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Moradores aderem programa que monitora tartarugas

Matéria publicada em 10 de julho de 2015, 12:50 horas

 


Com apoio da população, Uerj e Eletronuclear se unem no resgate de tartarugas marinhas no litoral de Angra dos Reis

tartarugas

Angra dos Reis –   O Projeto Promontar-Angra vem conquistando um objetivo que está além de suas metas. Às vésperas de completar dois anos, o programa que monitora as tartarugas marinhas na região Sul Fluminense e fornece dados coletados à comunidade científica, ao Projeto Tamar-ICMBio e ao Ibama, também despertou na população o desejo de preservar o meio ambiente.

O projeto é fruto de uma parceria entre a Eletronuclear e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj, para atender a uma condicionante do licenciamento ambiental da Usina Nuclear Angra 3. Entre suas atividades está a Rede Remota de Resgate, que funciona como uma ação conjunta entre a equipe técnica do projeto e os cidadãos.

O biólogo do Promontar-Angra Yuri Izidoro revela que a adesão da população ao projeto tem sido fundamental para o resgate das tartarugas.

– A maioria dos nossos registros, ou quase a sua totalidade, é feita através de chamados da população. Tanto turistas quanto moradores locais entram em contato, indicando um animal debilitado ou morto na praia e, a partir desse chamado, nós vamos até o local averiguar e fazer os procedimentos necessários – afirma Yuri.

 Retorno à natureza

a. Em abril de 2015, ela pôde realizar a soltura de uma tartaruga-verde, cujo resgate havia sido solicitado por seu marido. Após 11 meses de tratamento, a tartaruga batizada de ‘Esguicho’, retornou ao mar.

– Nós lutamos muito pela preservação e é uma emoção muito grande devolver a tartaruga para a natureza. Sinto como se estivesse resgatando uma vida – diz Bete, como é conhecida.

 Monitoração

Atualmente, o programa abrange o litoral de Angra dos Reis e parte do litoral de Paraty, onde já foram confirmadas as ocorrências de todas as cinco espécies de tartaruga marinhas presentes no litoral brasileiro: tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).

O programa também realiza outras atividades, como o mergulho de captura intencional, a patrulha costeira – ambos voltados para a monitoração – e o serviço de informação à população através da distribuição de cartazes e panfletos informativos.

Os mergulhos de captura, realizados todos os meses na Piraquara de Fora, Praia Vermelha e Ilha do Pelado, permitem que a equipe técnica, composta por biólogos e veterinários, realize as análises biológicas (biometria, condição corporal e de saúde etc.) das tartarugas marinhas e as identifique com grampos metálicos numerados e seriados, cedidos pelo projeto Tamar-ICMBio. A marcação serve para os pesquisadores acompanharem o desenvolvimento e a movimentação dos animais em futuras recapturas. Além de já ter registrado mais de 120 indivíduos, o Promontar-Angra também monitora os parâmetros físico-químicos – temperatura, turbidez, salinidade, entre outros – da água do mar.

Na patrulheira costeira, nove praias da região são monitoradas, todos os dias. É realizada uma procura por animais encalhados, mortos ou doentes, além de serem coletados dados sobre condições climáticas e do mar.

Através desses serviços de monitoramento, é possível contribuir com o conhecimento científico brasileiro, como revela Humberto Gitirana, coordenador geral do projeto.

– O programa hoje atende à prestação de serviços para a Eletronuclear e, em paralelo, nós, que somos pesquisadores, seguimos com o desenvolvimento desse conhecimento sobre as tartarugas marinhas na região de Angra dos Reis, que é uma lacuna de conhecimento no Brasil – concluiu.

moradora

 

 


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