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Futebol feminino ainda precisa de ‘lutadoras’ para vencer barreiras

Matéria publicada em 16 de junho de 2019, 07:30 horas

 


Duas pequenas meninas de Volta Redonda dão exemplo ao jogarem entre meninos em escolinha

Pequenas atletas fazem a diferença e se tornam referência na quebra de preconceitos (Foto – Júlio Amaral)

Volta Redonda – Apesar da euforia pela disputa da Copa do Mundo de Futebol Feminino, a realidade é que em Volta Redonda as meninas ainda estão bem distantes do mundo da bola. Um dos maiores exemplos está na Escolinha de Futsal do Firjan-Sesi, onde há pouco interesse por parte das garotas em formar uma equipe. De acordo com o treinador da equipe, Hygor Dias, aos poucos o interesse das meninas pelo futsal até está aumentando, mas ainda assim não foi possível montar um time só de meninas.

– Temos um histórico há vários anos de meninas que fizeram parte do futsal do Sesi, mas infelizmente por falta de demanda nunca conseguimos montar um time só delas. Atualmente, trabalhamos com quatro categorias, sub-7, sub-9, sub-11 e sub-13. No momento, temos apenas duas meninas treinando conosco: a Ana Beatriz Corrêa e a Andressa Paula Trajano – afirmou.

O treinador da equipe destaca que as duas são muito corajosas em superar obstáculos e algumas diferenças, sempre com muita dedicação e assiduidade.

– Ao longo dos anos já passaram muitas meninas na escolinha de futsal, que se destacaram e que chegaram a representar outras equipes. Acredito que a Copa do Mundo de Futebol feminino chegue como fator incentivador do futebol feminino, pois ainda precisamos de mais incentivo para crescer no país e na região – afirmou.

Pais incentivam

Se depender da vontade e incentivo dos pais, as jogadoras da escolinha de futsal vão praticar a modalidade enquanto quiserem.

A técnica de segurança do trabalho Denise Cristina Lima Correa é uma das principais incentivadoras de filha Ana Beatriz, de 9 anos.

– A Ana sempre demostrou interesse pelo futebol. Aluna do Sesi, ela iniciou os treinos aos seis anos. Acredito que ela começou a gostar vendo o pai jogando. Em relação ao futebol, não tenho nenhum preconceito, apesar de já ouvir diversas opiniões de mães sugerindo outras atividades, como balé. Mas ela é muito decidida e gosta muito de esportes. Já fez taekwondo e agora só quer saber de futebol – declarou a mãe.

A atleta mirim afirmou que sempre gostou de futebol e começou brincando com os meninos do bairro.

– Aos poucos, outras meninas foram se juntando e praticando o esporte junto comigo. Gosto de assistir aos jogos do Flamengo e estou acompanhando todos os jogos da seleção feminina também. Se dependesse de mim, jogaria futebol todos os dias – afirmou Ana.

Quem também resolveu abraçar o futebol como esporte preferido foi a Andressa Paula Trajano, de oito anos. Segundo ela, a paixão foi inspirada assistindo aos jogos de clubes masculinos e da seleção feminina de futebol.

– Já treino há dois anos e pretendo continuar jogando futebol por muito tempo, apesar de admitir que também goste de cavalos – declarou.
De acordo com a professora Cleide Cristina da Silva, a filha sempre gostou de esportes agitados. Ela já fez balé, capoeira, e agora pratica natação e futsal.

Cleide acredita que ainda existe muito preconceito, até mesmo entre os pais que não permitem que meninas pratiquem futebol.

– Sempre a incentivamos a praticar esportes e não importamos e nem interferimos nesta sua opção pelo futebol. O problema foi encontrar alguma escolinha de futsal só para meninas neste faixa etária, por isso que acabamos colocando ela nos treinos do Sesi – afirma.

Por Júlio Amaral

 


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