Confronto marca posse de nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis

Por Diário do Vale
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Angra dos Reis

Tumulto no Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis ( Filipe Carneiro)

Tumulto no Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis ( Filipe Carneiro)

A diretoria eleita pela Chapa 1 na eleição realizada em 21 e 22 de outubro do ano passado tomou posse hoje do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, depois de um início de confronto com os integrantes da diretoria anterior, que se recusavam a deixar a sede do sindicato. Eles só entraram depois que um grande grupo de metalúrgicos forçou a entrada de um início de confronto entre seguranças contratados pelos dois grupos, que terminou quando a porta da sede foi forçada.
A mobilização começou por volta das sete horas da manhã, quando os integrantes da Chapa 1 chamaram os metalúrgicos do estaleiro Brasfels para irem junto com eles até a sede do sindicato para a posse. Enquanto isso, a diretoria anterior, que estava dentro da sede do sindicato, se recusava a passar o comando da entidade para o outro grupo, e colocou seguranças em frente à portaria, numa tentativa de evitar a entrada dos novos diretores.
Quando um grupo de dezenas de metalúrgicos se juntou à Chapa 1, a direção da UGT (União Geral dos Trabalhadores), central sindical a que a nova diretoria é ligada, fez uma cerimônia de assinatura de uma ata de posse, apoiada por advogados. Depois que os novos diretores assinaram o documento, o grupo se dirigiu à sede do sindicato e forçou a entrada.
Houve um início de confronto envolvendo metalúrgicos e seguranças contratados pelos dois lados, mas logo os integrantes da nova diretoria, se valendo do maior número, conseguiram entrar. Uma viatura da Polícia Militar que acompanhava os acontecimentos não chegou a interferir.
Pouco depois que a diretoria da Chapa 1 entrou na sede do sindicato, os integrantes da diretoria que comandava o sindicato até as primeiras horas de hoje deixou a sede. O grupo que entrou afirmou que vai fazer um levantamento das condições do local e também uma auditoria nas contas da entidade, mas havia rumores, nas proximidades da sede, de que o grupo que deixou o sindicato tentaria alguma medida judicial para retornar.

A polêmica

Os integrantes da diretoria que assumiu hoje se baseiam em documentos registrados em cartório que afirmam que eles venceram a eleição realizada em outubro do ano passado e teriam direito a assumir o sindicato a partir de hoje (como foi domingo, a posse foi adiada para hoje).
A ata da apuração afirma que não houve questionamentos quanto ao resultado da eleição e tem as assinaturas de integrantes da diretoria que deixou o sindicato, mas eles contestam o documento, afirmando que as urnas contendo os votos da eleição de outubro foram retiradas do sindicato por integrantes da chapa vencedora, o que fez com que a diretoria anulasse aquela eleição e promovesse outra, com chapa única, em que eles teriam obtido um novo mandato.
Os integrantes da Chapa 1 argumentam que a remoção das urnas e incineração dos votos está prevista no estatuto, e deve ser feita depois da contagem dos votos, desde que não haja impugnação, o que segundo eles não ocorreu e está registrado na ata.

Cenário

Além dos problemas com a formalização da posse, a nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis deve enfrentar problemas com a empregabilidade da categoria: já existem rumores de futuras demissões no estaleiro Brasfels, devido a supostas dívidas de contratantes com a empresa. Esses problemas seriam reflexos dos problemas que a Petrobras vem enfrentando em função do escândalo da Operação Lava Jato.
O novo vice-presidente do sindicato, Manoel Vieira Salles, disse que as dificuldades da Petrobras são “uma questão de tempo”, e que a empresa deve retomar o ritmo de investimentos anterior ás denúncias.
Segundo ele, caso haja necessidade a categoria vai se mobilizar para negociar com o governo federal e a estatal medidas que mantenham o nível de emprego dos metalúrgicos:
— Assim como nos mobilizamos para discutir com a Brasfels e conseguir melhores condições de trabalho, pretendemos unir a categoria para ajudar a empresa a manter sua carteira de contratos e, portanto, os empregos dos metalúrgicos – disse.

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