;
terça-feira, 24 de novembro de 2020 - 12:33 h

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Natal: Professora aposentada entrega presentes a crianças carentes há 28 anos

Natal: Professora aposentada entrega presentes a crianças carentes há 28 anos

Matéria publicada em 23 de dezembro de 2015, 19:43 horas

 


Ação faz parte de projeto solidário e a previsão é que neste ano 2,6 mil sejam beneficiadas em Volta Redonda, Barra do Piraí e Pinheiral

Volta Redonda – Há 28 anos a professora aposentada Maria Cecília da Silva realiza uma trabalho social que presenteia crianças carentes nesta época de Natal. O projeto que começou como terapia para superar a morte de um irmão dela, hoje já atende mais de duas mil crianças e torna a ocasião especial tanto para quem ganha presente, quanto para os voluntários que participam das entregas.

– Eu comecei a fazer isso porque tinha perdido um irmão e a dor em mim era muito grande. Foi então que um amigo me chamou para começar a trabalhar nas casas das famílias da comunidade, há 28 anos. Chamei um grupo de amigos para participar também e então o grupo foi crescendo – explicou a professora aposentada.
Segundo ela, o grupo monta kits com um brinquedo, uma muda de roupa e um calçado, além de dois pacotes de biscoito, balas, doces, chicletes e chocolates. Eles começaram a ser entregues nesta quarta-feira (23), mas o trabalho de cadastramento das crianças teve início em julho, quando é conferido o tamanho das roupas, número dos calçados e endereços.
– Eu fico muito feliz em poder ajudar, porque para criança ganhar um presente é um sonho. É como se eu tivesse filhos e netos e eles fossem meus. A alegria é uma via de mão dupla. Ela me contagia. É necessário diminuir a distância dos que tem para os que não têm. O mundo não é só egoísmo e crueldade. Tento fazer com que as crianças percebam isso e que outras pessoas podem ajudá-las. A ideia é plantar na criança a semente que ela pode confiar no mundo, que é possível seguir o caminho do bem – disse Maria Cecília, resumindo o trabalho que faz.
Entre as crianças beneficiadas estão desde recém-nascidos até as de 10 anos. Os locais em que os kits serão distribuídos são: Santo Agostinho, Siderlândia, Vila Rica, Três Poços, Nova Primavera e Retiro (Volta Redonda); Cerâmica União e Califórnia (Barra do Piraí) e também em bairros de Pinheiral.
Maria Cecília disse que em cada um desses locais onde os presentes são entregues há um polo que recebe os kits e os encaminha aos beneficiados, facilitando a logística. Além disso, há uma campanha para que estimula a adesão de novos voluntários, chamados de “padrinhos” que financiam as lembrancinhas.
– A cesta é padronizada e todo mundo recebe exatamente a mesma coisa. Quando os padrinhos vêm aqui em casa entregar as coisas, nós abrimos e conferimos se está tudo ok. Algumas crianças recebem alguns ‘mimos’, como meias, calcinhas, cuecas, biscoitos a mais. Outras recebem exatamente a mesma coisa. Alguns embrulhos vêm com tamanhos que não eram os indicados, outros podem vir faltando alguma coisa. Então nós refazemos os embrulhos e entregamos igual para todo mundo – contou Maria Cecília.
Questionada se a qualidade dos presentes diminuiu por causa da crise econômica que assola o país, Maria Cecília deixou bem claro que não, e que por incrível que pareça, os kits ficaram até melhores este ano.
– Não senti a crise na campanha, para mim ela não aconteceu. Achei até que fossem doados brinquedos e presentes mais fracos, mas a qualidade não diminuiu. Este foi um ano que eu tive muitos voluntários também, fiquei bastante surpreendida – revelou.

Plantando a semente do bem

A professora aposentada disse que algumas crianças beneficiadas no projeto hoje fazem parte do trabalho como voluntários. Um exemplo é a moradora do bairro Vila Rica/Três Poços, Marcelly Aparecida de Souza.
– Eu e meus irmãos ganhamos a cesta quando éramos pequenos. Foi tão bom que resolvi participar e ajudar. É uma felicidade sem tamanho – afirmou ela.
Uma das voluntárias mais antigas, a pedagoga Ângela Maria de Albuquerque disse que começou a fazer parte do projeto desde o seu início, em 1988. Ela conhecia Maria Cecília de um centro espírita que ambas frequentavam e então surgiu a ideia de participar.
– Além de passar as fichas para os voluntários, passei a fazer parte da entrega dos presentes. Da primeira vez, não conseguia parar de chorar. Ver aquelas crianças felizes é muito emocionante. Qual delas não gostaria de ganhar um presente novo no Natal? Ao longo dos anos já recebi até cartas de crianças dizendo que este era o único dia do ano em que elas ganhavam uma roupa nova e que esperavam ansiosas por esse dia. É impossível não se sensibilizar – lembrou.
Maria Cecília finalizou agradecendo ao apoio de todos os voluntários durante esses quase 30 anos de trabalho social, em especial a amiga Cidinha.
– Ela é o meu braço direito, meu incentivo, toda a ajuda, o suporte. Indiscutivelmente meu ponto de apoio. Foi uma das primeiras crianças que atendi, e hoje atendo também o seu neto. Ela está comigo há três gerações. Deixo aqui o meu muito obrigada a ela e a todos que me acompanharam todos estes anos – encerrou.

Por Melissa Carísio
melissa@diariodovale.com.br


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

2 comentários

  1. Avatar

    Matéria incompleta, cadê o número do tel pra gente que quer ser voluntária e ajudar tamb!

    • Avatar

      Eu sou voluntário. A casa dela fica na rua q desce do Jardim Normandia para o jd Amália, perto da esquina. É só chegar ali e perguntar pela dona Cecília. As fichas com o cadastro começam a ser entregue para os padrinhos a partir de outubro. Tudo muito claro e bem feito.

Untitled Document