Número de mulheres triplicou na CSN na última década

Por Diário do Vale
215 Visualizações
Pioneira: Fran conta com a confiança de Gilmar, e é a primeira mulher a trabalhar na Coqueria, área mais ‘pesada’ da usina Foto: Giovanni Nogueira

Pioneira: Fran conta com a confiança de Gilmar, e é a primeira mulher a trabalhar na Coqueria, área mais ‘pesada’ da usina
Foto: Giovanni Nogueira

Volta Redonda e Porto Real

Elas já são quase 10% do total de funcionários nas unidades de Volta Redonda e Porto Real de acordo com estatísticas divulgadas pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, o número de mulheres no setor operacional já ultrapassou o de colaboradoras locadas no setor administrativo.

Elas começaram na década de 40 na CSN no setor de análise de qualidade de chapas metálicas. Chegaram a ser 32 na área, e hoje são apenas cinco, devido à melhora na qualidade dos produtos. As décadas se passaram e elas conquistaram cargos em diversos setores da companhia, como o administrativo e até mesmo o operacional.

Os dados apontam que atualmente a maior parcela das funcionárias da CSN se concentra na área operacional e que na última década, o número de mulheres contratadas triplicou se espalhando até mesmo por setores compostos unicamente por homens.

A jovem Francismara Bianca Balbino é o retrato da mulher do século XXI, com foco, determinação e busca conhecimento e crescimento. Ela foi a primeira mulher a trabalhar na Coqueria, considerada a área mais pesada da CSN. Pioneira, fez estágio com 16 anos e se tornou a primeira mulher da história contratada para o setor abrindo o caminho para outras mulheres.

Ela ganhou a confiança e o incentivo de superiores e colegas como Gilmar Martins, técnico de desenvolvimento especialista, e mostrou na prática que as mulheres têm abraçado com determinação e dedicação as vagas até então masculinas. “A gente acreditou e vimos resultados”, diz Gilmar. Ela, inclusive trocou o curso técnico em administração e hoje cursa faculdade de engenharia mecânica.

– Lido com gás e trabalho com o fator medo o tempo todo no subsolo da Coqueria. Quando cheguei me disseram que não conseguiria por ser mulher, e mesmo pequena faço tudo. A área é pesada e sempre trabalharam homens, mas gosto muito e é isto mesmo que quero fazer, chegando um dia a um cargo maior – disse.

De acordo Anderson Castro, Gerente de Recursos Humanos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a diversidade de oportunidades na empresa está presente em diferentes vertentes de inclusão: gênero, social (pessoas com deficiência) e idade (oportunidades de primeiro emprego aos jovens).

– As mulheres possuem iguais condições nos programas de portas de entrada da empresa Capacitar (com curso de formação gratuita), Incluir (destinado a pessoas com deficiência) e Jovem Aprendiz (para o público entre 18 e 22 anos que buscam qualificação profissional e primeiro emprego). Essas oportunidades contemplam inclusive os cargos operacionais, cuja predominância masculina era bem mais evidente no passado. Na siderurgia, 42% das mulheres da CSN são ocupantes de cargos operacionais – explicou.

Em Volta Redonda, a empresa tem 10.106 funcionários, e destes, 837 são mulheres, distribuídas em diversos cargos. Anderson observa esse aumento no mercado. Socialmente podemos perceber uma tendência da “invasão” das mulheres no mercado de trabalho e essas têm assumido mais posições desde níveis operacionais até alta gestão. O que faz gerar uma competividade saudável no mercado de trabalho e proporcionar uma diversidade no ambiente da empresa – disse confirmando que nas células da CSN em Volta Redonda e Porto Real, o número de mulheres triplicou em postos operacionais. Segundo dados da empresa, o efetivo de mulheres na siderurgia nas duas cidades está distribuído da seguinte forma: 42% no setor operacional, 31% no setor administrativo, 20% no setor técnico, 3% na liderança, 2% na manutenção e 2% na gestão.

 

Reflexo na sociedade

 

Cristiane Filgueiras, há 16 anos na CSN, é gerente de tecnologia e controle de projetos. Ela afirma que começou a carreira como analista, e destaca que a empresa oferece oportunidades de crescimento, principalmente quando vê trabalho e competência por parte das mulheres.

– É preciso ter foco na carreira e gestão. O grande desafio é conciliar a vida: ser mãe em casa e executiva na empresa. Nós temos que conciliar trabalho e os afazeres em casa, e para isso é importante criar uma estrutura que auxilie, e se organizar de forma que possamos manter uma qualidade na relação com a família. Logicamente, foi um caminho árduo até aqui, mas com competência e valor, a mulher consegue conquistar seu espaço – disse, destacando que a presença da mulher valoriza ainda mais a equipe de trabalho. “O ambiente se disciplina ainda mais com a mulher presente. Ela dá uma humanizada e deixa o ambiente mais leve”, observa.

Já Vanessa Cavalheiro de Azevedo, trabalha há 12 anos na CSN, é Engenheira Química por formação e gerente de lingotamento contínuo, sendo a única gerente de área operacional da CSN.

– A valorização da empresa com as mulheres é muito grande. Vejo que não somos diferentes, mas complementamos e trazemos um ponto de vista diferente. Temos o mesmo comprometimento e dedicação, mas na área operacional é um desafio grande, pois não é simples. Devemos nos colocar numa posição para ganharmos respeito trabalhando com homens que têm 20 anos de experiência técnica a mais que você – detalha.

Ela acredita que as conquistas espelham outras mulheres estimulando e motivando a serem referência às que querem crescer dentro da empresa. Ela destaca que o ponto de vista diferente das mulheres, é percebido dentro da empresa e valorizado na forma de novas oportunidades e crescimento. “Nós somos movidas a desafios, o que aumenta nosso foco e determinação. Há uma adequação cultural, comportamental e de estrutura na empresa. Mudamos a forma de pensar no trabalho e a forma de falar e lidar se tornou diferenciada, criando um ambiente propício ao trabalho conjunto entre homens e mulheres. E essa união tem como objetivo a melhor confecção do produto final. E essa nova relação tem reflexo direto e é sentido no cotidiano, no dia a dia da sociedade”, destaca Vanessa.

 

Advertisement

VOCÊ PODE GOSTAR

4 Comentários

Metalurgico 12 de março de 2015, 09:10h - 09:10

Parabens a essas mulheres que quebram o paradigma de sexo fragil, conquistando cada vez mais seu espaço no mercado de trabalho independente da área e suas dificuldades.

Carlos 10 de março de 2015, 16:48h - 16:48

Empresa boa danada sô, vou largar a BR e pedir boca na CSN, chega de ganhar bem, vou sofrer um pouco junto com essa rapaziada.

piao 9 de março de 2015, 12:51h - 12:51

Eela nao foi a primeira mulher a trabalhar nao kkkkk quando ela entrou ja tinha umas ja trabalhando no setor da coqueria como operadora. Mais…. parabens para essas guerreiras conheço ela, ela e muito esforçada e corre atras para estar desempenhando mais ainda em seu local de trabalho.

robson lima 9 de março de 2015, 00:16h - 00:16

Só o salário q naum triplica!

Comments are closed.

diário do vale

Rua Simão da Cunha Gago, n° 145
Edifício Maximum – Salas 713 e 714
Aterrado – Volta Redonda – RJ

 (24) 3212-1812 – Atendimento

 

(24) 99926-5051 – Jornalismo

 

(24) 99234-8846 – Comercial

 

(24) 99234-8846 – Assinaturas

Canal diário do vale

colunas

© 2023 – DIARIO DO VALE. Todos os direitos reservados à Empresa Jornalística Vale do Aço Ltda. –  Jornal fundado em 5 de outubro de 1992 | Site: desde 1996