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Liga Carnavalesca busca valorização e resgate do Carnaval de rua em VR

Matéria publicada em 9 de fevereiro de 2020, 08:02 horas

 


Dos 22 blocos que existem na cidade, entidade já conta com dez agremiações filiadas

Pré-Carnaval em Volta Redonda se tornou uma força da cultura e diversidade-Foto: Arquivo

Volta Redonda- Com a proposta de resgatar o Carnaval de Rua de Volta Redonda e valorizar os blocos da cidade, foi criada recentemente a Liga Independente dos Blocos de Rua e Enredo de Volta Redonda (Liga Carnavalesca de Volta Redonda). Conforme explica o presidente e idealizador dessa iniciativa, Natã Teixeira, a Liga sempre foi o sonho de muitas pessoas envolvidas com o Carnaval da cidade, que agora saiu do papel como uma organização sem fins lucrativos.

– Muitos perguntam ainda do motivo de uma liga. Mas só com organização a gente consegue reivindicar os interesses dos blocos de carnaval da cidade e ampliar o poder de negociação, tanto para com o poder público como para com possíveis patrocinadores. Uma das principais funções das ligas é a busca por financiamento através de empresas privadas e a posterior redistribuição do dinheiro conseguido entre os blocos que fazem parte da associação, assim como funciona nas grandes capitais, minimizando o máximo o investimento público. Essa é a nossa proposta – explicou Teixeira.

De acordo com ele, a Liga Carnavalesca nasceu em setembro do ano passado, no entanto, a legalização jurídica só foi liberada em novembro. Por conta disso, o presidente adiantou que para esse Carnaval não será possível colher muitos frutos, embora estejam conseguindo organizar e acompanhar, junto a cada bloco filiado, toda documentação necessária, orientações jurídicas e de captação de recursos para cada um deles.

– Mesmo a Liga sendo nova, estamos nos comprometendo com um carnaval organizado e com segurança, gerando menos impacto onde os blocos estão programados para desfilar – adiantou o presidente.

Milhares de foliões

Conforme observa Teixeira, hoje os blocos de Volta Redonda movimentam um pré-carnaval com aproximadamente 80 mil foliões, de acordo com a Polícia Militar e com a Prefeitura: “Isso tudo em um momento, quando segundo ele, a cultura está em fase de discussão em âmbito nacional”, disse.

– O interior do Rio de Janeiro é um local bastante procurado e existem cidades vizinhas a Volta Redonda que movimentam milhares de pessoas. Agora chegou a vez do nosso berço do samba, movimentar não só os foliões da cidade, mas também promover impacto na indústria turística e na cadeia produtiva da cultura com a movimentação de turistas, comércio e hotéis, oportunizando a geração de renda e difundindo a cultura popular – enfatizou o presidente.

De acordo com ele, a Liga foi muito bem acolhida entre os blocos, mas, como ainda é tudo novo, muitos estão se adaptando a esse formato de organização que facilita bastante e se torna um porta-voz de todos os blocos.

– Com a Liga, não precisa ficar discutindo bloco por bloco. Nossa cidade hoje possui cerca de 22 blocos de Carnaval e reunimos na Liga dez, com previsão de está com 100% dos blocos filiados até o final do carnaval – destacou Teixeira.

Há pedidos de filiados aguardando
aprovação da assembleia da Liga

Segundo Natã Teixeira, a Liga está com avançadas discussões e com alguns pedidos já aguardando aprovação da assembleia. Esse apoio, de acordo com Teixeira, está vindo não apenas dos blocos, mas também dos comércios, órgãos públicos e fornecedores que já estariam sentindo um impacto diferente nas negociações e organização.

– O Poder Público e os movimentos sociais precisam andar juntos para o funcionamento das políticas públicas. O diálogo e o entendimento entre as partes é totalmente necessário. A Liga foi totalmente bem acolhida pelos órgãos de segurança com os quais vêm conversando praticamente todos os dias, buscando estratégias e planejamento para os nossos desfiles. Todos reconhecem a importância da Liga e sua representatividade perante aos blocos. A Prefeitura Municipal ainda prefere fazer as negociações com cada bloco, ofertando apenas o serviço de infraestrutura do município com apoio da fiscalização e Guarda Municipal na organização do trânsito e fechamento das vias necessárias. Não entendemos como um apoio, pois pagamos alvará para a realização do evento e esses serviços já estão inclusos – destacou o presidente.

Hoje a Liga é formada pelos blocos mais antigos da cidade como: Bloco LGBT Folia, Bloco dos Crias de Santa Cruz, Bloco do Lençol, Bloco Tacalipal, Bloco Arrastão do Conforto, Bloco Alegria Alegria, Bloco Piranhas do Beco, Bloco Que Merda É Essa?, Bloco da Orla e a novidade desse ano, o Bloco da Jurema dos organizadores do Samba da Jurema. De acordo com Teixeira, a intenção é começar a pensar no próximo Carnaval ainda este ano.

“Nossas ações para o carnaval 2021 já têm início esse ano. Vamos realizar diversos eventos para captar recursos montando um poupança/fundo para investir no Carnaval, que será um Carnaval de muitas surpresas com a previsão de dois grandes patrocinadores que já estivemos reunidos. Nosso objetivo é fazer um carnaval alegre, acessível, seguro e levantando bandeiras importante para sociedade como a inclusão social, a empatia ao próximo e a sustentabilidade, uma festa democrática e inclusiva. Para todos, essa é a maior magia do carnaval”, finalizou o presidente, ao informar que a programação completa dia desfiles dos blocos será divulgada nós pra dias.

Dirigentes de blocos
apoiam criação da Liga

Presidente do Bloco dos Crias de Santa Cruz, o soldador Adriano Marcelo de Miranda elogia a criação da Liga Carnavalesca de Volta Redonda e afirma que o trabalho da entidade será de muita relevância para o Carnaval da cidade.

– Não temos apoio nenhum para o Carnaval de Volta Redonda e a Liga tem feito esse papel, principalmente no que compete em resolver a parte burocrática, em dar entrada nos alvarás, ou seja, as questões mais difíceis. Além disso, a Liga tem a proposta de resgatar o Carnaval de rua da cidade, evitando que os foliões daqui migrem para municípios e estimulando que as pessoas de outras cidades venham para cá – disse o presidente.

O Blocos dos Crias de Santa Cruz, segundo Miranda, foi criado no ano passado, por meio de uma página na internet composta por quase mil membros. De acordo com ele, são pessoas que moram ou já moraram no bairro e que encontraram no Carnaval uma forma de confraternizar.

– No ano passado arrastamos cerca de três mil foliões, inclusive pessoas que já moraram no bairro e hoje vivem em outra cidade, estado e até país. Neste ano, a expectativa é repetir o mesmo sucesso – ressaltou.

Vice-presidente da Liga e presidente do Bloco do Lençol, Alessandro Ribeiro Santos também comemora a criação da Liga que, segundo ele, está possibilitando aos blocos, principais aos pequenos, se organizarem melhor e terem uma estrutura adequada. “Estamos muito felizes porque a criação da Liga saiu do papel. Para esse ano já conseguimos algumas coisas, mas a intenção é melhorar ainda mais para 2021”, disse o vice-presidente.

Sobre o Bloco do Lençol, hoje o mais antigo de Volta Redonda, criado por seu pai, em 1958, Santos ressaltou que o mesmo tem origem no Aterrado, porém, após muitos anos, neste Carnaval voltará a desfilar na Vila Santa Cecília.

“O bloco foi criado por quatro amigos, que no primeiro ano desfilaram com roupas de empregada doméstica. Após muito sucesso de público, como não tinha fantasia pra todo mundo, resolveram sair enrolados no lençol e, por isso, esse é o nome do bloco. Hoje o bloco arrasta cerca de 20 mil pessoas, por um tempo ficamos sem fazer cortejo, mas nesse ano estamos muito felizes porque faremos nosso desfile na Vila, indo da Biblioteca até a Praça Brasil” concluiu Santos.

Por Rose Martins


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