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Nível do Rio Paraíba do Sul aumenta mas economia tem que continuar

Matéria publicada em 2 de dezembro de 2015, 21:01 horas

 


Hábitos de consumo consciente tem que continuar apesar das chuvas dos últimos dias; situação continua crítica

Monitorado: Nível do Rio Paraíba do Sul subiu na última semana mas já caiu bruscamente nos últimos dias (Foto: Melissa Carísio)

Monitorado: Nível do Rio Paraíba do Sul subiu na semana passada mas já caiu bruscamente nos últimos dias em Barra Mansa (Foto: Melissa Carísio)

Barra Mansa – As constantes chuvas dos últimos dias contribuíram para o aumento do nível do Rio Paraíba do Sul, mas nada que possa acabar com os hábitos de economia e o uso consciente da água. Pelo menos é o que afirmam as autoridades responsáveis pelo monitoramento e abastecimento de água nos municípios.
Em Barra Mansa, por exemplo, uma das últimas medições mostrava que o rio estava com 1,57m de profundidade e após as chuvas, esse número chegou aos 2,64 m, na segunda-feira. No entanto, em medição realizada nesta quarta-feira (2) o nível já havia baixado cerca de 90 centímetros, alcançando 1,74 m. Apesar da queda, o diretor do Saae-BM (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Barra Mansa), Jardel de Azevedo, tranquilizou a população sobre o risco de falta d’água.
– É possível perceber que o nível do rio diminuiu. Em termos de consumo, quanto mais chove, melhor é. A população pode ficar mais tranquila – disse Jardel, acrescentando que o abastecimento de água nos bairros da cidade está sendo feito normalmente.
A água que é consumida pelos moradores da região Sul Fluminense, vem dos reservatórios de Jaguari, Paraibuna e Santa Branca, todos no estado de São Paulo. Ela vai para a Represa do Funil, em Itatiaia, operada por Furnas e responsável pela distribuição da água aos municípios.
Jardel disse que atualmente, a vazão do Rio Paraíba do Sul opera aproximadamente com 150 m³/s, mas a partir da semana vem, através de uma resolução da ANA (Agência Nacional de Águas), ela passará para 110 m³/s. A medida tem como objetivo preservar o nível dos reservatórios.
– Nós não sabemos o que isso vai significar para a população e o que vai acontecer em Barra Mansa. Vai ser uma situação nova para gente, já que nunca vivemos esta situação. Reforçamos e pedimos para que a população economize, pois não sabemos o que vai acontecer a partir desse dia – alertou, informando que a vazão máxima do Rio Paraíba do Sul é de 250 m³/s e a mínima é 190 m³/s, ou seja, o abastecimento está sendo feito desde o início do ano com o mínimo possível e que não há risco de transbordamentos.
– Estivemos lutando durante todo o ano para que a água pudesse abastecer a população e se continuarmos do jeito que está, ano que vem vamos enfrentar situações complicadas. É melhor “fechar as torneiras” agora, para depois não passarmos aperto – finalizou Jardel, destacando que o planejamento é a longo prazo.
O coordenador interino de Proteção e Defesa Civil de Barra Mansa, Manoel Carlos de Souza, disse que o nível do rio hoje é considerado bom, mas que a estiagem é uma realidade, e por isso, as pessoas devem economizar água.
– O Rio Paraíba está recebendo quantidade significativa de água da bacia afluente que o abastece, devido às chuvas constantes. Estivemos com um nível bom, considerando o período de estiagem – disse o coordenador, acrescentando ainda que há tempos a profundidade do Rio Paraíba não ultrapassava os dois metros, como aconteceu na última segunda-feira.
Manoel frisou que a economia deve continuar, principalmente pela imprevisibilidade do clima.
– Às vezes nós olhamos na previsão do tempo, contando que irá chover, e duas horas depois, nada. Não podemos contar com as chuvas. A população deve continuar evitando o desperdício, pois a situação ficou quase crítica – disse Manoel, acrescentando que o Rio Paraíba também depende da chuva que cai nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

“Fechando as torneiras”

Se economizar é preciso, alguns moradores da região já “fecham as torneiras” há algum tempo. Uma delas é a dona de casa Renata Neves que toma uma série de cuidados para não desperdiçar água.
– Precisamos evitar o desperdício de qualquer forma. Minha mãe sempre me ensinou como aproveitar a água da melhor maneira e tentei passar isso para os meus filhos para que as próximas gerações não sofram com a falta d’água – disse ela, que revelou checar e consertar qualquer tipo de vazamento, ensaboa primeiro as louças e depois as enxagua em uma bacia separada, além de captar água das chuvas usando baldes.
Já o chef de cozinha, Leonardo Quinellato, afirmou que uma das práticas que adota constantemente é aquecer água que será usada para lavar louça. Segundo ele, isso acaba economizando água. Além disso, Quinellato afirmou que também reserva água das chuvas.
– Faço captação da água das chuvas para regar minha horta de apartamento e lavar o chão. Também costumo aquecer a água na hora de lavar os pratos. Tomo bastante cuidado na hora do banho, tentando não ultrapassar muito tempo, escovo os dentes com a torneira fechada. São pequenas atitudes mas que fazem toda a diferença – garantiu.

Por Melissa Carísio
melissa@diariodovale.com.br


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5 comentários

  1. Avatar
    Pagador de impostos

    Nosso rio Paraíba do Sul. Tão maltratado. A maior riqueza da nossa região. Vendo, acompanhando e lendo sobre o desastre quase criminoso ocorrido com o grande Rio Doce, passei a prestar ainda mais atenção ao nosso importantíssimo rio Paraíba do Sul. Uma caminhada por suas margens entristece. Lixo. Lixo. Muito lixo. E quem joga lixo nas margens sabe o que pode e o que não pode fazer e a maioria ou todas essas pessoas certamente ficaram sensibilizadas com o “acidente” com o rio Doce. Mas, continuam jogando lixo nas ruas, nas margens dos rios e quetais. Até quando seremos tão ” burrros”? O caminho pode não ter mais volta. Pensemos. E tomemos juízo.

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    Falta informações sobre o nível do funil…ning fala nada como é fácil achar informações sobre o cantareira

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    Também espero que a represa esteja segurando à água que vem de São Paulo, apesar de falarem que 2016 vai ser um ano de muita chuva, é sempre bom se prevenir caso a chuva não venha.

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    Para nós importa mais o nível dos reservatórios do que o do leito do rio propriamente dito. É normal que o rio encha com a chuva localizada e torne a baixar depois dela, afinal a represa está segurando tudo o que chega antes de Resende. Assim deve ser, afinal não sabemos o que vem por aí…

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