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Liberação do uso de agrotóxicos reacende debate sobre os orgânicos

Matéria publicada em 11 de agosto de 2019, 11:00 horas

 


Uso de produtos químicos é uma realidade e deve ser regulamentado para evitar danos à saúde e meio ambiente

Boa parte da produção regional recebe defensivos mas com acompanhamento técnico (Foto: Pollyanna Moura)

Sul Fluminense – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, confirmou a liberação de novos agrotóxicos para o território nacional durante a produção agrícola. No entanto, ela garante que a medida não colocará em risco a saúde dos consumidores, nem do meio ambiente. Este é um tema polêmico, que tem causado dúvidas e discussões entre a população e especialistas. O DIÁRIO DO VALE entrevistou engenheiros agrônomos, produtores e consumidores para saber o que pensam sobre o caso.

Segundo o engenheiro agrônomo Leandro Machado, o melhor caminho para evitar qualquer dúvida neste sentido é o produto orgânico, livre de substâncias químicas. No entanto, ele garante que o uso de determinados produtos é uma realidade em plantações de maior alcance, ainda necessárias para atender toda a gama de consumidores. O alerta, segundo ele, é que não haja aplicação excessiva de químicos sobre as plantações.

– Além de engenheiro, sou produtor orgânico. Trabalho na fiscalização de usos de agrotóxicos na região. Uma das grandes preocupações que pairam hoje em dia é o uso incorreto de certos produtos durante a produção. O grande problema do agrotóxico é o seguinte: ele tem uma coisa que chamamos de DL (dose letal). Por ele ser acumulativo, lá na frente a pessoa pode aparecer com alguma doença – comenta.

De acordo com Leandro, a única forma de detectar o uso de produtos indevidos é com exames laboratoriais.

– O produto orgânico é mais bonito e mais saboroso do que o produto convencional. A forma de detectar essa diferenciação de um produto para o outro e só com laboratório, mas esse método de análise é um pouco inviável, por causa do valor. É muito caro – disse.

Leandro ressaltou que o sistema convencional de produção tende a ser acelerado e isso leva a alguns problemas.

– A produção convencional tem alguns problemas como atração de insetos e pragas. Com isso, o uso dos agrotóxicos é necessário para segurar a plantação. É um círculo vicioso e com um custo de produção maior. Enquanto isso, a produção orgânica também tem um custo de produção alto, mas com o tempo ele vai se diluindo, pois o sistema vai ficando equilibrado. O produtor consegue melhorar as condições do solo e ter o controle do solo – diz ele.

Leandro explicou que a ideia da produção orgânica vai além do não uso de agrotóxico. “Na produção orgânica, além do produtor respeitar o meio ambiente, ele tem que saber resgatar sementes de forma tradicional, saber destinar lixo e esgoto de forma correta e ter um selo, registrado devidamente”, completou.

Segundo a agrônoma Talita Késia, que acompanha a produção agrícola em maior escala na região, as hortaliças cultivadas são suscetíveis às pragas e doenças. Por isso, há permissão para uso moderado de produtos químicos. “Quando o sistema de produção é convencional, é permitido o uso de defensivos e a gente trata essas doenças e controla essas pragas com esses produtos. Quando tratamos dos ataques de pragas, usamos inseticidas e quando tratamos doenças de origem fúngica usamos os fungicidas. Já quando a origem é bacteriana, usamos bactericidas. O que mais temos de doenças são de origem fúngica – comentou.

De acordo com Késia, havendo doenças, existe a necessidade de que exista o controle. Ela ressalta que a presença de um agrônomo junto ao produtor durante o processo é primordial.

– Se não existir esse controle, não tem produção. E com isso, perde-se muito. É importante que durante esse processo exista sempre um acompanhamento técnico. O produtor ou qualquer outra pessoa não pode aplicar esses produtos sem receituário, porque existem os riscos de toxidade para o aplicador, para o meio ambiente e também para quem vai consumir. Por isso, todo aplicador habilitado deve utilizar EPI’s para se proteger, como: máscaras, óculos e roupas – disse.

Segundo Ana Clara Torres, gerente de um hortifruti em Barra Mansa, poucos clientes fazem a procura específica de produtos orgânicos. Para ela, essa busca é feita com maior afinco por consumidores mais rigorosos na busca por uma alimentação saudável.

– Na verdade, todos buscam uma alimentação saudável, mas a gente sabe que alguns produtos passam por um tratamento. A maioria dos produtos que vendemos aqui é de fora e da região, só vendemos as hortaliças. Algumas pessoas se preocupam muito com a estética do alimento e nem sempre por ser bonito é saudável. As pessoas não buscam saber o histórico daquele produto, mas isso é importante. Poucas pessoas procuram ou perguntam sobre os produtos orgânicos – comenta.

O caso

O Governo Federal garantiu a liberação de registro para que novos produtos químicos sejam usados nas plantações que depois chegam à mesa dos brasileiros. Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados em lavouras para garantir a produtividade, além de evitar doenças e possíveis pragas.

Temidos por muitos por terem potencial para provocar danos à saúde e ao meio ambiente, ajudam a garantir verduras, legumes e frutas nas mesas dos brasileiros.

 

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