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Mulheres da região contam como superaram desafios até a maternidade

Matéria publicada em 13 de maio de 2018, 07:05 horas

 


Entre outras coisas, elas citam tratamentos de saúde para realizar o grande sonho

Família formada: Aline Cristina vai passar esse Dia das Mães com motivos de sobra para comemorar


Barra Mansa – 
“Meu sonho é maior dentre todas as dores que senti”. É com essa certeza que a professora de Educação Física Aline Cristina Tavares da Silva Gonçalves, de 37 anos, vai passar esse Dia das Mães com motivos de sobra para comemorar seu sexto mês de gestação, após já ter sofrido cinco abortos, nos últimos oito anos.

Ela, que era portadora de incompetência istimo cervical, um problema que acarreta defeito no canal cervical e o faz perder, ou não ter capacidade, de suportar o peso de uma gravidez, afirma que nunca desistiu do desejo de ser mãe. Detalhe: Mesmo diante de todas essas dificuldades, e que tudo o que passou até aqui valeu a pena.

– Sempre tive o sonho de ser professora, casar, ter filhos e formar uma família. Minha primeira gravidez foi em 2010. Eu perdi e o médico disse que era normal. Após seis meses engravidei, perdi novamente e no hospital disseram ter sido uma fatalidade. Resolvi procurar um médico particular, que foi quem descobriu a incompetência istimo cervical, e fui orientada a fazer um plano de saúde porque, infelizmente, pelo SUS seria inviável fazer o tratamento necessário. Na terceira e quarta tentativa também não consegui segurar a gestação, mas nunca desisti do meu sonho, ainda que muitas pessoas dissessem que era melhor optar por uma adoção – contou a professora.

Antes da quinta gestação, Aline recorda que buscou ajuda com um médico especialista na região e que através dele fez o procedimento de cerclagem, para que pudesse suportar a gravidez. Mesmo com repouso absoluto a cerclagem cedeu e, mais uma vez, ela perdeu o filho que esperava.

– Na quinta vez eu fiquei muito abalada, porque percebi que embora minha mente meu coração tivessem o desejo de ser mãe, o meu corpo não estava suportando. Não desisti, mas fiquei desmotivada, até porque quase morri na cirurgia e corri o risco de perder o útero, mas eu sabia que ainda tinha chances e que seria no tempo de Deus – acrescenta a professora.

De Barra Mansa, Aline foi buscar ajuda na Unicamp, em Campinas, onde se inscreveu em um programa para que pudesse fazer o tratamento com um especialista, através do qual ela conseguiu o procedimento de cerclagem definitiva que, diferente da que já havia feito, não a colocava em risco de perder o bebê.

-Em dezembro descobri que estava grávida e graças a Deus estou aí. O que me faz prosseguir foi a minha fé, meu esposo, que nunca me abandonou e chegou a dormir dentro do carro, lá em Campinas, e minha família. Tudo isso me fez agarrar em meu sonho.. Se eu não tivesse essa base teria sido mais difícil – afirmou Aline que, futuramente, pretende ajudar outras mães de anjos a realizarem seus sonhos. “Infelizmente são muitas mulheres no Brasil todo que sofrem com esse mesmo problema que o meu”, pontuou a professora.

Duzentas e trina injeções para engravidar

Aos 38 anos, a tecnóloga em logística Elisabete Mello da Silva Ferreira foi mãe da pequena Luiza há um ano e cinco meses, depois de ter enfrentado dois abortos, sendo um em 2013 e outro em 2015. Após a segunda perda ela foi diagnosticada com Trombofilia, um problema que ocorre na coagulação sanguínea propiciando o desenvolvimento de trombose. Conforme explicou Elisabeth, o fato da sua coagulação ser maior do que o normal era o que fazia sofrer os abortos, uma vez que o sangue não chegava até o feto.
– Foi muito difícil sofrer dois abortos. Depois do primeiro, quando não tive nenhuma assistência do meu médico, resolvi mudar de profissional, fiz a rotina pós-aborto com ele e dois anos depois eu e o meu marido, decidimos engravidar novamente. Foi quando perdi mais uma vez e o médico me orientou a procurar um especialista. Paralelo a isso, estava com outros problemas de saúde e fui a uma neurologista que estava grávida e que foi um anjo enviado por Deus.. Ela me indicou um especialista em doenças obstétricas e ele descobriu o que eu tinha – recorda.
Foi aí que tudo começou. Elisabeth iniciou um tratamento realizando vários exames e, logo que engravidou, deu início as aplicações de injeções de anticoagulante, aplicadas todos os dias em sua barriga para “ralear” o sangue e levar a gestação até o fim. Para garantir seu sonho de ser mãe, foram cerca de 230 injeções aplicadas.
– Faria tudo novamente. Valeu a pena cada picada de agulha que levei porque a minha filha é a coisa mais importante da minha vida. Comemorar o Dia das Mães sempre será algo mágico porque nossa Luiza é um presente de Deus. Eu e meu marido estamos muito felizes e agradecemos pela vida dela todos os dias, até porque têm mulheres com o mesmo problema que, mesmo com as injeções, não conseguem segurar a gestação. Ser mãe me transformou em uma pessoa mais empática, que se coloca no lugar do outro e que procura sempre dar para o outro o que espero que possam fazer pela minha filha – enfatizou.
Outra que não desistiu do sonho da maternidade foi a dona de casa Renata da Silva Rocha, de 33 anos, Casada há 13 anos, ela tentou engravidar durante anos, no entanto, após vários exames descobriu que estava com o ovário policístico, o que a obrigou a adiar o desejo de ser mãe para se submeter a um tratamento.
-Eu e meu marido ficamos muito inseguros, com medo de não dar certo, mas fomos em frente e, graças a Deus, hoje nosso filho está com cinco anos, nos fazendo muito felizes e a buscar sermos pessoas melhores a cada dia – comentou Renata.
De acordo com ela, inúmeros foram os resultados de exames negativos, antes de conseguir engravidar e, por conta disso, hoje ela sempre busca aconselhar, ajudar e incentivar outras mulheres a não desistirem de tentar. “Enquanto houver recursos e tratamentos, vale a pena as mulheres tentarem. Ser mãe é algo divino e capaz de transformar as nossas vidas. Todo esforço para isso é compensador”, finalizou.


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