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Infarto entre caminhoneiros alerta para importância de cuidados com a saúde

Matéria publicada em 9 de junho de 2019, 09:00 horas

 


Pesquisa da Confederação do Transporte que esses profissionais trabalham cerca de 12 horas por dia

Sul Fluminense – Uma rotina que envolve sedentarismo, má alimentação, poucas horas de sono, cansaço, risco de assaltos, acidentes e o estresse. Tudo isso faz parte do dia a dia dos cerca de dois milhões de caminhoneiros que viajam pelas estradas e rodovias do país.

Segundo profissionais da área de saúde, a junção destes fatores podem se transformar em sérios problemas de saúde, entre eles o infarto, que foi recentemente foi a causa da morte de dois caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, dentro do trecho que corta a região.

Em um dos casos, ocorrido no dia 6 de abril, um caminhoneiro de 37 anos, morador de Barra Mansa, foi encontrado morto na cabine de uma carreta no km 293 da Dutra, sentido RJ, próximo à entrada de Bulhões, em Porto Real. Na ocasião, segundo informações de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o caminhoneiro teria passado mal, estacionado a carreta no acostamento do viaduto e telefonado para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) solicitando socorro médico. Ele foi encontrado já inconsciente e a suspeita foi de infarto fulminante.

No domingo, dia 26 de abril, outro caso parecido também foi registrado na Dutra, no KM 304, trecho que corta o município de Resende. Um caminhoneiro, de 48 anos, morreu ao sofrer um infarto, enquanto dirigia uma carreta com placa de Mogi das Cruzes (São Paulo). A carreta desgovernada bateu em dois veículos na pista, mas os demais motoristas não tiveram ferimentos graves.

De acordo com o cardiologista Marcelo Cândido, o infarto e outras doenças mais comuns aos caminhoneiros, como a hipertensão e diabetes, estão diretamente ligadas a forma de vida que esses trabalhadores levam nas estradas. Uma pesquisa da Confederação do Transporte que esses profissionais trabalham cerca de 12 horas, por dia e até sete dias por semana.

– É fato que muitos caminhoneiros se alimentam mal e dão prioridade a refeições à base de muita gordura e que ajudam a aumentar o colesterol. O aumento do colesterol no sangue é muito perigoso porque o excesso de gordura nas paredes das artérias pode causar angina, que é a dor no peito, o infarto do miocárdio e também o acidente vascular cerebral. Sabemos que esses profissionais têm uma vida corrida, mas se eles quiserem manter a saúde em dia, será preciso arranjar um tempo para medidas preventivas como, um exame de sangue periódico, uma consulta medida e a mudança de comportamento, passando a se exercitar e a investir em atividades físicas – orientou o médico, ao informar que, geralmente, o alto nível de colesterol no sangue não apresenta sintomas.

Segundo Cândido, outro cuidado especial deve ser entre aqueles que já tenham problema de hipertensão arterial, uma vez que esse tipo de doença também está associada ao consumo de bebidas alcoólicas,  fumo, obesidade,  sedentarismo, estresse, consumo elevado de sal,  níveis altos de colesterol,  diabetes e o sono inadequado.

– Os caminhoneiros estão expostos a esses fatores de risco, até porque levam uma vida muito corrida. Mas cuidar da saúde é de extrema importância porque uma vez que eles tenham um mal súbito nas estradas, enquanto trabalham, colocam em risco não só a vida deles, mas também de outras pessoas. Se surgiram sintomas como dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal, o indicado é parar o veículo e pedir ajuda, o mais rápido possível -orientou o médico.

Trocando a estrada por qualidade de vida

Caminhoneiro há mais de 30, o motorista Renato José da Silva, de 55 anos, se viu obrigado a abandonar as estradas, após ter sofrido um leve acidente vascular cerebral, em 2016. Ele, que não se via em outro tipo de profissão, hoje trabalha com pequenos fretes e procura levar uma vida mais saudável, comportamento que ele ignorava enquanto trabalha nas rodovias.

-Hoje eu consigo ver que foi a rotina de caminhoneiro que prejudicou a minha saúde. Já cheguei a viajar por 18 horas, sem dormir, com apenas duas refeições nesse intervalo todo, Esse excesso de trabalho é uma realidade entre a categoria, existe uma pressão muito grande para as entregas, mas hoje vejo que não vale a pena. Eu passei mal na estrada, parei o caminhão e fui socorrido a tempo, mas meu destino podia ter sido diferente e eu ter morrido, deixando tudo para trás, inclusive a minha família. Só tenho que agradecer por estar aqui e, por isso, hoje dou mais valor a minha saúde – disse Silva.

Por Roze Martins

 


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