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Médica de Volta Redonda ajuda professores a entenderem distúrbios miccionais

Matéria publicada em 18 de outubro de 2015, 12:00 horas

 


Por iniciativa própria, nefropediatra lança cartilha sobre problemas que as crianças podem encontrar nas escolas

medica cartilha

Multitarefas: Claudia Maria escreveu, imprimiu e distribui a cartilha na rede pública de ensino (Foto: Paulo Dimas)

Volta Redonda – A nefropediatra Claudia Maria de Castro Silva acaba de lançar uma cartilha com o título “Distúrbios Miccionais na Escola. Como Cuidar?”, direcionada principalmente a professores da rede pública de ensino. O objetivo é melhorar a relação entre os profissionais da educação e os alunos que sofrem com problemas no momento de fazer o popular “xixi”. Para isso, a médica deseja quebrar a principal barreira para iniciar o tratamento de tais distúrbios: a falta de informação.
Claudia explicou que, apesar de pouco debatido, o problema é comum e causa grande constrangimento para as crianças que sofrem com problemas para ir ao banheiro.
– A literatura médica mostra que até 20% das crianças em idade escolar sofrem com algum tipo dos distúrbios citados na cartilha. Só que as pessoas desconhecem os problemas e, por consequência, ignoram os tratamentos. A falta de informação atinge familiares, professores e até mesmo alguns pediatras. Mesmo dentro da classe médica o problema muitas vezes é ignorado – garantiu.
A cartilha foi desenvolvida após a conclusão do Mestrado profissional em Ensino de Ciências da Saúde, pelo UniFOA – Centro Universitário de Volta Redonda, que Claudia fez tendo como orientador o Doutor Carlos Albero Sanches Pereira. A escolha do tema para tese partiu do próprio consultório da médica.
– Muitas vezes estes distúrbios causam infecções urinárias, o que finalmente leva a criança até o médico. Após explicar o que levou a criança desenvolver a infecção, as mães pedem para eu escrever cartas aos professores e diretores para que a criança passe a receber o tratamento adequado na escola. Seria cômodo ficar no consultório, mas é preciso explicar isso de maneira mais ampla, informar as pessoas e evitar que os pequeninos passem por constrangimentos ainda maiores – explicou.
Com recursos próprios, Claudia contratou o artista visual Anderson de Souza para ilustrar a cartilha e custeou a impressão de milhares de exemplares. Contando com apoio do marido, passou a fazer um trabalho de campo que chama atenção na rede pública de ensino em Volta Redonda. Claudia entrega as cartilhas aos professores junto de um questionário geral sobre a formação dos professores e o grau de consciência sobre os distúrbios miccionais. Até agora, a médica constatou que 93% dos professores pesquisados desconhecem por completo o problema abordado na cartilha.
– Justiça seja feita, a falta de conhecimento é um problema global. Nos Estados Unidos apenas 17% dos profissionais de educação sabem dos distúrbios miccionais – contou.
Nas três escolas escolhidas para integrar o projeto piloto de divulgação, Claudia destacou melhoras no entendimento dos distúrbios e nas relações entre alunos e professores.
– A cartilha desperta um olhar mais atento dos profissionais, uma vez que a criança passa boa parte do dia na escola. Quando a criança faz muito xixi na cama é mais fácil perceber, mas é na escola que muitos outros aspectos podem ser observados. A cartilha faz a mão inversa: em determinado momento ela ensina o professor a inserir a família no tratamento – contou.
Uma semana depois a médica volta à escola e leva um novo questionário, desta vez para avaliar o grau de aprendizado com a cartilha. “Quero saber o quanto a cartilha pode ajudar e o que pode ser melhorado. Importante é expandir esse trabalho, conscientizar pais e professores de que há tratamento disponível”, ressaltou.

A cartilha

Logo no prefácio a cartilha faz uma série de indagações que levam professores (e qualquer um que tenha passado por uma escola primária) a refletir.
“Quantas vezes já surgiram, na escola, situações em que o aluno pede repetidamente para ir ao banheiro? Ou pior: passa pelo constrangimento de ‘molhar a roupa’ em sala de aula?”, diz o texto do primeiro parágrafo da cartilha, antes de prosseguir:
“Como lidar com a criança que quer urinar toda hora? É doença? Quer passear? Tem como prevenir tais situações? Como ajudar estes alunos durante o período que passam na escola?”, emenda, para em seguida começar a dar uma noção mais técnica do problema.
“Serão mostrados os processos normais de micção e seus principais transtornos. As informações poderão ajudar o professor a identificar a criança com distúrbios miccionais, lidar com estas patologias em sala de aula, além de apontar ações que contribuam na prevenção de tais problemas”, diz a cartilha antes de entrar na parte técnica-didática propriamente dita.
Por Rafael Paiva
([email protected])

 

 


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2 comentários

  1. Parabéns pela nobre iniciativa dra Cláudia.

  2. Parabéns pela nobre iniciativa dra Cláudia.

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