Integrantes de diversas religiões participam de abraço ao Rio Paraíba, em Volta Redonda - Diário do Vale
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Integrantes de diversas religiões participam de abraço ao Rio Paraíba, em Volta Redonda

Matéria publicada em 1 de setembro de 2016, 11:38 horas

 


Ponte Dom Waldyr Calheiros, que liga os bairros Aterrado e Niterói, serviu de local para o abraço (Foto: Arlindo Novais)

Ponte Dom Waldyr Calheiros, que liga os bairros Aterrado e Niterói, serviu de local para o abraço (Foto: Arlindo Novais)

Volta Redonda – Integrantes de diversas religiões e doutrinas – católica, protestante, espírita, candomblé e umbanda -, representantes de órgãos de defesa ambiental e moradores participaram na manhã desta quinta-feira (1º) de um ato que marcou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, em Volta Redonda. A data, instituída pelo papa Francisco no ano passado para promover a consciência ecológica, teve início com um culto ecumênico e terminou com um abraço simbólico ao Rio Paraíba do Sul. O evento foi organizado pela diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda e contou com a presença de bispos de todo o estado do Rio, além do arcebispo metropolitano do Rio, Cardeal Orani João Tempesta.

Bispos de todo o estado do Rio e o arcebispo Cardeal Orani Tempesta participaram do ato (Foto: Arlindo Novais)

Bispos de todo o estado do Rio e o arcebispo Cardeal Orani Tempesta participaram do ato (Foto: Arlindo Novais)

Após a celebração ecumênica, realizada atrás da Igreja Santo Antônio, no bairro Niterói, os participantes saíram em caminhada e fizeram o plantio de mudas de espécies nativas nas margens do Rio Paraíba do Sul. O objetivo é a recuperação da mata ciliar.

Em seguida, fiéis e representantes de diversas religiões e doutrinas se deram as mãos e promoveram um abraço simbólico ao Rio Paraíba do Sul sobre a Ponte Dom Waldyr Calheiros, que liga os bairros Aterrado e Niterói.

População deu as mãos e se uniu no abraço ao Rio Paraíba do Sul (Foto: Arlindo Novais)

População deu as mãos e se uniu no abraço ao Rio Paraíba do Sul (Foto: Arlindo Novais)

Um movimento de todos

O cardeal Dom Orani Tempesta lembrou que o ato, apesar de ter a organização da Igreja Católica, não possui uma religião, mas é para todos os credos.

– Esse movimento a Igreja Católica encabeça, ela chama as pessoas para participarem, mas é uma ação de toda a sociedade. Convidamos os poderes públicos e também as várias igrejas cristãs e também religiões, porque o ato realmente é uma preocupação com essa casa que é de todo mundo. Não é só dos católicos, nem só dos que têm religião. Então é como lembra o papa Francisco, hoje é preciso ter misericórdia com o planeta. Cuidar daquilo que é o nosso habitat. São atos assim que divulgados e participados aumentam a consciência com a nossa “Casa Comum” – considerou o cardeal.

O bispo Dom Francisco Biasin destacou a importância do ato para a preservação do ecossistema, além de combater a intolerância religiosa.

– “Casa Comum” significa que o planeta não é dos católicos, ou só dos evangélicos, é realmente de todo o mundo. Eu não posso falar mal de uma pessoa que preserva o meio ambiente, só porque ela pensa diferente de mim. Então é nesse sentido que a gente supera a intolerância e o preconceito religioso – comentou o bispo, lembrando a atuação de Volta Redonda nas questões sociais.

– Volta Redonda tem uma grande tradição na defesa dos direitos humanos. E também uma grande sensibilidade para com o social. O povo daqui é organizado, tem uma sociedade civil que não deixa as coisas passarem de qualquer jeito, mas quer influenciar e participar. Não é de hoje que surgiu aqui, por exemplo, a Comissão Ambiental Sul, que nasceu no seio da Igreja Católica, mas ganhou autonomia e abrange pessoas de outros credos, levando para frente esse trabalho de conscientização e combate às ações que impactam o meio ambiente – falou, completando: “Creio que o nosso compromisso é estimulado pela presença de uma grande empresa, a CSN. Mas de fato há um impacto no solo, ar e no próprio rio. As empresas devem lembrar que antes do lucro tem a vida, antes da ganância tem o bem-estar do povo. Se a terra for degradada quem sofre mais são os pobres”.

Pensamento semelhante tem a candomblecista Márcia Meireles, que esteve presente em todo o evento. Ela disse que o meio ambiente é adaptável, mas alertou que isso pode não ocorrer com os seres humanos.

– Esse ato é importante no sentido de despertar as pessoas para que saíam da teoria e tenham a prática de preservação da natureza, dos recursos naturais. A forma como nós tratamos a natureza reflete exatamente no nosso futuro. Quando a tratamos bem, ela é extremamente pródiga, quando a agredimos, ela se retrai, não dá frutos, não nos ajuda a sobreviver. Então nós precisamos muito mais dela do que ela de nós – analisou.

Para a presidente do Centro Espírita Cireneus e membro do 36º CEU de Volta Redonda, Nair Ângela de Santana, promover eventos que possam ajudar na reflexão de temas como a preservação do meio ambiente e o combate à intolerância religiosa é positivo.

– O homem está destruindo o planeta, sempre pensando em si próprio, no dinheiro, poder. Então é importante a gente conscientizar, principalmente nesse evento que reúne uma grande quantidade de pessoas, centradas nesse tema e que vão repercutir a importância dessas questões ambientais. Além disso, ajuda a quebrar os preconceitos religiosos. Que muitas vezes são gerados pela ignorância, onde os mais afetados são os grupos menores. Hoje, estamos num processo para acabar com a violência, com as discriminações. Então quando enxergamos a maneira diferente do outro pensar, e sabemos respeitá-la, percebemos que há muita coisa em comum com o que nós pensamos – afirmou Nair.

À tarde, os bispos se reúnem de forma reservada e recebem técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), integrantes do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP), da Comissão Ambiental Sul e um professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) que lhes apresentarão o panorama do Rio Paraíba do Sul. À noite, na Igreja Nossa Senhora das Graças, no bairro Jardim Paraíba, haverá uma missa com o posterior lançamento dos novos meios de comunicação da diocese Barra do Piraí-Volta Redonda (revista, programação da rádio Sintonia do Vale e o site).


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7 comentários

  1. tAMO ai se precisar, P.T agora é 51.

  2. Falta do que fazer tudo farinha do mesmo saco até parece q resolve alguma coisa.

  3. Porque não vão abraçar os moradores de rua que proliferam na cidade ?

  4. ….infelismente epoca eleitoral acontece de tudo….

  5. E o pátio de escória na beira do rio Paraíba? Cada dia que passa fica maior e mais alto. A água do rio Paraíba está esverdeada.

  6. Ao invés de abraçar, deveríamos tomar vergonha na cara e parar de jogar lixo no rio, nas ruas, não jogar gorduras nos ralos, parar com as queimadas e fazer o uso consciente das águas,..isso sim teria resultados

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