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Moradores de Barra Mansa reclamam de fogo em vegetação

Matéria publicada em 21 de maio de 2020, 15:23 horas

 


Situação preocupa, principalmente, quem tem problemas respiratórios e precisa de cuidados especiais durante à pandemia da Covid-19

Moradores podem denunciar infrações ambientais à Secretaria de Meio Ambiente de Barra Mansa
(Foto: Redes sociais)

Barra Mansa– Em meio à pandemia do novo voronavírus, em que pessoas com problemas respiratórios estão entre o grupo de risco para complicações provocadas pela Covid-19, um problema que afeta a saúde dessa parcela da população também preocupa moradores de Barra Mansa: o excesso de queimadas em vegetação, que ocorre principalmente nos bairros da cidade. Nos últimos dias, diversas foram as queixas de usuários nas redes sociais com relação ao problema, que na maioria das vezes é registrado em terrenos de propriedade particular.
Recentemente, uma equipe da Guarda Ambiental de Barra Mansa, em diligências no bairro Boa Sorte, flagrou cinco homens ateando fogo em vegetação, ação que na época gerou muito incômodo aos moradores devido ao grande volume de fumaça. Na ocasião, a guarda determinou que os responsáveis debelassem o fogo e minutos após as chamas foram controladas. Os homens foram autuados de acordo com a Lei Federal de crimes ambientais que, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, podem e devem ser denunciados pela população.
A cozinheira Lazara Gonçalves, de 36 anos, que mora próximo ao local onde foi registrada a queimada, disse que esse é um tipo de problema recorrente no bairro e que, constantemente, proprietários de terrenos particulares colocam fogo em vegetação, sem se preocupar com a saúde de idosos e crianças que têm problemas respiratórios.
– Minha filha de oito anos e meu filho de 15 anos têm bronquite e rinite e essas queimadas prejudicam muito os problemas respiratórios e alérgicos neles. Dias desses eu já tive que sair com o dois, pra casa da minha irmã porque tinham colocado fogo em um terreno próximo da minha casa e a fumaça invadiu o quarto deles. Embora eu tenha como fazer nebulização em casa, meu medo é eles terem uma crise grave de e a gente ter que ir parar no hospital em meio a essa pandemia, quando o recomendável é ficar em casa. As pessoas precisam ter mais consciência – disse.
No bairro Colônia Santo Antônio, que é uma área com muitos terrenos particulares, as queixas sobre fogo em vegetação também são frequentes entre a população. De acordo com a dona de casa Patrícia da Silva Oliveira, de 33 anos, nas duas últimas semanas, quando o tempo estava muito seco, ela perdeu a conta das vezes que precisou fechar as janelas da casa para impedir a entrada da fumaça. Com dois filhos pequenos, uma menina de um ano e um menino de três, ela ressaltou que o receio é que as crianças tenham crises alérgicas.
– Moro aqui na Colônia desde quando ganhei meu primeiro filho e esse problema de queimadas em terrenos sempre existiu. Sempre tem alguém sem consciência para atear fogo em mato seco, me lixo, resto de folhagem, o que acaba se alastrando devido a esse tempo. Como não temo que fazer, eu fecho a casa toda para as crianças não respirarem a fumaça e ficarem doentes, já que os dois tem bronquite – lamentou a dona de casa.
Moradora do bairro Goiabal, a auxiliar de escritório Bruna Rodrigues da Silva, de 37 anos, também tem sofrido com as queimadas em vegetação, nesta época do ano. Ela, que mora com a filha de sete anos e a mãe, que tem 71 anos, fala das dificuldades de ter que conviver com o problema, principalmente nesses tempos de pandemia.
– Minha mãe já tem problema no pulmão, às vezes tem que ir parar no hospital, e eu fico muito preocupada disso acontecer neste momento, em que todos nós estamos tão expostos a ser contaminador por esse vírus. Aqui no bairro sempre tem alguém para colocar fogo no mato seco, aí acaba alastrando para quase todo o morro que fica atrás da minha casa e a situação fica insuportável por causa do excesso de fumaça – reclamou Bruna.

Secretaria de Meio Ambiente alerta para penalidades

Conforme destaca o secretário de Meio Ambiente, Vinicius Azevedo, em todo o município é vedada a queima ao ar livre, de qualquer resíduo sólido ou líquido, inclusive lixo doméstico, restos de capinas, varrição ou animais, sujeitando os infratores às penalidades previstas na Lei Municipal 3049 de 1998 e Decreto Federal 6514 de 2008. De acordo com ele, as multas e demais penalidades são aplicadas após a observância da dimensão do dano decorrente da infração e em conformidade com a gradação do impacto. Os valores, conforme destaca, variam de R$ 250,00 a e R$ 50 milhões.
– Além disso, é importante ressaltar que provocar queimadas é crime e pode gerar pena de até quatro anos de reclusão e multa, de acordo com o artigo 54 da lei de crimes ambientais, nº 9605 de 1998. Nossa equipe vem atuando no combate a essa prática através de denúncias e rondas realizadas periodicamente pela Fiscalização Ambiental e observamos que nos últimos meses aumentou o número de denúncias. Somente em abril e maio foi um total de 24 e, no ano de 2020, a Pasta contabilizou 36 denúncias de queimadas, uma média de duas denúncias por semana – informou o secretário, ao ressaltar que pelos registros da secretaria, os bairros Santa Clara e Ano Bom concentram o maior número de ocorrências.
De acordo com Azevedo, qualquer morador, independente da localidade, pode denunciar as infrações ambientais à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, por meio dos telefones: (24) 2106-3408 e (24) 2106-3406. Além disso, elas também podem ser registradas pessoalmente na Sede da SMMADS, Localizada na Rua Luis Ponce, 263, 4º andar, no Centro, em Barra Mansa, ou pelo e-mail: fiscalização.smmadsbm@gmail.com.
– Temos que trabalhar para evitar esse tipo de prática porque um pequeno foco de calor pode se tornar uma queimada maior em período de seca. É importante destacar que apesar de cultural, não devemos considerar isso algo comum. A poluição atmosférica provocada através das queimadas pode ocasionar significativo desconforto respiratório ou olfativo, resultar em danos à saúde humana, e até mesmo mortandade de animais e acometer a biodiversidade – finalizou o secretário.

Por Roze Martins 


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