sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Motorista: profissão que atravessa gerações

Motorista: profissão que atravessa gerações

Matéria publicada em 28 de julho de 2019, 11:00 horas

 


Filhos falam da influência do trabalho dos pais na escolha pela mesma profissão

Pai e filho motoristas dividem a profissão e também boas histórias (Foto: Divulgação)

Barra Mansa – Uma herança que muitas das vezes é deixada pelos pais aos filhos é a profissão. Nesta semana, pior exemplo, foi comemorado o Dia do Motorista (25 de julho). Com isso, o DIÁRIO DO VALE escutou filhos de profissionais que atuam pelas estradas do país, que também tomaram “gosto pelo volante”. Como é o caso do caminhoneiro Anderson Silva de Carvalho, de 36 anos, filho do também caminhoneiro Renato Silva de Carvalho, de 64 anos.

Desde pequeno, conforme recorda Anderson, ele sempre demonstrou aos familiares o entusiasmo com o trabalho exercido pelo pai, mesmo ficando dias sem vê-lo, por conta das longas viagens.

– Eu cresci vendo meu pai dirigindo carretas enormes e achava aquilo o máximo. Como ainda não tinha idade para dirigir eu colecionava ônibus, caminhões e carrinhos de brinquedo e adora andar com eles, de um lado para outro, no quintal de casa, como se eu estivesse conduzindo. Na verdade, eu brincava de ser meu pai. Quando fiz 18 anos e tirei a habilitação ele em aconselhou a fazer vestibular, para cursar o ensino superior, mas já estava decidido: eu queria ser motorista de carreta. Aos 20 anos fui efetivado em uma empresa, adoro o que faço e assim como meu pai, eu acho que vou me aposentar como caminhoneiro – contou Anderson.

O motorista Antônio Carlos da Silva Júnior, de 34 anos, também se espelhou no pai, que é caminhoneiro, ao escolher a profissão de motorista. Funcionário de uma empresa de ônibus, na qual ele trabalha há quase dez anos, a única ressalva feita por Júnior foi a de não ficar longe da família, o que o fez optar em não ser caminhoneiro.

Aos dez anos, conforme recorda o motorista, ele ganhou uma réplica de um ônibus de viagem e, a partir dali, nasceu o desejo de ser um condutor de passageiros. Como na infância ele morava próximo às margens da Rodovia Presidente Dutra, Júnior recorda que uma das coisas que mais gostava de fazer era ficar observando os veículos de grande porte cortar a rodovia.

– Eu era apaixonado por ônibus e carretas desde pequeno e via as pessoas que dirigiam aqueles veículos enormes, assim como meu pai, como grandes heróis. Perdi a conta das viagens que fiz com meu pai no caminhão, durante as férias, e o gosto em dirigir foi nascendo de tanto rodar pelas estradas com ele. Minha mãe implicava, porque passava dias longes com ele, mas acho que é porque ela sabia que eu ia acabar seguido o mesmo caminho. E ela tinha razão – enfatizou o motorista.

Sonho de ser motorista

Com apenas 23 anos, o motorista Túlio Alberto destaca que não se vê trabalhando em outra profissão e que seu grande sonho sempre foi trabalhar como motorista, assim como seu pai, Luis Alberto Rosa, que tem 60 anos, sendo 30 deles dedicados as estradas. Ele se recorda que assim que tirou a habilitação, aos 18 anos, logo se entusiasmou para conseguira categoria D e então ter a permissão para conduzir caminhões.

– É a profissão que escolhi e que teve toda influência do meu pai. Meus brinquedos de infância eram diferentes tipos de caminhão, carros e ônibus,mas o interesse em ser motorista veio mesmo quando meu pai teve um caminhão próprio. Eu já tinha vontade de ser motorista e quando comecei a conhecer as estradas e ver o quanto ele gostava daquilo, meu interesse aumentou ainda mais. Hoje eu estou seguindo os passos dele e sou muito feliz no que faço -finalizou Túlio, que trabalha como motorista em uma empresa que faz recolhimento de resíduo orgânico.

Dia do Motorista

No Brasil, o Dia do Motorista foi oficializado em 1968, por meio do decreto nº 63.461, na data em que também se celebra o Dia de São Cristóvão. Como padroeiro dos viajantes e dos motoristas, o santo tem uma forte associação com esta categoria.

A tradição conta que São Cristóvão era um homem robusto da região de Canaã, atual Estado de Israel. Tendo encontrado um eremita que lhe mostrou os ensinamentos cristãos, ele se dedicou a ajudar pessoas na travessia de um rio perigoso, dado seu porte físico avantajado.

Dia e noite ele transportava pessoas nesse rio, até que levou um menino nos ombros e o peso dele ficava maior a cada passo. Ao alcançar a outra margem, o garoto revelou ser Jesus, que trazia o peso do mundo inteiro consigo. Daí o nome Cristóvão pelo qual ficou conhecido, “aquele que carrega Cristo”.

Perfil do motorista no Brasil

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou no ano passado a 7ª edição da Pesquisa CNT Perfil dos Caminhoneiros com dados sobre a rotina, dificuldades e principais demandas desses profissionais. O Estudo ouviu profissionais autônomos e empregados da frota e revelou que o mercado de trabalho ainda é predominantemente masculino, uma vez que 99,5% dos profissionais são homens e com idade média de 44,8 anos. Eles ganham cerca de R$ 4.600 por mês e trabalham há 18,8 anos. Os caminhões utilizados têm idade média de 15,2 anos, sendo que, dentro do universo dos autônomos, 47% adquiriram os seus veículos através de financiamento.

Em relação a rotina, a pesquisa revelou que os motoristas chegam a rodar mais de nove mil quilômetros por mês, trabalham 11,5 horas por dia e entre 5 e 7 dias por semana. Apesar do desgaste da profissão, motoristas parecem estar mais preocupados com a saúde, já que e 42,6% buscam profissionais da área em busca de prevenção. Além disso, os profissionais do volante estão mais conectados,  pois a pesquisa indicou que 87% utilizam a internet.

Assaltos e roubos aparecem na lista de dificuldades de pelo menos 64,6% dos caminhoneiros entrevistados, que também destacam como ameaças à profissão, no futuro, o baixo ganho (50,4%), a baixa qualidade da infraestrutura (20,9%) e a ausência de qualificação profissional adequada (15,6%). Mas, apesar de todas as dificuldades inerentes a profissão, os motoristas ainda relatam pontos positivos como conhecer cidades e países (37,1%), ter a possibilidade de conhecer pessoas (31,3%) e possuir o horário flexível (27,5%).

Fonte: site o Carreteiro


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document