro Minerlândia.

O deslocamento por si só já seria uma batalha, mas ainda tinha as complicações da falta de material adaptado. Essa parte, aliás, vencida com ajuda dos professores e voluntários do projeto. De acordo com a professora Rozane Alves, coordenadora do Pré- Vestibular Preparação, Margarete sempre foi determinada e durante os dois anos foi firme às aulas. Ela utilizou o LEDOR e outros meios eletrônicos para aprender e ensinar.

– Para ajudá-la, os professores do Projeto Preparação (que são todos voluntários) procuraram ler as imagens disponibilizadas nos materiais, como slides, apostilas e no quadro. Eu enviava o material dos professores durante a semana, via e-mail, para que ela pudesse escutar, através de um programa de computador que lê os textos (o DOSVOX, da UFRJ(Universidade Federal do Rio de Janeiro). Assim, ela sabia toda a apostila que seria usada no sábado. Ela levava seu computador com o material gravado para as aulas e acompanhava as aulas com a ajuda de um fone e do seu notebook. O Simulado foi realizado com a ajuda de uma pedagoga, que atuou como ledora da prova e escriba do texto da redação – relatou.

Segundo Rozane, Margarete sempre lhe enviava as redações propostas nas aulas por e-mail. “Eu dava um feedback por e-mail e via WhatsApp, geralmente por áudio, para facilitar. Também ajudei na realização da inscrição do Vestibular, em que solicitei os recursos necessários para a realização das provas”, disse.

Superação a todo tempo

Margarete lembra que começou a estudar apenas aos 19 anos e só com 20 começou a andar sozinha na rua.

– Minha mãe não deixava, também notava que eu não ia para frente da escola e que eu só ficava dentro de casa. Já madura, descobri a Escola Hilton Rocha, especializada. Estudei as séries iniciais nos Colégios Fernando de Noronha e Brasília, passei pelo SESI (Serviço Social da Indústria) e fiz o supletivo de 5ª a 8º. Depois fui para o Colégio Manuel Marinho, onde descobri que era o que queria, e fui para o Colégio Estadual Rio de Janeiro, onde conclui o ensino médio – afirma.

Por volta do ano 2000, Margarete morou por seis meses em Santa Catarina, onde fez vários cursos, inclusive de massoterapia em uma escola de para cegos. No retorno a Volta Redonda, ela participou de concurso na Prefeitura de Itatiaia para auxiliar de câmara escura (reveladora de fotografia), onde está até hoje. “Agora eu sigo na trilha para ensinar os cegos, eu quero fazer isto, vai ter sempre pessoas cegas. Eu quero ensinar como pedagoga”, diz.

Para Rozane, Margarete é um exemplo de garra e determinação. E os alunos nunca reclamavam das dificuldades, porque viam nela a vontade de aprender.

– Para nós, a dificuldade dela era imensa, para ela, a vida é uma dádiva, então ela está sempre de bom humor e está sempre grata a Deus, por ter pessoas que a ajudam na oportunidade de crescer e realizar seus sonhos. Os professores voluntários do projeto sempre a incentivaram, com cuidado em perguntar a ela a melhor forma dela aprender e ela sempre foi muito alegre e irreverente para explicar a melhor forma de a ajudarmos – ressaltou a professora.


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Um comentário

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    A palavra convence, o exemplo arrasta. Sem comentários. Parabéns a todos!

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