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Lembranças de fé e vida marcam missa pelo 4º ano da morte de Dom Waldyr

Matéria publicada em 1 de dezembro de 2017, 22:43 horas

 


Cerimônia contou com a presença de fiéis e relembrou a trajetória do bispo na formação do pastoreio

Memória: Missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Francisco Biasin, na Igreja Santa Cecília, em Volta Redonda (Foto: Divulgação)

Memória: Missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Francisco Biasin, na Igreja Santa Cecília, em Volta Redonda (Foto: Divulgação)

Volta Redonda – Fiéis de diversas paróquias da diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda, se reuniram na quinta-feira (30) na Igreja Santa Cecília, em Volta Redonda, para recordar os quatro anos da morte de Dom Waldyr Calheiros. A missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Francisco Biasin, e contou com a presença do bispo emérito, Dom João Maria Messi, padres e diáconos da diocese. Durante sua pregação, Dom Francisco Biasin, relembrou a trajetória de Dom Waldyr na formação do pastoreio.

– É interessante que não diminui a memória de Dom Waldyr com o passar do tempo. Pelo contrário, as pessoas fazem questão de estar presentes na missa da ressurreição, da páscoa dele. Eu lembrei o fato de que ele se fez pastor. Não nasceu já como estava aqui ou o conhecemos. Atrás de cada exercício do ministério tem um chamado. E esse chamado se clareia de acordo com a caminhada que a própria pessoa faz dentro de um contexto histórico, social, religioso e eclesial. Para nós é muito importante que não percamos o legado dele nas atuais conjunturas socioeconômicas e políticas – destacou o bispo.

Entre amigos, parentes e pessoas ligadas à história de Volta Redonda e região o sentimento de gratidão e o aprendizado ultrapassam as diferentes gerações. A aposentada Divina das Graças Corrêa Lima destacou que os ensinamentos deixados pelo bispo são atemporais e são seguidos até por quem não o conheceu.

– Ele sempre nos ensinou que é preciso ler a palavra de Deus e viver, ou seja, colocar em prática na vida do povo. E ensinou que devemos lutar pela dignidade do povo. Todos nós temos o direito de viver bem e feliz. Na nossa comunidade continuamos com o grupo de base, tentamos formar mais grupos e ensinar os mais jovens como os meus netos e vizinhos, sempre de olho no que ele ensinou pra gente: a palavra de Deus na vida do povo – destacou.

Pastor e presença marcante na família

O sobrinho de Dom Waldyr, Mário Robson Calheiros, se emocionou ao lembrar do tio, que foi um dos grandes incentivadores na sua carreira. Mário Robson veio de Maceió para estudar na região em 1970 e presenciou importantes fatos na vida do bispo. Ele contou que em uma ocasião precisou levar Dom Waldyr ao Rio porque o bispo havia recebido a informação de que seria preso.

– Ele disse que ia ficar em casa aguardando, mas em conversa com Dom Hélder (Câmara), foi orientado a se encontrarem estrategicamente no Rio, então seguimos para lá – relembrou.

O sobrinho contou com alegria que nos raros momentos de folga, Dom Waldyr gostava de ir para o sítio da família em Maceió, mas mesmo lá não deixava de exercer sua função de sacerdote. A família costumava marcar os casamentos e batizados para a mesma época que Dom Waldyr estivesse de férias no nordeste.

– Ele fez o casamento dos dez sobrinhos e também muitos batizados na família. Foi sempre um conselheiro nosso. Qualquer dúvida que a gente tivesse, decisão que precisasse tomar ou alguma situação crítica a gente se aconselhava com ele. Foi um pastor também muito presente com a gente. Sempre foi respeitado, admirado e muito querido não só pela família, mas por todo aquele povo com quem convivia – afirmou.

Mais sobre Dom Waldyr

Dom Waldyr Calheiros de Novaes nasceu em Murici (AL) em 28 de julho de 1923. Foi ordenado sacerdote em 25 de julho de 1948 e bispo em 1º de maio de 1964. O bispo era conhecido pelo engajamento em movimentos sociais e por ter apoiado perseguidos políticos e lutado pelo direito dos trabalhadores. Participou do Concílio Vaticano II e foi um dos primeiros bispos no Brasil a colocar em prática esse novo modelo de ser Igreja.

Era defensor dos pobres e marginalizados. Dentre outras iniciativas de Dom Waldyr se destacou na sua atuação contra a Ditadura Militar e na organização da Pastoral da Juventude na diocese e no Brasil. Foi bispo da Diocese de Barra do Piraí -Volta Redonda entre 1966 e 1999. Neste período Dom Waldyr ficou marcado pela importante atuação nas negociações para o fim da greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1988, quando três operários morreram assassinados.


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